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EUA, 11 de setembro de 2001: ‘o dia em que a Terra parou’

Atentados terroristas às Torres Gêmeas em Nova York e ao Pentágono traumatizaram o mundo; século 21 nascia sob o signo do medo

Beatriz Mirelle
28/11/2025 | 06:50
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FOTO: Reprodução/Banco de Dados
FOTO: Reprodução/Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os impactos dos ataques terroristas ao World Trade Center, em Nova York, e ao complexo militar do Pentágono, em Washington, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, estamparam um suplemento especial do Diário, com 12 páginas. Ao todo, estima-se que a ofensiva contra as torres gêmeas deixou 2.996 mortos. 

O jornal produziu uma série de materiais especiais para a editoria de Internacional, que circulou por mais de um mês notícias sobre as mudanças socioeconômicas e geopolíticas geradas pelos atentados. Além dos dois aviões que atingiram os prédios em Nova York, houve uma explosão em uma base do Pentágono e um avião caiu na Pensilvânia.

Além das fotos que mostravam o pânico de populares que correram pelas ruas de Nova Iorque, o Diário registrou decisões que foram tomadas logo após o ataque, como os fatos da SEC (Comissão de Operações da Bolsa Norte-Americana) ter estendido por um dia o fechamento de todos os pregões do país e os voos comerciais nos Estados Unidos serem cancelados pela FAA (Administração Federal de Avião). O então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, prometeu que procuraria os responsáveis pelos ataques. Afirmou ainda que não teria medo de nenhuma “ação demoníaca” e que a América já tinha derrotado “outros inimigos” e, nessa situação, não seria diferente. 

Em um dos textos, a repórter Marisa Amaral destacou que houve a queda “do maior símbolo do capitalismo norte-americano”, onde cerca de 50 mil pessoas trabalhavam e 200 mil circulavam por dia. 

Apontou, ainda, que aquela foi a segunda vez que o local sofreu um atentado terrorista – sendo a primeira em 1993. A Autoridade Palestina, a Embaixada da Palestina no Brasil e a Frente Democrática para Libertação da Palestina repudiaram os atos.

O rosto de Osama Bin Laden, um dos principais terroristas do mundo naqueles tempos, foi estampado no jornal. Ele também estaria envolvido nos ataques ao World Trade Center, em 1993. O presidente Bush iniciou operações no Oriente Médio para tentar encontrá-lo e acabar com o grupo terrorista que ele liderava, o Al-Qaeda. As ações também visavam derrubar o regime do Talibã, no Afeganistão, que oferecia refúgio.

A caçada, no entanto, não resultou na morte dele. Anos depois, Bin Laden declarou que os ataques às Torres Gêmeas foram motivados pelo apoio dos Estados Unidos a Israel. Ele foi morto a tiros em 2011 por agentes norte-americanos no Paquistão.

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BRASILEIROS NOS EUA

A cobertura do Diário no dia dos ataques também narrou o drama de brasileiros em solo norte-americano. 

Renato Cila, 49 anos, ex-jogador de futebol e dono de uma rede de hotéis em Nova York, contou que o clima na cidade era de pânico após os atentados terroristas. 

“Fiquei preso no trânsito por três horas. Foi um sufoco.” Ele disse que os colégios não liberavam os alunos sem a presença dos pais. “Um dos meus filhos estava na escola e tive de buscá-lo.”

O cheiro de fumaça era forte, segundo Cila, que vivia havia 20 anos em Nova York. “A população ficou abatida. Muita gente do meu bairro (Jericho) tem familiares que trabalham no World Trade Center e ficou desesperada, pois não há informações das vítimas.”

Cila afirmou que os moradores também não podiam sair de casa. “As ruas foram fechadas. Eu tentei ir à lavanderia, mas fui impedido pela polícia. Havia muitas ambulâncias.”

O jornalista Rodrigo Planet disse que ficou mais de quatro horas no aeroporto de Dallas. Ele tinha como destino San Diego, mas o avião não recebeu permissão para seguir viagem. “Embarcamos, mas o avião manobrou e voltou ao aeroporto. Fomos informados que vários aviões tinham sido sequestrados.” Ele disse que os passageiros foram hospedados em um hotel. “Gostaria de estar no Brasil, mas não vou voltar”, disse Planet, que planejava ficar um mês nos EUA. 

Kátia Coelho Soares, 24, de Diadema, morava em Newark, cidade vizinha a Nova York, e afirmou que estava com medo depois de tudo o que aconteceu. “Dá vontade de voltar ao Brasil”, disse. Kátia estava nos EUA há um ano e sete meses, junto com os dois irmãos.




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