Edição 20.000 Em 67 anos, o ‘Diário’ acumula parceiros com décadas de histórias; um caso é o da Rosa Maria de Carvalho, assinante ativa mais antiga
Katherine Paula de Carvalho,50, e Rosa Maria de Carvalho,78, são as assinantes mais antigas ativas FOTO: André Henriques/DGABC

Entre editorias, linhas e colunas, um item continua sendo essencial no dia a dia do jornal: o leitor. Com histórias emocionantes, os acompanhantes do Diário mantêm viva a história de 67 anos do maior jornal regional do País.
Esse é o caso da aposentada Rosa Maria de Carvalho, 78 anos, e da socorrista Katherine Paula de Carvalho, 50, mãe e filha que moram em São Bernardo. Desde 1989, as duas recebem cada edição sobre o noticiário da região, sendo as assinantes mais antigas ativas da história do Diário.
Katherine conta que tudo foi passado de geração para geração. A assinatura estava em nome de seu falecido pai, Arthur de Carvalho Neto. Nascido na Capital, Neto veio morar no Grande ABC em 1978 para trabalhar no pátio da Volkswagen de São Bernardo. Desde o início da sua trajetória na região, o ferramenteiro acompanhou as infinitas histórias e acontecimentos que o Diário apurou.
“Cresci no meio do jornal. Desde que eu me conheço por gente, meu pai sempre lia o Diário. Todos os dias eu via o jornal em cima da mesa, ele sempre foi muito focado no papel. Após falecer em junho de 2023, mudei para meu nome a assinatura, visto que minha mãe queria continuar acompanhando. Me remete muito à memória paterna”, disse Katherine.
Ela ainda comenta que o familiar tinha um ‘ritual’ de leitura. Por trabalhar na madrugada, Carvalho chegava de manhã em casa sempre trazendo pães, leite e o elemento essencial para o café da manhã: o exemplar do Diário, direto da banca mais próxima da residência. “Eu pegava os cadernos que me interessavam, mas meu pai ficava bravo que a gente bagunçava e tirava da ordem”, brincou Katherine.
Já para a mãe Rosa Maria de Carvalho, o Diário representa uma parte especial se sua rotina. “Leio todo santo dia, sempre gostei de jornal. E quando viemos para o Grande ABC, o Arthur logo assinou e assim comecei a acompanhar o periódico”, relatou.
Mas diferente do patriarca da família Carvalho, a aposentada tem um processo diferente de acompanhar as notícias do dia. Mesmo o jornal chegando às 7h da manhã na porta de sua casa, Rosa gosta de ler as matérias somente após as tarefas domésticas, logo depois do almoço.
“Fico triste quando não consigo ler, é um hábito meu. O Diário traz um monte de coisas que eu gosto como a Cena Política, acontecimentos das cidades e o Canal 1 (coluna sobre entretenimento). E eu tiro o chapéu para a Palavra do Leitor. O Diário representa a cultura da região”, comentou Rosa.
Além dessas editorias, a moradora de São Bernardo revela uma paixão pela coluna ‘Memória’, escrita pelo jornalista Ademir Médici.
Há 28 anos, o advogado aposentado e morador de Santo André, José Bueno Lima, 87, é assinante do Diário. Contudo, sua história com o jornal vem de muito antes.
Nascido em 1937, o residente começou a acompanhar o antigo News Seller, precursor do Diário, com intuito de conhecer mais sua região.
Na época, era possível observar em cada esquina pelo menos uma pessoa com os famosos papéis na mãos que traziam as principais notícias do dia.
“Meu irmão mais velho lia muitos jornais esportivos e peguei a mania de ler jornal. Eu sempre gostei da leitura. Quando surgiu o News Seller comecei a comprar semanalmente”, relembrou.
“Não digo que é um dever, mas todos poderiam ler. O Diário nos deixa a par do que acontece na nossa cidade”, continuou.
E conhecendo mais sobre a história, o assinante soube que tinha mais relação com o Grande ABC do que ele pensava. O aposentado é descendente do Coronel Oliveira Lima, importante político de Santo André e pessoa que dá nome a um dos principais pontos de comércio da cidade.
“Descobri após um amigo meu de São Bernardo fazer um estudo genealógico da minha família. Ele se interessou e descobriu que o Coronel foi sobrinho do meu bisavô”, comentou o integrante da família quatrocentona.
Mas além de ser um leitor do Diário, o morador já participou de algumas páginas do jornal. “Em 1965, eu trabalhava na Faculdade de Direito São Bernardo. E nessa época, eu fiz uma coluna universitária que em pequenas notas comentava assuntos de faculdade do Grande ABC”, comentou Lima.
Para o andreense, a credibilidade caminha ao lado do Diário. Lima comentou que todo morador das sete cidades poderia acompanhar e ler o periódico, visto que é uma fonte de informação e de cultura da região.
“O Diário é o propulsor da minha lucidez. Além das notícias, que são muito importantes, eu faço as palavras cruzadas e o Sudoku, porque na minha idade tenho que pôr para cabeça a funcionar”, brincou o assinante.

De banca em banca, as 20.000 edições do Diário estavam e continuam presentes nas vitrines dos estabelecimentos do Grande ABC. Nos tempos áureos do papel, era quase imprescindível não passar em uma banca para comprar o períodico do dia.
Um exemplo é a Di Bellis, localizada na Avenida Pery Rochetti, no Centro de São Bernardo, ativa desde 1968, sendo o comércio de jornais mais antigo.
A dona, Silvana Di Bellis, 71 anos, e seu marido, Nelson Moreira,71, herdaram o estabelecimento após o falecimento do seu pai da moradora, em 2019, e marcante jornaleiro da cidade, Vicente Di Bellis.
A gestora comentou que os jornais de papeis foram perdendo a força durante os anos, mas o Diário seguiu vivo nessa luta para informar com credibilidade a população do Grande ABC.
“O que mais vende aqui é o Diário. Mas, antigamente o jornal vendia cerca de 150 a 200 papeis durante o final de semana, era o carro chefe. Ainda é o único da região a ter”, disse a dona.
Apesar de seus filhos quererem que a história da banca chegue ao fim, Silvana continua firme no legado. “Isso aqui era a paixão do meu pai. Então enquanto eu estiver viva vou ficar aqui. Ele era apaixonado por ler jornal. Sentava na sala, em frente a televisão e lia”, comentou Silvana.
Ela ainda garantiu que o amor pelo setor jornaleiro está nas veias da família. “Meu avô (Lorenzo Di Bellis) foi o primeiro a ter banca, em São Paulo, lá na Praça da Sé”, completou a dona da Di Bellis.
No Grande ABC, há 226 bancas abertas em 2025, segundo informações de seis prefeituras. Mauá não enviou os dados até o fechamento.

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