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Impasses viram marca registrada em meio às obras do BRT-ABC

Símbolo de promessas para a mobilidade na região, trajeto segue com o cronograma ‘empurrado’ e longe de operar plenamente nas cidades

Fábio Júnior
Especial para o Diário
28/11/2025 | 05:45
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FOTO: André Henriques 16/8/24
FOTO: André Henriques 16/8/24 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os constantes atrasos do BRT-ABC ampliam uma vasta lista de reprogramações que se arrastam desde o anúncio do projeto, os quais são acompanhados com destaque pelo Diário. A proposta nasceu como alternativa mais rápida ao monotrilho prometido em 2010 e cancelado logo em seguida. O novo corredor mantém a ambição de ligar São Bernardo, Santo André, São Caetano e São Paulo por meio de ônibus elétricos articulados em faixa exclusiva. Entretanto, a execução enfrenta alguns obstáculos: complexidade estrutural, revisões de traçado, questões ambientais, disputas jurídicas e rede-finições contratuais. 

Segundo dados oficiais, o cronograma apontava entrega em 2024. Em seguida, o prazo passou para 2025, e posteriormente foi transferido para 2026. No meio disso, as obras tiveram início, pararam, foram reavaliadas e retomadas desde então. 

Entre os principais entraves, os técnicos e jurídicos aparecem no topo da lista. A necessidade de adequações no viário urbano – sobretudo em São Bernardo, onde algumas avenidas precisam de alargamentos e reconfigura-ções – exigiu novas desapropriações e negociações com comerciantes e moradores. Em Santo André, impactos sobre a malha subterrânea de energia e drenagem atrasaram o início de corredores internos. Já no acesso à Capital, o fluxo pesado da Avenida do Café e entroncamentos com a Via Anchieta acabaram exigindo novos estudos. 

Além disso, o processo ambiental precisou ser revisado três vezes devido a atualizações no uso de áreas verdes, necessidade de compensações e definição de zonas sensíveis próximas a córregos. Os ajustes, embora essenciais, alongaram o prazo.

Questionamentos de concorrentes, pedidos de auditoria e cobranças de transparência no processo de concessão foram alguns dos problemas que fizeram com que parte das obras fosse paralisada por semanas e meses, exigindo readequações administrativas por parte da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) e do governo estadual.

A soma desses fatores gera reflexos diretos no cotidianos dos mais de 250 mil passageiros diários estimados para o sistema. A região continua dependendo das linhas tradicionais, tempo de viagem irregular, tráfego intenso e sobrecarga nos corredores existentes. A expectativa de redução do tempo entre São Bernardo e São Paulo para menos de 40 minutos segue distante.

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O atraso também afeta a integração com modais municipais. Em São Bernardo, Santo André e Diadema , planos de reorganização de linhas urbanas, previstos para acompanhar o BRT-ABC, foram suspensos. A reorganização de terminais e a criação de plataformas específicas para veículos elétricos seguem sem data definida. 

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem adotado postura mais firme em relação à concessionário. Em declarações públicas, Tarcísio tem cobrado mais ritmo da Next Mobilidade, e cumprimento dos marcos contratuais. 

Apesar das dificuldades, o governo estadual garante que o ritmo deve aumentar ainda na reta final de 2025, com entrega de estações intermediárias e início de testes operacionais em trechos reduzidos. Os ônibus elétricos já encomendados passam por adequações finais e estão previstos para chegar ao sistema a partir do segundo semestre de 2026. 

O Diário reencontra um velho dilema: obras importantes, esperadas, com um potencial para transformar o transporte regional, mas que seguem presas a inúmeras disputas e revisões. 

Terminal de São Bernardo é demolido

A demolição do Terminal Municipal de São Bernardo, uma das estruturas mais emblemáticas do transporte urbano da cidade, tornou-se um dos capítulos mais sensíveis e simbólicos dentro das obras do BRT-ABC. 

O espaço, que por mais de três décadas funcionou como ponto central de embarque e desembarque, começou a ser desmontado no dia 21 de setembro deste ano, para dar lugar às instalações que vão compor a integração direta com o novo corredor metropolitano da região. 

A decisão de demolir a estrutura surgiu após estudos técnicos apontarem que as adaptações seriam mais caras e demoradas do que a construção de um novo terminal, mais amplo e compatível com os veículos elétricos articulados da BRT. Além disso, o espaço necessitava de uma readequação completa para comportar plataformas elevadas, alimentação elétrica e maior fluxo entre os passageiros. 

A nova estrutura, prevista para outubro de 2026, promete integração total entre o BRT, linhas municipais e intermunicipais, além de espaço para ônibus elétricos, acessibilidade, áreas de descanso e monitoramento digital. 

Apesar disso, moradores e especialistas seguem questionando a extensão do impacto urbano. Para alguns arquitetos, era possível preservar parte da identidade original ou adotar soluções intermediárias. O poder público argumenta que a operação exigira um terminal redesenhado. 

São Bernardo vive um período de transição. A ausência do terminal afeta a logística das linhas, a circulação no centro e a rotina de milhares de pessoas. As autoridades garantem que, quando concluído, o complexo vai representar um salto de qualidade em todo transporte regional. 




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