Política Titulo Edição 20.000

Lula nas páginas da história: a cobertura de toda uma vida

‘Diário’ foi o berço das primeiras aparições em mídia do presidente que, pela terceira vez, conduz os rumos do País

28/11/2025 | 08:45
Compartilhar notícia
Luiz Inácio Lula da Silva discursando durante assembleia para milhares de trabalhadores; foto apareceu na edição de março do ‘Diário’ Reprodução/Banco de Dados
Luiz Inácio Lula da Silva discursando durante assembleia para milhares de trabalhadores; foto apareceu na edição de março do ‘Diário’ Reprodução/Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


“Estou emocionado de estar aqui. Nasci praticamente nesta cidade, como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, nas portas de empresas como a Volkswagen e a Mercedes.” A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 18 de outubro deste ano, data de sua última visita ao Grande ABC, resume o início de sua trajetória política.

Natural de Garanhuns, no interior de Pernambuco, Lula e sua família deixaram o Nordeste em 1952, em busca de uma vida melhor no Litoral paulista. Moraram em Santos e na Capital, mas foi no Grande ABC que o ex-torneiro mecânico se transformou em líder sindical, fundou o Partido dos Trabalhadores e ganhou notoriedade nacional até chegar, pela terceira vez, à Presidência da República em 2022.

A primeira vez que pisou no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema foi em 1967, aos 22 anos, quando trabalhava na fábrica Villares. Na época, ainda era conhecido pelo apelido de Taturana. Dois anos depois, em 20 de abril de 1969, seu nome apareceu pela primeira vez em um veículo de comunicação, nas páginas deste jornal.

No rodapé, a matéria de três parágrafos intitulada ‘Líderes Sindicais reuniram-se ontem em São Bernardo’ falava sobre a eleição da presidência do Sindicato dos Metalúrgicos, com a vitória de Vidal Neto. Nas últimas linhas, aparece o nome Luiz Inácio da Silva, em 19º lugar, entre os 25 diretores e suplentes empossados naquele pleito. Esse foi o primeiro mandato de Lula no sindicato, seguido pela eleição como secretário em 1972 e presidente por duas vezes, em 1975 e 1978. No período, liderou os primeiros movimentos por melhores salários e condições de trabalho.

Reeleito presidente em fevereiro e empossado em abril, Lula concedeu sua primeira, de muitas entrevistas ao Diário, em 23 de julho de 1978. Trinta anos depois, em 2008, durante seu segundo mandato como presidente da República, ele revelou o fato e afirmou ao jornal que, na época, foi a primeira vez que foi entrevistado por um veículo de comunicação. 

Diferente da breve menção no final da primeira matéria, nesta entrevista Luiz Inácio Lula da Silva conquistou duas páginas inteiras, reflexo dos anos à frente da presidência do sindicato e de seu papel como líder sindical na grande greve que começou em 12 de maio na fábrica da Scania, em São Bernardo, e que acendeu a luta pela democracia na região.

Com o título ‘Trabalhador já não é instrumento’, a mesa redonda promovida pelo Diário deu espaço para o então metalúrgico expor suas ideias sobre o “novo sindicalismo” e a luta contra a ditadura militar. “A greve foi consequência da exploração da classe trabalhadora”. “Na grande verdade, jamais haverá união entre empregador e trabalhador”. A democracia que interessa aos trabalhadores não é a mesma que muitos estão defendendo”. Disse o metalúrgico, que se tornaria o futuro líder da esquerda no País.

A entrevista também destacou o papel do jornal como referência na cobertura do movimento sindical no Grande ABC. “Se antes não foram abertas páginas e páginas no Diário para os princípios de Lula, é porque, para nós, Lula não emergiu como fazem crer certos setores da imprensa, da noite para o dia. No cotidiano, Luiz Inácio tem sido o mesmo, hoje e há três anos e três meses, quando tomou posse pela primeira vez como presidente do sindicato. Suas ideias têm sido veiculadas por este jornal constantemente, por meio de nossa cobertura sindical trabalhista. Mas chegou o momento de se fazer um resumo, um apanhado geral. Mesmo porque esta semana que se inicia vai marcar, historicamente, o início de grandes acontecimentos para os trabalhadores do País”, descrevia um trecho da reportagem.

Como o jornal previu, as greves não acabaram naquele ano; pelo contrário, foram o começo de um ciclo de paralisações que se estendeu até 1980.

ARQUIVO

A primeira entrevista exclusiva foi em 1978 e a última, em 2020, por videochamada, que durou mais de uma hora. Lula falou sobre a retomada dos políticos do PT nas eleições municipais de 2022 em São Bernardo e Diadema. Na conversa, o petista ainda discutiu a transformação tecnológica pela qual a indústria passava e comentou sobre a economia do Grande ABC.

Em mais de cinco décadas de cobertura, o primeiro presidente de origem operária do Brasil foi protagonista de diversas capas históricas, manchetes e entrevistas. Seu nome passou por quase todas as editorias do jornal, de Política a Economia, até Setecidades. Sua primeira vitória ao Palácio do Planalto resultou em um suplemento especial de dez páginas, publicado em 28 de outubro de 2002.

As fotos também ajudaram a contar a trajetória do ex-metalúrgico. O Diário mantém um extenso arquivo, desde o analógico até o digital, com imagens históricas das greves sindicais nas décadas de 1970 e 1980, da entrega da UFABC (Universidade Federal do ABC) em 2008, até Lula se entregando à Polícia Federal em São Bernardo, nos braços do povo, em 2018, entre tantas outras aparições registradas pela equipe do jornal.

Todo esse material produzido pelo Diário, além de manter os leitores informados ao longo dos anos, serviu como base para duas biografias do presidente: Lula – Volume 1: Biografia, de Fernando Morais, publicada em 2021, e Lula e a Política da Astúcia: de Metalúrgico a Presidente do Brasil, de John French, lançada em 2024.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;