Edição 20.000 Time da região bateu na trave três vezes, com vices no Brasileirão e na Copa Libertadores
FOTO: Orlando Filho 31/7/02

No início dos anos 2000, o São Caetano viveu uma das fases mais marcantes de sua história e do futebol brasileiro. O Azulão surpreendeu o País com resultados expressivos, ganhou protagonismo e tornou-se presença constante no noticiário esportivo.
O Diário registrou de perto essa ascensão, marcada por vitórias emblemáticas, jogos intensos e pela consolidação de uma identidade competitiva que projetou o Grande ABC no cenário nacional.
A edição de 1º de julho de 2002 destacou a expectativa para a final da Libertadores entre São Caetano e Olimpia, do Paraguai, no Pacaembu. Bastava um empate para garantir o título e uma vaga no Mundial. O duelo foi tenso, com poucas chances e forte marcação paraguaia, agravado pela expulsão de Jair Picerni. Córdoba empatou, Baez virou e a decisão foi aos pênaltis, vencida pelo Olimpia por 4 a 2.
Mesmo com o vice, o Azulão encerrou a campanha fortalecido e ampliou sua projeção internacional.
Anos antes da final da Libertadores, em 28 de dezembro de 2000, o jornal registrou a trajetória do clube até o vice da Copa João Havelange.
O São Caetano chegou à final contra o Vasco após eliminar Palmeiras, Grêmio e Fluminense, conquistando respeito nacional. O primeiro jogo terminou 1 a 1, mantendo o otimismo resumido por Adhemar: “Continuamos vivos”.
A decisão, adiada após o colapso do alambrado em São Januário que deixou feridos no Rio, terminou com vitória vascaína por 3 a 1 no Maracanã, mas consolidou o clube entre as forças nacionais.
Já a edição de 24 de dezembro de 2001 destacou o segundo vice-campeonato brasileiro, após derrota para o Athletico-PR por 1 a 0. Segundo o Diário, o Azulão foi engolido pela pressão: precisava vencer por dois gols, jogava em casa e enfrentava um adversário intenso. A carga emocional pesou no Anacleto Campanella e desestabilizou o time. O periódico lembrou que, se em 2000 o São Caetano encantara o País, desta vez sentiu o “alto preço da fama”. O consolo viria com vagas no Rio-São Paulo e na Libertadores de 2002.
Em 19 de abril de 2004, o Diário deu ampla cobertura ao primeiro título paulista do São Caetano. Sob chuva, milhares de torcedores transformaram a Avenida Goiás em um “mar azul”, deixando rivalidades de lado na celebração.
A campanha, que começou discreta, ganhou força com vitórias como o 2 a 0 sobre o São Paulo no Morumbi, destaque do jornal. Silvio Luiz, que chegou ser convocado para a Seleção Brasileira e disputou cinco partidas entre 1999 e 2000, se emocionou ao relembrar provocações e o rótulo de ‘tri-vice’, vendo na conquista a superação de anos de ‘quase’.
Os registros mostram como o São Caetano deixou de ser apenas uma força regional e se tornou referência nacional, sustentado por forte mobilização da torcida.
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MORRE SERGINHO
Na edição de 28 de outubro de 2004, o Diário noticiou a interrupção da partida contra o São Paulo após o zagueiro Serginho sofrer parada cardiorrespiratória aos 14 minutos do segundo tempo. O atendimento atrasou porque a ambulância não tinha motorista, aumentando a tensão. Levado ao Hospital São Luiz, Serginho teve a morte confirmada às 22h45. O Morumbi mergulhou em silêncio, com jogadores e torcedores em choque, em um dos episódios mais tristes da história do clube. O caso alterou regras e os estádios passaram a contar com desfibriladores como medida de segurança depois disso.
São Bernardo FC, Água Santa e Grêmio Mauaense ganham destaque
Além das conquistas de São Caetano e Santo André, o Diário sempre registrou os momentos marcantes dos demais times do Grande ABC.
Na edição de 11 de outubro de 2025, o jornal trouxe detalhes do feito histórico do São Bernardo FC, que, após três temporadas na Série C, garantiu pela primeira vez o acesso à Série B do Brasileiro. O empate por 1 a 1 com o Londrina, na rodada final do quadrangular, assegurou a segunda colocação do Grupo B, com sete pontos. João Paulo marcou para o Tigre, enquanto Wellington Gonzaga igualou para o adversário. O Diário destacou o peso da classificação, o maior marco da história do clube desde sua fundação.
Já a edição de 9 de abril de 2023 cobriu o vice-campeonato do Água Santa, derrotado por 4 a 0 pelo Palmeiras no Allianz Parque, após ter vencido por 2 a 1 o jogo de ida. Os gols foram de Gabriel Menino, duas vezes, Endrick e Flaco López. O jornal ressaltou ainda o domínio recente do Palmeiras no Estadual e a postura resistente da equipe de Thiago Carpini, mesmo com mudanças na escalação. A campanha de 2023 foi descrita como a melhor da história do clube no Paulistão.
Décadas antes, a edição de 28 de dezembro de 1985 relatou a virada do Grêmio Mauaense por 2 a 1 sobre a Esportiva Sanjoanense, no Municipal de Mauá, que garantiu o título do Grupo I da Terceira Divisão e o acesso à Segunda Divisão. Tigrila marcou duas vezes, e Giba completou o placar. O Diário registrou que o clube liderou o grupo com cinco pontos e que a partida seguinte seria apenas protocolar, enquanto a Federação avaliava antecipar a decisão do campeonato.
Em 18 de março de 1986, o periódico celebrou o primeiro título profissional de Mauá, após o empate por 0 a 0 com o Mirassol garantir a taça ao Grêmio. Já em 20 de outubro de 2003, destacou a vitória por 2 a 0 sobre o Batatais, que deu ao Mauaense o título da Série B-1 e o retorno à Série A-3. Com gols de Paulo e Cristiano, o clube dominou o jogo e reacendeu o protagonismo do futebol mauaense no Estado.
O dia em que o Santo André calou o Maracanã
‘Santo André: novo Maracanazzo’, foi o título do caderno especial de Esportes do Diário, dedicado àquela que até hoje é a maior conquista da história do Santo André, o título da Copa do Brasil em 2004, quando a equipe do Grande ABC surpreendeu e venceu o Flamengo por 2 a 0 no Maracanã. A edição publicada em 1º de julho daquele ano registrava um dos momentos mais marcantes do futebol regional.
Dizia o texto: ‘Santo André foi o responsável ontem à noite pelo segundo Maracanazzo da história do futebol brasileiro. O time do Grande ABC gravou o seu nome de uma forma perpétua no futebol pentacampeão do mundo, ao conquistar a Copa do Brasil com a vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo num dos maiores templos do futebol mundial. A conquista do Santo André não se mede somente por palavras, mas sobretudo pela emoção e o gesto heróico de um time que enfrentou uma verdadeira nação flamenguista, com mais de 73 mil presentes ao Maracanã. Agora, alçado definitivamente na condição de uma das principais equipes do futebol pentacampeão do mundo, o Santo André já pode planejar o seu processo de internacionalização. O título valeu uma vaga para a Libertadores da América, um dos torneios de clubes mais importantes do mundo’.
O Diário registrou que Sandro Gaúcho e Élvis marcaram os gols que consagraram o Ramalhão e levaram a torcida do Grande ABC à euforia.
O jornal também acompanhou de perto a festa dos torcedores, que se concentraram no Paço Municipal para acompanhar a partida nos telões, com o registro de cerca de 2 mil pessoas vibrando a cada lance, destacando que o ‘Paço Municipal se tornou o coração da festa na cidade’. Mais que um título, a Copa do Brasil de 2004 transformou a cidade em palco de uma festa histórica, marcando para sempre o nome do Santo André na história do futebol brasileiro. <TL>
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