Edição 20.000 Da entrega do eixo Oeste, feita por FHC, até os atuais avanços do Norte, jornal registra obras
FOTO: André Henriques 3/7/14

Projetado para integrar regiões e aliviar a pressão sobre as principais rodovias paulistas, o Rodoanel nasceu com a missão de reorganizar a logística do Estado. A via se tornou um eixo estratégico para a mobilidade, conectando polos urbanos, zonas industriais e corredores comerciais. Ao longo das últimas décadas, o Diário registrou como esse complexo viário impactou o cotidiano dos paulistas e influenciou debates políticos e econômicos.
Em 12 de outubro de 2002, o jornal acompanhou a entrega do Trecho Oeste, em Guarulhos, evento que ganhou tom eleitoral e expôs disputas da campanha presidencial. A inauguração ocorreu sob chuva, sem a presença do governador Geraldo Alckmin (então no PSDB), impedido de participar pelas restrições do período. Mesmo assim, o ato reuniu autoridades e transformou a obra em vitrine política para o então presidente Fernando Henrique Cardoso.
A cobertura mostrou que FHC adotou discurso enérgico ao defender José Serra, candidato do PSDB à Presidência e rival de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele afirmou estar representando o candidato nas solenidades, já que Serra não poderia comparecer. O presidente criticou adversários e acusou setores da oposição de tentar transformar o projeto em instrumento de disputa eleitoral, afirmando que o próximo governo precisaria tratar o tema com responsabilidade.
FHC também criticou a Prefeitura da Capital pela ausência de participação financeira no trecho inaugurado, o que, segundo ele, contrariava a relevância do Rodoanel para a mobilidade metropolitana. No discurso, reforçou que fazia questão de entregar a obra naquele momento, apesar da reta final da campanha presidencial.
Ao registrar a inauguração, o Diário evidenciou que o Rodoanel não era apenas uma obra viária, mas um espaço onde decisões técnicas e estratégicas se misturavam ao clima político do País.
TRECHO SUL
Em 2 de abril de 2010, o Diário destacou em manchete que a falta de sinalização era o maior entrave do Rodoanel no dia da abertura do Trecho Sul.
A reportagem percorreu todo o percurso, entre a Régis Bittencourt e Mauá, e encontrou motoristas desorientados por ausência de informações essenciais para a navegação segura. Muitos condutores demonstravam insegurança ao circular em uma via recém-inaugurada, ainda carente de acabamento.
O texto mostrou que, poucas horas depois da entrega feita pelo governador Alberto Goldman (1937-2019), o movimento já era intenso, mas vários itens permaneciam incompletos. Faltavam placas, marcos quilométricos, telefones de emergência e sinalização adequada ao longo dos 61,4 quilômetros abertos ao tráfego. O jornal relatou que trechos inteiros funcionavam em caráter provisório, com equipes trabalhando às margens da pista.
A ausência de referências claras fazia caminhoneiros perderem acessos a bairros, cidades e outras rodovias. Comerciantes mostraram preocupação com a segurança e possíveis impactos no entorno. Mesmo após investimentos robustos, o cenário inicial era de incerteza, ampliando riscos e dificultando a fluidez.
Ao relatar os problemas logo na estreia, o Diário reforçou sua tradição de fiscalizar obras que afetam o dia a dia da região. A edição de 2010 marcou a entrada de um eixo fundamental para a mobilidade metropolitana, porém inaugurado com falhas estruturais e críticas generalizadas.
LEIA TAMBÉM:
Massacre do Carandiru: mortes em presídio ‘fomentam’ facção
TRECHO LESTE
Em 4 de julho de 2014, o Diário acompanhou a abertura parcial do Trecho Leste, conectando Mauá à Rodovia Ayrton Senna. O jornal registrou que a liberação ocorreu após evento simbólico conduzido pelo governador tucano Geraldo Alckmin. O segmento inaugurado, de 37,7 quilômetros, correspondia a 87% da extensão final prevista.
A reportagem indicou ainda que a obra, estimada em R$ 3,2 bilhões, acumulava 114 dias de atraso, o que gerou multa de R$ 5,3 milhões à concessionária SPMar. À época, alegou-se que interferências subterrâneas, áreas alagadas e problemas de solo contribuíram para o descumprimento do cronograma.
O Diário contextualizou essas dificuldades com informações de especialistas em infraestrutura que explicaram desafios frequentes em obras de grande porte.
O jornal também destacou projeções do governo para tráfego inicial de 33 mil veículos diários e redução de até 40% no tempo de viagem. A avaliação oficial era de que o trecho ajudaria a aliviar a Jacu-Pêssego e melhoraria o acesso ao Porto de Santos e ao Aeroporto de Cumbica.
Os 5,8 quilômetros finais tinham entrega prevista para até 60 dias. Mesmo com a liberação autorizada pela Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), equipes seguiam trabalhando em pavimentação, barreiras e sinalização adicional. A reportagem anotou ainda que itens como os 38 telefones de emergência e parte da iluminação só seriam concluídos meses depois.
Outro ponto registrado foi a ausência de cobrança de pedágio no primeiro dia, com tarifa inicial prevista de R$ 2,10. As reportagens destacaram a remoção de 55 famílias durante o processo, com 14 já reassentadas segundo dados oficiais.
Na cobertura do evento, o Diário relatou que o governador anunciou novas intervenções, como a duplicação da Estrada dos Fernandes e o trevo de acesso à SP-66, estimado em R$ 132 milhões, ainda dependente de aval da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).
TRECHO NORTE
Em 7 de março de 2025, o jornal noticiou que o Trecho Norte havia superado 31% de execução, conforme relatório da Artesp. Com investimento estimado em R$ 3,4 bilhões, esse segmento busca conectar a Região Metropolitana às principais rodovias estaduais e federais. A expectativa é reduzir o fluxo nas marginais Tietê e Pinheiros e melhorar o escoamento da produção.
O Diário destacou avaliações de especialistas sobre o impacto da obra. José Ronaldo Marques da Silva, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, afirmou que o trecho em Guarulhos reforçaria o eixo viário e traria ganhos ao transporte de cargas. Ele lembrou que o Rodoanel tem influência nacional, por funcionar como elo entre regiões produtoras e o Porto de Santos.
As obras seguem em ritmo constante, com expectativa de que a conclusão melhore a mobilidade urbana e acelere o transporte de mercadorias em todo o entorno metropolitano. Estudos citados pelo jornal mostram que o Trecho Norte deve redistribuir o tráfego e reduzir o tempo de viagem em rotas industriais.
Ao longo de sua implantação, o Rodoanel passou por entregas parciais e intervenções simultâneas, conectando diferentes pontos da Grande São Paulo e integrando rodovias estaduais e federais.
O Trecho Norte segue em execução com previsão de conclusão para os próximos anos. O complexo viário segue em expansão, com o objetivo de melhorar a circulação de veículos e o transporte de cargas na Região Metropolitana.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.