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Tragédias aéreas chocam País e põem música e esporte de luto

Acidentes nos céus ceifaram as vidas dos Mamonas Assassinas, do time da Chapecoense e da cantora e compositora Marília Mendonça

Hayanne Marrie
Especial para o Diário
28/11/2025 | 07:55
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FOTO: Reprodução/Redes Sociais
FOTO: Reprodução/Redes Sociais Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em três momentos distintos, o Diário registrou acidentes aéreos que interromperam carreiras em plena ascensão e comoveram o País. As quedas que vitimaram os integrantes da banda Mamonas Assassinas, a delegação da Chapecoense e a cantora e compositora Marília Mendonça mobilizaram ampla cobertura do jornal, que acompanhou investigações, reações do público e o impacto de cada tragédia.

Em 2 de março de 1996, o Learjet PT-LSD que trazia os Mamonas Assassinas, banda de enorme sucesso à época, de um show extra em Brasília caiu na Serra da Cantareira, em São Paulo, durante a aproximação noturna para pouso em Guarulhos. A aeronave arremeteu após uma aproximação instável e, em seguida, fez uma curva inadequada, perdendo altitude até atingir a mata fechada. Todos os ocupantes morreram – os músicos Dinho, Samuel Reoli, Sérgio Reoli, Júlio Rasec e Bento Hinoto, o segurança Sérgio Sturmino Porto, o ajudante de palco Isaac Souto, o piloto Jorge Luís Germano Martins e o copiloto Alberto Takeda.

O Diário informou que o show em Brasília não estava previsto na agenda e que Dinho havia demonstrado receio de viajar. A cobertura também recuperou um dado que levantou suspeitas sobre falha humana: o piloto havia cometido um erro operacional em 1991, quando esqueceu de acionar o trem de pouso, provocando um pouso forçado sem vítimas. Investigações posteriores apontaram problemas adicionais, como possível fadiga da tripulação, aproximação acima da velocidade ideal e falhas na execução da arremetida – fatores que ajudaram a reconstruir o contexto da queda. 

O acidente marcou a cultura pop da época, encerrando de forma abrupta a trajetória de uma banda que revolucionara o humor musical no País.

TRAGÉDIA DA CHAPE

Em 28 de novembro de 2016, a aeronave Avro RJ85 da empresa boliviana LaMia caiu a cerca de 30 quilômetros do aeroporto de Rionegro, na Colômbia, quando transportava o time da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana. Setenta e uma pessoas morreram, entre jogadores, dirigentes, jornalistas, tripulantes e membros da comissão técnica; seis sobreviveram. O impacto da tragédia foi imediato e mundial, gerando homenagens, campanhas de solidariedade e mobilização de clubes e entidades esportivas.

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A investigação confirmou rapidamente a principal suspeita: pane seca. O Diário registrou que o piloto Miguel Quiroga pediu prioridade de pouso duas vezes, mas voava com combustível abaixo da reserva obrigatória, violando normas internacionais. Relatórios oficiais mostraram que a aeronave não abasteceu em Cobija, como exigiam os cálculos de autonomia, e que decisões operacionais inadequadas fizeram com que o avião perdesse potência nos quatro motores quase simultaneamente. O caso expôs falhas administrativas da LaMia, irregularidades na supervisão dos voos e levou países vizinhos a reforçar exigências de rotas e abastecimento para aeronaves fretadas.

RAINHA DA SOFRÊNCIA

Em 5 de novembro de 2021, o avião King Air C90A que levava Marília Mendonça para um show em Minas Gerais caiu próximo a uma cachoeira em Caratinga, matando a cantora, o produtor Henrique Ribeiro, o assessor Abicieli Dias Filho, o piloto Geraldo Medeiros Júnior e o copiloto Tarcísio Viana. As primeiras horas após o acidente foram marcadas por informações desencontradas, vídeos do resgate e grande mobilização de fãs, que lotaram redes sociais e pontos de homenagem.

A cobertura destacou suspeitas levantadas pelo Ministério Público Federal sobre possíveis irregularidades envolvendo a PEC Táxi Aéreo, responsável pela aeronave. Houve relatos de pilotos mencionando que o para-brisa do King Air ficava embaçado em pousos e decolagens, dificultando a visibilidade – o que passou a integrar as linhas de investigação. 

Outro fator que chamou atenção foi o local da queda: segundo o piloto Rafael Lacerda, ouvido por agências de notícia, a área da cachoeira era considerada de risco devido ao relevo acentuado, à presença de fios de energia e à necessidade de aproximação mais precisa. Relatórios preliminares ainda indicaram possível colisão com cabos elétricos antes do impacto final.




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