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Terror faz eco na região com agonia e vigilância

PM reforçou segurança de sinagoga de S.Caetano e centro mulçumano em S.Bernardo; moradores temiam por parentes

Beatriz Mirelle
28/11/2025 | 06:55
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As torres foram pulverizadas; o Grande ABC acompanhou o terror pelas TVs (FOTO: Fotos Públicas/U.S. National Archives)
As torres foram pulverizadas; o Grande ABC acompanhou o terror pelas TVs (FOTO: Fotos Públicas/U.S. National Archives) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Entre falas de autoridades políticas e de segurança, dados sobre mortes e outras repercussões, o Diário também mostrou como os atentados terroristas deixaram em agonia muitos moradores da região que tinham parentes nos Estados Unidos, sobretudo residentes em Nova York e Washington. A maioria não conseguia entrar em contato telefônico pela manhã, quando as primeiras imagens foram transmitidas pelas tevês. A reportagem mostrou ainda como os ataques exigiram, como medida preventiva, reforço do policiamento em alguns pontos do Grande ABC.

No mesmo dia dos atentados, a Polícia Militar decidiu montar um esquema de vigilância em uma sinagoga judaica em São Caetano e em um centro cultural muçulmano no bairro Tatetos, em São Bernardo. O jornal pontuou que os espaços “poderiam sofrer represália como reflexo dos atentado” por serem locais “frequentados por pessoas de origem judaica e muçulmana – povos envolvidos no conflito do Oriente Médio”.

Ao jornal, o então chefe de operações do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) do Grande ABC, o capitão José Quesada Farina, explicou o receio dos policiais. 

“É uma medida preventiva para evitar a possível ação de alguém que venha a atribuir a culpa pelo atentado a estes povos. A hipótese é que possam acontecer atos de pichações, depredações, manifestações públicas ou até ações contra a vida destas pessoas”, disse Farina na ocasião.

De acordo com o capitão, quem cometesse qualquer ato contra as comunidades poderia responder por crime de racismo, além de coagir a liberdade de culto religioso, definidos pela Constituição como crimes hediondos.

O exemplar contou ainda que o País parou para acompanhar, pela televisão, as imagens das colisões, sendo que aqueles com familiares nas áreas próximas aos ataques viveram horas de terror. A dona de casa Helena Cesta, 60 anos, de Santo André, contou que recebeu por volta das 10h uma ligação do filho Carlos André, 30, que morava perto do World Trade Center. 

“Meu filho estava no térreo, onde mora, quando viu o primeiro avião atingir a torre, disse que sairia de lá, pois a fumaça tinha chegado ao apartamento dele. Imaginávamos que se tratava de um acidente. Liguei a TV, passei a acompanhar tudo e fiquei desesperada, pois não consegui mais falar com ele”, relatou Helena. 

O homem contou à mãe que o metrô não funcionava e precisou caminhar por cerca de três horas até a casa de um colega. Ao Diário, Helena também comentou que aguardava uma resposta da filha, Rita de Cássia, 35, que estava em Washington. “Entrei em pânico, pois ela não me ligava e eu não conseguia ligar. Só no fim da tarde, ela entrou em contato.”

Drama parecido viveu a professora Edna Rey Ribeiro, 54, de Santo André. Ela só recebeu o telefonema do filho Dênis, 26, que residia em Nova York há um ano, por volta das 14h. “Fiquei com o coração apertado por não conseguir nenhum contato, ainda mais pelas imagens chocantes que vi pela TV. Mais tarde um amigo dele me ligou e disse que Dênis havia passado um e-mail dizendo que estava tudo bem. Mas só fui ficar tranquila depois que ouvi a voz dele”, afirmou Edna. A professora contou ao jornal que viajaria naquele dia para Nova York. “Nem sei quando vou poder vê-lo”, disse.

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PRECONCEITO

A reportagem trouxe também informações de como os muçulmanos que viviam no Grande ABC temiam sofrer discriminação após os atentados nos EUA. Morador de São Bernardo, Jihad Hassan, vice-presidente da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica na América Latina, conversou com o Diário. “Temos receio de que aumente o preconceito contra os árabes. Repudiamos o que aconteceu e não queremos ser ligados a esse fato.” Em setembro de 2001, ele afirmou que no Grande ABC existiam 500 famílias muçulmanas. 

Segundo afirmou Jihad, a comunidade islâmica repudiava os atos terroristas. “É com muita tristeza que observamos esse fato. Independentemente de quem seja o autor do ataque, fazemos um apelo às organizações e ao governo. Esperamos que eles sentem para conversar, tentem resolver os problemas, para que não aconteça isso novamente”, disse Jihad, que também era consultor religioso da autora Glória Perez para a novela O Clone, que estrearia na Rede Globo em 1º de outubro de 2001, menos de um mês após os ataques.




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