Edição 20.000 Trajetória de idas e vindas ao Paço foi narrada pelo ‘Diário’, assim como outros escândalos que marcaram os bastidores do poder
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Um dos maiores escândalos políticos da região foi a prisão, em 9 de maio de 2018, do então prefeito de Mauá, Átila Jacomussi (à época PSB e hoje União Brasil), primeiro gestor municipal detido da região, fato histórico noticiado pelo Diário. Sua carreira do político foi marcada por muitas idas e vindas ao poder, todas acompanhadas pelo jornal e leitores do Grande ABC.
O ex-chefe do Paço mauaense foi um dos investigados na Operação Prato Feito, realizada pela PF (Polícia Federal) com o objetivo de desmantelar esquema de fraudes em contratos da merenda escolar e uniformes fornecidos às redes públicas. O Diário explicou passo a passo, na edição 17.241, a estrutura montada para desviar recursos municipais.
Foram encontrados R$ 87 mil, em espécie, na casa de Átila no momento do cumprimento do mandato de prisão e R$ 588,4 mil na residência do secretário de Governo e de Transportes de Mauá, João Gaspar (PCdoB), também detido. De acordo com a investigação, o esquema deviam R$ 500 mil por mês da Prefeitura.
A vice-prefeita, Alaíde Damo (MDB) assumiu interinamente a Prefeitura somente em 27 de maio daquele ano. Em 15 de junho, após 37 dias de prisão, o socialista é solto, mas impedido de voltar ao cargo, como noticiou o Diário, conforme noticiou a manchete do dia seguinte ‘STF solta Atila, mas decisão proíbe volta ao cargo de prefeito de Mauá’.
Novamente preso preventivamente, em 13 de dezembro de 2018, com a notícia, dia 14, ‘Prefeito de Mauá volta a ser preso 219 dias após primeira ação da PF’. Ele seria liberado do presídio de Tremembé, no Interior do Estado, em 18 de fevereiro de 2019. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Gilmar Mendes. acolheu a justificativa da defesa de que a segunda prisão não foi baseada em fatos novos.
Apesar de ter tido seu mandato cassado em abril de 2019, Jacomussi conseguiu reverter o processo de impeachment e retornou ao comando do Paço. O assunto foi manchete do Diário no dia 10 de setembro de 2019, edição 17.729: ‘Justiça devolve Paço a Atila’. O prefeito seguiu na Prefeitura de Mauá até 31 de dezembro de 2020.
Em 2022, o político foi eleito deputado estadual pelo Solidariedade e segue ainda hoje como réu na Operação Prato Feito. Atila responde por suspeita de crimes de corrupção passiva, fraude à licitação, chefiar organização criminosa e caixa 2, crimes que podem somar uma pena de 33 anos de reclusão.
Região tem impeachment inédito no País
O jornal, quando ainda se chamava News Seller, denunciou o primeiro caso de impeachment do Brasil. Em 1962, o então prefeito de Santo André, Oswaldo Gimenez, foi afastado do cargo por irregularidades administrativas e desvio de dinheiro público. A edição 192, de 7 de janeiro, trazia na manchete ‘Cassado o mandato de Gimenez por inabilidade política por 5 anos’. A Câmara Municipal determinou seu afastamento por unanimidade.
Na história mais recente da política regional, em 4 de abril de 2019, a Justiça cassou o mandato do prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSDB), e de seu vice, Beto Vidoski (PSDB), por recebimento de doações consideradas irregulares durante a campanha eleitoral.
O tucano reassumiu o comando de seu quarto mandato na cidade. A capa do jornal 18.558 trouxe em letras garrafais ‘TCE decide: Auricchio volta a ser prefeito de São Caetano’. O mandato foi concluído em 31 de dezembro de 2024.
Em Ribeirão Pires, o prefeito Clovis Volpi (então no PL e atualmente no PSD) foi cassado em 13 de setembro de 2022, juntamente com o do vice-prefeito, Humberto D’Orto (PL). A manchete da edição 18.829 anunciava que o presidente da Câmara,Guto Volpi (PL), filho de Clóvis, assumia interinamente a Prefeitura.
“O processo tramitava no TSE desde outubro do ano passado, quando o TRE-SP também aprovou a cassação, por causa da rejeição das contas de 2012 na gestão anterior de Volpi”, informou o Diário. A matéria ressaltava que este era o terceiro prefeito do Grande ABC cassado em menos de três meses.
Em julho do mesmo ano tinha sido a vez do prefeito de Rio Grande da Serra, Claudinho da Geladeira (PSDB). O tucano foi cassado duas vezes, por improbidade administrativa e por fraude na pandemia, ao permitir que uma funcionária comissionada furasse a fila de vacinação contra a Covid-19 em 2021.
“A sessão terminou com nove votos a favor do impeachment e quatro contrários . A plenária durou mais de 20 horas, se tornando a sessão mais longa do Parlamento da cidade em toda sua história”, informou reportagem da edição 18.755.
Mais recentemente, a Prefeitura de São Bernardo foi afetada pelo afastamento do atual prefeito Marcelo Lima (Podemos) em 14 de agosto deste ano por suspeita de corrupção. Ele foi afastado inicialmente por um ano e passou a ser monitorado por tornozeleira. Entretanto, em 10 de setembro, a Justiça acatou os pedidos de habeas corpus da defesa do podemista, que voltou à administração do Paço após 56 dias.

Enquanto isso, País vivencia polêmicas com Jair Bolsonaro
A política nacional também foi abarcada por polêmicas ao mesmo tempo que tantas movimentações aconteciam no cenário regional, todas elas narradas nas páginas do Diário. Recentemente preso, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que iniciou a carreira política em 1991 como deputado federal, ganhou maior notoriedade em 2018, quando decidiu se candidatar à presidência.
Com pouco tempo de televisão e uma campanha direcionada às redes sociais, Bolsonaro se ancorou em um discurso de resgate dos valores da direita conservadora e surpreendeu ao chegar ao cargo mais alto da República. Suas declarações, principalmente expressando intolerância de gênero, geraram polêmicas e discórdias, mas, consequentemente, engajamento.
A manchete da edição 17.398 de 14 de outubro daquele ano destacava sua unanimidade na região: “Bolsonaro venceu em todas as 23 zonas eleitorais das sete cidades”. Entretanto, o ex-presidente começou a perder o apoio de parte do público por seu posicionamento e omissão durante a pandemia da Covid-19.
Em 2022, se candidatou à reeleição, mas perdeu a disputa para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro foi acusado de praticar atos contra a democracia como divulgar informações falsas sobre o sistema eleitoral e dificultar o acesso de eleitores a zonas eleitorais onde o adversário obtivera mais votos no primeiro turno.
O político foi ainda acusado de liderar manifestações após a posse e ações de vandalismo em uma tentativa de golpe de Estado. A edição 18.946 narrou os fatos do fatídico dia 8 de janeiro de 2023. “Golpistas invadem Congresso, Planalto e STF; Lula decreta intervenção no DF - Apoiadores de Bolsonaro quebraram vidros e destruíram patrimônio público”, destacou a manchete.
Jair Bolsonaro está detido após tentar violar a tornozeleira eletrônica e para cumprir sua sentença de 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado e outros crimes em regime fechado.
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