Edição 20.000 Graças à queda nos índices de violência, Diadema foi estudada por norte-americanos e citada como exemplo em jornal francês ‘Le Monde’
Pesquisadores norte-americanos Joel Grube (à esq.) e Robert Reynolds durante visita a Diadema, em fevereiro de 2004 (FOTO:Celso Luiz 19/2/04)

Os resultados observados em Diadema depois da implementação da lei seca, que fechou os bares da cidade das 23h às 6h, fizeram com que a cidade tornasse referência em segurança e começasse a ‘exportar’ as ações anticrime para além das fronteiras do País.
As páginas do Diário marcaram o lançamento do livro Insegurança Pública, produzido pelo Instituto Ferdinand Braudel. Nele, sete brasileiros, três norte-americanos e dois ingleses estudaram a violência em várias cidades e destacaram a redução alcançada na região (com queda de 40% nos índices de violência entre 2002 e 2003) e em Nova York (o pico alcançou 60% na redução de crimes, com o programa Tolerância Zero).
A obra destacou que, apesar de não ser um município 100% seguro, Diadema conseguiu surpreender com os recuos em alguns índices de violência, como os assassinatos, por exemplo.
Representantes da ONG (Organização Não-Governamental) Viva Rio também estiveram em Diadema, em 2004, para conhecer detalhes do plano implementado com o objetivo de levar para as prefeituras de Resende, Barra Mansa e Niterói, no Rio de Janeiro.
No mesmo ano, os pesquisadores norte-americanos Joel Grube e Robert Reynolds, do Pacific Institute for Research and Evaluation (Instituto do Pacífico para Pesquisa e Avaliação, na tradução do inglês), vieram para a região conhecer o projeto, que, na ocasião, estava em vigor havia 18 meses.
De acordo com eles, “quando não há uma política federal eficiente no combate aos malefícios do álcool, a melhor solução é estruturar políticas no âmbito da comunidade”.
Ligados à Universidade de Berkeley, na Califórnia, Grube e Reynolds estudavam na época o consumo de bebidas alcoólicas e algumas de suas consequências diretas, e vieram à região para publicar uma pesquisa sobre o caso de sucesso de Diadema.
LEIA TAMBÉM:
Lei seca derruba assassinatos e Diadema se torna referência
O Diário registrou que em Diadema os dois norte-americanos conversaram com a secretária de Defesa Social da cidade, Regina Miki, com o médico Ronaldo Laranjeira, da Uniad (Unidade de Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo), e com o médico da Prefeitura do município Sérgio Duailibi, que fazia tese de doutorado sobre o assunto.
De acordo com a dupla de pesquisadores, os dados do projeto lei seca implementado no município do Grande ABC seriam tabulados de maneira científica.
‘LE MONDE’
Além da visita dos pesquisadores norte-americanos, o Diário também registrou que, em janeiro de 2004, Diadema se tornou exemplo mundial positivo no combate à violência ao ser tema de matéria no tradicional jornal francês Le Monde.
Com o título ‘Homicídios dizimam a população jovem, negra e pobre’, entre outros pontos, o jornal europeu destacou que ocorriam 45 mil homicídios por ano no Brasil naquele ano, ‘perto de 10% de todas as mortes do planeta’.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.