Edição 20.000 Reportagens especiais mostram a força de figuras que influenciam gerações até hoje
FOTO: Reprodução/Redes

O Diário acompanhou fatos que marcaram o País e o mundo, vitórias, crises, transformações e também perdas de figuras que moldaram a cultura, o esporte e a comunicação. Em momentos assim, o jornal produziu suplementos especiais para registrar a trajetória desses personagens e até mesmo sua relação com o Grande ABC.
Entre esses ícones estão Pelé, Silvio Santos e Ayrton Senna, cujas mortes mobilizaram o público e motivaram a produção de cadernos especiais que contaram suas histórias e legados. O suplemento publicado em 30 de dezembro de 2022 celebrou a trajetória de Pelé, que morreu aos 82 anos após enfrentar um câncer de cólon.
O caderno revisitou a infância em Minas, a ascensão no Santos e o impacto mundial do atleta, único tricampeão da Copa do Mundo, mas deu destaque especial às passagens marcantes do rei pela região. Foi em Santo André, em 1956, que Pelé marcou seu primeiro gol como profissional, episódio que se tornou parte da identidade esportiva da região.
O jornal recuperou também outros momentos registrados, como o amistoso no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo, em 1974; a homenagem recebida na cidade andreense em 1968; e as frequentes estadias do elenco santista na Chácara Nicolau Moran, na Anchieta, onde o time se concentrava entre as décadas de 1960 e 1990.
O suplemento ainda trouxe relatos históricos de quem conviveu com Pelé e depoimentos de jornalistas da casa, entre eles a lembrança curiosa do repórter Danilo Angrimani, que, no seu primeiro dia no Diário, acabou colidindo com o carro em que Pelé estava.

COMUNICADOR
Publicada em 18 de agosto de 2024, a edição especial sobre a morte de Silvio Santos registrou a despedida de um dos maiores comunicadores do País. Silvio morreu aos 93 anos, em São Paulo, vítima de broncopneumonia após infecção por Influenza.
O suplemento recontou sua trajetória, do jovem camelô na Lapa à construção de um império na comunicação, passando pela criação do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), que se tornou uma das principais emissoras do Brasil.
Além de destacar o impacto nacional, o Diário recuperou momentos de Silvio no Grande ABC, descritos pelo jornalista e memorialista Ademir Medici. O apresentador foi presença constante na região nas décadas de 1950 e 1960, quando percorria circos e casas de espetáculo com a Caravana do Peru que Fala. Episódios em bairros como Utinga (Santo André) e Assunção (São Bernardo) mostram um Silvio ainda em início de carreira, construindo sua relação com o público.
Outra passagem marcante recordada pelo suplemento foi a homenagem de Cidadão são-caetanense, em projeto do vereador João Anhê (à época PTB), título recebido, mas não buscado pessoalmente por Silvio.
O jornal também relembrou histórias diferentes, como a queda da lona de um circo em Santo André e a paciência do apresentador ao acalmar o público, além do relato sobre o atraso causado por um trem na antiga cancela da estação andreense.

Mundo chora a morte de Senna, maior piloto do País
Entre as coberturas que marcaram, poucas deixaram um registro tão profundo quanto a morte de Ayrton Senna, em 1º de maio de 1994. O impacto daquele domingo atravessou o País e alterou até mesmo a rotina da redação, que, segundo o então editor de Esportes, Edson Rossi, viveu um dia completamente fora do padrão. “A redação sempre foi barulhenta, dinâmica, elétrica. Nunca foi silenciosa. E naquele domingo a sensação era de luto”, relembrou ele, em entrevista concedida ao jornalista Ademir Medici, em 2024, quando a morte do piloto completou 30 anos.
A comoção no jornal era tão grande que, para Edson, escrever sobre Senna naquele momento significava tentar traduzir em palavras a perda que atravessava o País. “O texto nasce um pouco daquele ambiente também, daquele sentimento”, afirmou.
A abertura da matéria começava com a frase: “Senna está morto.” A partir dela, Edson reconstruiu a trajetória, as marcas e as contradições do piloto que “não pilotava, transgredia”, como escreveu na ocasião. Ressaltou a relação de Senna com o limite, com as ultrapassagens à chuva, com a velocidade tratada como essência. Recordou conquistas, números e episódios que moldaram a carreira do tricampeão mundial, e também os prenúncios do fim, o silêncio incomum após a morte de Roland Ratzenberger, as queixas sobre a segurança do circuito, a visita solitária à curva onde o piloto austríaco havia batido na véspera.
Para Rossi, a pergunta que guiava o texto de 1994 era “como alguém se torna eterno?” A resposta, acredita, está no ato de lembrar. “Acho que eterno é aquilo que a gente recorda sempre. Se eu me recordo sempre de algo, aquilo está vivo, de certa maneira.”
O texto da capa do Diário termina com a dura realizade de algo que não chegou. “Daqui a duas semanas o brasileiro voador estaria em Mônaco, onde venceu seis das sete provas ali disputadas a partir de 1987. Desta vez, o GP de Mônaco não terá vencedor. Senna se foi.”
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