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Assassinatos por integrantes da própria família repercutem

Em Santo André, Romuyuki, Flaviana e Juan Victor Gonçalves acabaram mortos; em São Bernardo, a vítima foi Lucas da Silva

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
28/11/2025 | 08:40
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Casos de violência na própria casa, por parentes próximos das vítimas, voltaram a ganhar repercussão na região nos últimos anos. Entre eles, dois episódios se destacam pela brutalidade e pela intensa cobertura policial, a morte de Lucas da Silva Santos, 19 anos, envenenado em São Bernardo em julho deste ano, e o assassinato da família Gonçalves, em Santo André, crime que teve participação da filha do casal, Anaflávia Martins Meneses Gonçalves, em 2020.

A morte de Lucas da Silva Santos, 19 anos, expôs um enredo de violência doméstica, mentiras e contradições que se desdobrou ao longo de quase duas semanas. O Diário acompanhou todas as fases da investigação, da suspeita inicial de envenenamento por bolinhos de mandioca enviados por uma tia ao desfecho que apontou o padrasto como autor do crime.

Lucas passou mal após o jantar em 11 de julho deste ano, no bairro Alvarenga, em São Bernardo, e foi levado ao HU (Hospital de Urgência) em estado grave. Inicialmente, a Polícia Civil investigava Cláudia Pereira dos Santos Daliessi, 43, irmã do padrasto, por suposto envio de alimento adulterado. 

A mudança na investigação ocorreu depois de novos depoimentos e análises de amostras recolhidas nas casas da família. A delegada do 8º DP (Distrito Policial), Liliane Doretto, identificou contradições no comportamento de Admilson Ferreira dos Santos, 52, que se tornou o principal suspeito.

No dia 15, Liliane revelou que o padrasto, além de manter forte controle sobre o enteado, teria abusado sexualmente de um dos filhos da família e demonstrava ciúmes de Lucas, que planejava sair de casa. A suspeita se confirmou, dias depois, quando Admilson confessou ter misturado chumbinho ao creme de leite usado nos bolinhos.

Lucas teve a morte encefálica confirmada no dia 20, após oito dias de internação. No Cemitério do Carminha, onde o jovem foi enterrado, familiares protestaram pedindo justiça. A apuração do Diário também revelou aspectos antes desconhecidos da vida do jovem, como o histórico de transferências escolares, cinco mudanças entre 2011 e 2013, e denúncias de pessoas próximas sobre tentativas da família de esconder possíveis episódios de maus-tratos. Vizinhos relataram que o padrasto era controlador, manipulava o comportamento do enteado e, antes da prisão, chegou a chorar dizendo que era inocente.

FAMILÍA GONÇALVES

Cinco anos antes da morte de Lucas, outro crime envolvendo parentes ganhou repercussão nacional: o assassinato da família Gonçalves, em Santo André, em janeiro de 2020. 

O caso, apurado pelo Diário desde os primeiros dias, revelou uma trama financeira que levou à morte da empresária Flaviana Meneses Gonçalves, 40, do marido Romuyuki Veras Gonçalves, 43, e do filho do casal, Juan Victor Gonçalves, 15.

A investigação apontou que Anaflávia, com 25 anos na época, filha do casal, e sua então companheira, Carina Ramos de Abreu, 33, armaram o crime com a participação de Guilherme Ramos, 21, e dos irmãos Juliano, 24, e Jonathan Ramos, 25, primos de Carina. O plano, segundo o MP (Ministério Público), envolvia supostos valores guardados em um cofre da casa e expectativa de herança. A relação de Anaflavia e Carina era aceita pela família, mas o motivo do crime, conforme a denúncia, passou por ganância e falsas expectativas sobre um seguro de vida de Romuyuki.

Na noite de 27 de janeiro, dia do aniversário de casamento de Flaviana e Romuyuki, o grupo entrou no condomínio, no bairro Jardim Irene, com apoio de Anaflávia. Os três familiares foram rendidos, agredidos com golpes na cabeça e mortos por sufocamento. Horas depois, seus corpos foram carbonizados dentro de um Jeep Compass encontrado na Estrada do Montanhão, localizada em São Bernardo.

O julgamento, que enfrentou sucessivos adiamentos, ocorreu em 2023 e durou mais de 14 horas. As penas somadas chegaram a 192 anos. No grupo familiar, Carina recebeu a maior condenação, com 74 anos e sete meses; Anaflavia foi sentenciada a 61 anos e cinco meses, absolvida apenas do homicídio de Juan e Guilherme a 56 anos e dois meses. 

No mesmo ano, os integrantes da família Juliano e Jonathan foram condenado a 65 anos e cinco meses e a 56 anos e dois meses, respectivamente.




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