Política Titulo Edição 20.000

Grande ABC era oficialmente representado com novo nome

Antigo ‘News Seller’ ainda era publicado, mas com mudança no título principal escolhido como inspiração na expressão Grande São Paulo

Renan Soares
Yuri Kumano
Especial para o Diário
28/11/2025 | 02:20
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Edson Danillo Dotto compara edição do ‘Diário’ com o ‘Estadão’; o erro ‘agitam’ foi corrigido para a foto (FOTO: Reprodução)
Edson Danillo Dotto compara edição do ‘Diário’ com o ‘Estadão’; o erro ‘agitam’ foi corrigido para a foto (FOTO: Reprodução) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A história do Diário começa antes mesmo de o jornal receber o nome que o tornaria referência regional. Em 11 de maio de 1958, um Dia das Mães, chegava às bancas o News Seller, publicação alinhada ao ritmo acelerado de transformação das sete cidades. Instalado em Santo André, o jornal cresceu rapidamente: virou semanário, depois bissemanário e, finalmente, diário, justamente em seu décimo aniversário, em 11 de maio de 1968.

A transição para o formato de jornal diário ocorreu em meio a um ambiente político tenso e a limitações tecnológicas. Angelo Puga (1937-2023) reuniu a equipe e anunciou que o jornal passaria a circular todos os dias, embora a estrutura disponível, com poucos linotipos, não comportasse a mudança. A credibilidade conquistada ao longo da década, porém, abriu portas: peças e equipamentos foram comprados “na confiança”, bastando informar aos fornecedores que era “para o News Seller”.

Antes da publicação oficial, um número zero chegou a ser impresso, mas não circulou. Já com o novo título, Diário do Grande ABC, o jornal manteve a antiga marca grafada abaixo do logotipo até janeiro de 1971. O nome foi escolhido pela diretoria, inspirada na expressão Grande São Paulo, que começava a ser usada para definir a Região Metropolitana, nomenclatura citada pela primeira vez um ano antes, em reportagem sobre a criação de áreas metropolitanas no País. Com o novo título, o jornal consolidou a cobertura das sete cidades e reforçou sua atuação regional.

O surgimento do Diário também coincidiu com a presença marcante de dom Jorge Marcos de Oliveira, primeiro bispo da Diocese de Santo André, designado pelo Vaticano para acompanhar de perto a situação dos trabalhadores do Grande ABC em pleno regime militar. Era um período de forte tensão política na região, ambiente que se refletiria diretamente na estreia do Diário.

Na edição comemorativa dos 50 anos do jornal, o jornalista José Marqueiz, falecido em 2008, que atuou no News Seller e no Diário, lembrou o clima da primeira edição: “foi uma correria”. O motivo era que no mesmo dia da estreia, o governo militar prendeu diversos sacerdotes da região, criando um dilema editorial. Cabia ao então diretor de redação, Fausto Polesi (1930-2011) , decidir se publicaria ou não o episódio como manchete, ciente dos riscos impostos pela censura.

Polesi decidiu publicar. A notícia foi manchete, ainda que com um erro de concordância verbal que se tornaria simbólico daquele momento de urgência: ‘Prisão de sacerdotes agitam círculos católicos da região’. Ao lado do título, uma grande foto do Papa Paulo VI, em visita a Bogotá, dominava a capa. Coincidentemente, o jornal O Estado de São Paulo também levou a mesma imagem, mas preferiu não destacar a prisão dos religiosos, fato que foi motivo de orgulho.

Em registros fotográficos preservados, a página da primeira edição aparece corrigida manualmente, já com o português revisado.

Sindicato e Consórcio exaltam nomenclatura com sete cidades

Mais do que uma simples mudança de nome, a transição marcou uma redefinição de propósito. O secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Aroaldo Silva, resume bem o papel que o jornal assumiu a partir de então. “O Diário é parte fundamental da história da nossa região”, afirma, destacando o compromisso da publicação com informação qualificada, pluralidade e um olhar atento às pautas que realmente importam.

“Um jornal que, ao longo de décadas, tem acompanhado todas as transformações econômicas, sociais e culturais das sete cidades, registrando também a força de uma população que sempre esteve na vanguarda do desenvolvimento”, complementa Aroaldo. “Celebrar a edição número 20.000 é celebrar também a importância da imprensa local para a democracia e para a construção de uma sociedade mais justa e consciente. Ter uma publicação tão longeva, que se consolidou como o maior jornal regional do Estado de São Paulo, é um patrimônio para o Grande ABC.”

A coordenadora da Regional Grande ABC do Sindicato dos Jornalistas, Vilma Amaro, reforça que a longevidade de um veículo só é possível graças à força e à dedicação de seus profissionais. Ela menciona trajetórias emblemáticas, como a de Ademir Médici, que completa 50 anos no jornal, e de nomes que passaram pelas redações e contribuíram de forma decisiva para a imprensa nacional, entre eles José Louzeiro, Eduardo Camargo e Reinaldo Azevedo. Vilma também destaca iniciativas que ampliaram o alcance social e cultural do Diário, como o Desafio de Redação, voltado à formação de jovens estudantes, e projetos de preservação da memória, caso da mostra dedicada aos fotógrafos que registraram as greves do final dos anos 1970 e início dos 1980.




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