Edição 20.000 ‘Diário’ acompanhou cada fase da Covid-19, levando informação e conscientização à população; cobertura incluía boletim diário de casos e mortes
FOTO: Nario Barbosa - 23/3/20

Durante a pandemia da Covid-19, o Diário esteve dia a dia acompanhando tudo em tempo real, tanto para o impresso quanto para o site. Antes mesmo de ser decretado o início da crise sanitário, o periódico acompanhava as primeiras suspeitas.
Em 31 de dezembro de 2019, a OMS (Organização Mundial de Saúde) recebeu um alerta para o qual poucos deram importância, mas que mudaria os rumos do mundo. A organização apontava que havia vários casos de pneumonia “de origem desconhecida” em Wuhan, na China. Tratava-se de uma nova cepa do coronavírus que ainda não tinha sido identificada em humanos.
O primeiro alerta do Grande ABC foi em Mauá em 1º de fevereiro. Um morador havia viajado para a China, País mais afetado pela doença, que na época já registrava 258 mortes. No Brasil, não havia óbitos ainda, mas 12 casos suspeitos. No dia 26 de fevereiro, foi confirmado o primeiro positivo para Covid-19 em território brasileiro.
O estado de pandemia foi decretado pela OMS no dia 11 de março. O Grande ABC já sentiu, logo nos primeiros dias, o impacto. As aulas começaram a ser suspensas gradualmente, empresas implantaram o home office e as ruas das sete cidades esvaziaram.
A capa da edição 17.915, de 14 de março, alertou para o cenário que começava a se desenhar com a manchete ‘Coronavírus paralisa região’. No dia seguinte, o Diário noticiou os três primeiros contaminados, um casal de São Bernardo e um morador de São Caetano.
Em 16 de março, ocorreram as primeiras mortes no Brasil, em São Paulo e Rio de Janeiro, como se acreditava na época. Porém, o Ministério da Saúde retificou, posteriormente, que o falecimento da primeira vítima foi quatro dias antes, em 12 de março, na Capital.
“O Grande ABC entrou oficialmente no mapa de pessoas infectadas pelo novo coronavírus (Covid-19). Ontem, as prefeituras de São Bernardo e São Caetano confirmaram os três primeiros casos da região, que se somam aos 136 registros no Estado”, informou a reportagem da edição 17.917, publicada em 16 de março.
A partir do dia 17, o Diário passou a divulgar um boletim com atualizações diárias do número de suspeitos, contaminados e mortos no Grande ABC, Estado, Brasil e no mundo na capa do caderno Setecidades.
Um dia depois, em 18 de março, a região teve sua primeira morte por coronavírus, em Santo André. A informação foi liberada alguns dias depois e destacada na edição de 26 de março. A capa trazia um contraponto de esperança aos leitores com a história de sobreviventes da Covid-19. ‘Casal de São Bernardo figura entre as 113 mil pessoas no mundo que foram infectadas e já estão livres do coronavírus’.
No dia 30 de abril, a edição 17.962 mostrou que Rio Grande da Serra havia registrado sua primeira morte e, assim, todas as sete cidades contabilizaram vítimas fatais da Covid-19.
MORTES AVANÇAM
O número de mortos cresceu exponencialmente e, em 27 de maio, a região já somava 500 mortes, quantidade que avançou rapidamente e, em menos de um mês, dobrou, chegando a 1.000, como anunciou a emblemática capa do 24 de junho de 2020. Em 18 de março do ano seguinte, a edição 18.284 finalizava que a região havia batido a marca de 5.000 mortos.
IMPACTO NA ECONOMIA
O isolamento social, que acarretou o fechamento de empresas e comércio, provocou rapidamente impactos na economia regional. Em cerca de um mês, os comerciantes, diante da queda ou pausa nas vendas, com prejuízos milionários, iniciaram o corte de funcionários. Alguns não conseguiram sobreviver ao período de crise, e precisaram fechar as portas.
O setor de padarias, por exemplo, teve queda de 70% no faturamento, conforme noticiado na edição 17.949 de 17 de abril de 2020, além de 40% dos trabalhadores afastados ou com contratos suspensos. Em abril, foram fechados 17.295 empregos, o equivalente a 576 postos por dia.
As escolas, fechadas e com aulas on-line, foram atingidas pela inadimplên-cia, e estudantes migra-ram em massa para instituições públicas. Outros setores precisaram se reinventar, como restaurantes, que apostaram no delivery, e as academias, que passaram a realizar aulas virtuais.
Adesão ao isolamento social vem com luta
Para evitar a disseminação do coronavírus, o governo estadual decretou em todos os municípios um período de quarentena de 24 de março a 7 de abril de 2020, inicialmente, data que foi posteriormente prorrogada por mais de uma vez. Porém, conforme os dias se passavam, a população do Grande ABC começou a relaxar em relação à medida. O Diário acompanhou a aderência dos moradores ao isolamento e denunciou irregularidades, como os pancadões que estavam acontecendo clandestinamente.
As denúncias motivaram a PM (Polícia Militar) a intensificar as ações de orientação e combate aos pancadões, de acordo com informações trazidas da edição de 22 de maio.
“Comandante da corporação no Grande ABC, coronel Renato Nery Machado destacou que operação foi motivada por reportagem publicada pelo Diário no dia 11, que revelou a ocorrência das festas mesmo em período de quarentena, instituída para controlar a expansão do novo coronavírus”, descreveu a reportagem.
Retorno da socialização provoca aumento do contágio
A pandemia da Covid-19 pareceu dar uma trégua no segundo semestre de 2020 e o crescimento do número de casos desacelerou. Em setembro, a quantidade de mortes cai e, em outubro, as cidades registram menos testagens positivas para o coronavírus.
A população sente segurança para retornar às atividades, as escolas projetam um retorno às aulas presenciais, o comércio reabre e a vida parece começar a voltar à normalidade. Porém, com o relaxamento e as festas de fim de ano e férias, há um descontrole nas aglomerações e o coronavírus volta a avançar.
A capa do Diário de 4 de março de 2021, cerca de um ano após o início da pandemia, alerta para um novo estado de emergência na saúde pública com a chamada “Sete cidades no vermelho”. Os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) têm alta na ocupação e os shoppings e comércios em geral precisam novamente fechar as portas.
O novo lockdown surtiu resultado. As lojas de rua começaram a reabrir em meados de abril e, em maio, o número de internações apresentou queda. Entre altos e baixos, a estabilidade definitiva vem um ano depois, em abril de 2022, quando o Ministério da Saúde decreta fim do estado de emergência.
O Diário encerra o boletim da Covid, com 11.266 mortes e 347.030 casos de contaminação. Em 5 de maio de 2023, a OMS (Organização Mundial de Saúde) determinou que a fase aguda da pandemia estava encerrada.
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