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Com ampla cobertura, luta sindical reverte demissões polêmicas

‘Diário’ noticiou os defechos dos desligamentos feitos por telegrama pela GM em pleno sábado

28/11/2025 | 09:30
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Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano levantam presidente Cidão FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano levantam presidente Cidão FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O que parecia um final de semana comum foi uma surpresa para funcionários da GM (General Motors) de São Caetano. Por telegrama e sem aviso prévio algum, a montadora demitiu 300 colaboradores por telegrama em 20 de outubro de 2023.

“Fomos pegos de surpresa. Convocamos a assembleia no domingo (22 de outubro de 2023) e tomamos a decisão de paralisação. Na segunda-feira (23), já fomos até a porta da fábrica e paramos. Entendemos que foi uma medida nefasta de mandar o pessoal embora por telegrama, sem que houvesse negociação com o sindicato”, lembrou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão.

Em 24 de outubro de 2023, o Diário publicou um editorial que elucidava a situação vivida. “Não que haja maneira indolor de comunicar corte em massa, mas fazer isso durante o fim de semana, quando boa parte dos funcionários estava em casa, junto com seus familiares, beira o desprezo institucional pelas regras civilizatórias mais elementares. A frieza calculista dos responsáveis pelo departamento de recursos humanos da empresa norte-americana deve ser objeto de estudo. A direção da fabricante de veículos precisa vir a público explicar as razões de a medida ter sido tomada desta forma e quais foram seus fundamentos.”

Um dia depois a equipe do Diário esteve presente em uma assembleia realizada na GM. Nessa fase, já era o terceiro dia de paralisação e os trabalhadores realizaram protestos utilizando os próprios uniformes das fábricas. 

Um paredão de camisas azuis foi colocado na grade da fábrica de São Caetano. Com o ato, os funcionários mostraram toda a indignação causada pela falta de tato da empresa.

“15 anos de GM e sou tratado como lixo”, dizia um recado escrito na camisa da GM. Em relatos, os funcionários indicavam desmoralização, falta de respeito e vergonha pelo modo que a situação foi conduzida. 

Na ocasião, a empresa chegou a ficar mais de uma semana paralisada, deixando de fabricar 800 carros por dia, como mostrado nas matérias. Após longas conversas, o Sindicato levou a situação para Justiça e conseguiu reverter os desligamentos com uma liminar concedida pelo TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da Segunda Divisão).

Como medida, a empresa instituiu o PDV (Programa de Demissão Voluntária).

Na época, Cidão classificou como uma vitória da classe trabalhadora e ressaltou que a luta do movimento foi essencial. “A Justiça nos proporcionou o retorno imediato e condicionava que a empresa abrisse uma negociação com o sindicato”, reforçou o presidente da entidade.

Ainda de acordo com ele, o papel do Diário foi fundamental para mostrar que os colaboradores são muito mais que números. “O jornal sempre teve um papel importante nessas coberturas de defender as partes envolvidas. Quero parabenizar o Diário, porque sempre procurou mostrar essas diferenças da vida, principalmente na defesa da questão humana e melhores condições de trabalho, mostrando os dois lados da moeda” completou Cidão.

Região presencia outra reviravolta na década

Um gigante de Santo André, o Moinho São Jorge colocou sua história nas páginas do Grande ABC. Fundado em 1953, o local marcou a época da moagem de trigo do Brasil.

Mas, com o passar dos anos, acidentes, morte de um dos fundadores, Antônio Adib Chammas, e falta de investimentos, a empresa passou por dificuldades financeiras e até mesmo encerrou as produções.

Após um longo período parado, sem realização de movimento algum, a Justiça de Santo André determinou o leilão de execução fiscal da Indústrias Reunidas São Jorge, proprietária do Moinho São Jorge, para a quitação de dívidas de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

Contudo, no dia 20 de outubro deste ano, o juiz Genilson Rodrigues Carreiro encerrou a ação, já que as Indústrias Reunidas São Jorge quitaram o valor com a Prefeitura de Santo André.

O Moinho São Jorge deve cerca de R$120 milhões em IPTU para o município. Este valor está dividido em 40 processos e um deles, no valor de R$ 220 mil, servindo de base para o pedido pregão, que foi cancelado. 

Ao Diário, o proprietário Jorge Chammas afirmou que tem uma reformulação para o histórico estabeleciemtno. “Nós temos um grande trabalho de reestruturação da empresa, porém tivemos um prejuízo enorme com roubos de cabos, além de enchentes e problemas com a empresa de energia Enel”, afirmou em setembro de 2025.

A quitação e esse plano podem ajudar a levantar novamente não só a fábrica, mas também o famoso e luxuoso Palácio de Mármore, localizado no último pavimento do prédio. 

O espaço era utilizado para atividades sociais e políticas, com capacidade de 1.200 pessoas. O hall era revestido em mármore carrara italiano rosa, arandelas e madeira nobre no piso. Além de eventos, havia uma capela dedicada a São Jorge para atividades religiosas.




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