Edição 20.000 Uma das maiores premiações do jornalismo nacional foi conquistada por Ademir Medici e Édison Motta em 1976
FOTO: Mario Cortivo/Divulgação

O Prêmio Esso de Jornalismo de 1976, então considerado o mais importante reconhecimento que um jornalista pode ter, marcou a trajetória do Diário. A honraria foi conquistada pelos repórteres Ademir Medici e Édison Motta (1953-2015), autores de uma ampla investigação sobre a industrialização acelerada da região e seus impactos sociais, ambientais e urbanos. A série de reportagens intitulada ‘A Metamorfose da Industrialização’ foi vencedora na categoria Melhor Reportagem Regional e examinava tanto o presente quanto o passado imediato, reconstruindo o cenário entre 1974 e 1976, período que, segundo Motta, criava “condições propícias” para a sua produção.
O projeto, porém, amadureceu lentamente, junto com a criação de matérias sobre bairros da região. Quando enfim ganhou forma, o trabalho revelou que a chegada maciça da indústria ao Grande ABC, sem planejamento por parte dos governos, havia desencadeado graves problemas sociais, ambientais e viários. “A indústria atraiu a migração para cá, derrubando árvores, fazendo loteamentos clandestinos”, sintetizou Motta, no livro que comemora os 50 anos do Diário. “Mostraríamos o Grande ABC sem o progresso, sem trânsito, sem violência.”
Em material publicado em maio de 2008 pela Revista Livre Mercado, Motta voltou a destacar o significado da premiação. “O Esso Regional veio como espécie de consagração de um momento intenso e mágico onde, pela primeira vez, o chamado progresso, o eldorado industrial brasileiro foi questionado. Mostramos, na série de reportagens, o outro lado da moeda. A poluição, as favelas, a destruição do meio ambiente e a rotatividade da mão de obra que já se fazia acompanhar do desemprego.”
A situação ambiental já era crítica desde 1972, quando a Petroquímica União foi inaugurada. No Capuava, área-limite entre Santo André e Mauá, os moradores recorriam aos pássaros, que eram o termômetro da qualidade do ar. Quando começavam a cair mortos, asfixiados, o sinal era que a qualidade do ar tinha passado do limite suportável. Era hora de chamar o jornal. A pressão levou a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) a instalar uma central de controle da poluição.
Um dos episódios mais marcantes foi a explosão ocorrida no Polo Petroquímico, que mobilizou imediatamente toda a redação. O fotógrafo João Colovatti enfrentou seguranças e conseguiu registrar imagens de pedaços de metal arremessados pelo impacto. Os efeitos na saúde também eram visíveis. O médico José de Louzeiro, colaborador do jornal, decidiu deixar o Grande ABC e se mudar para o Rio de Janeiro após avaliar a “quantidade excessiva de poluição a que estava exposto”.
DESORDEM
No campo social, o crescimento era igualmente desordenado. Entre 1960 e 1970, Santo André, por exemplo, saltou de 242 mil para 418 mil habitantes. A intensa migração de trabalhadores, sobretudo do Nordeste, Minas Gerais e Interior, gerou alta de loteamentos clandestinos. Mauá e Diadema, pobres e pouco estruturadas, não tinham quase nenhum saneamento básico. A série de reportagens que mostrou estes problemas concorreu com trabalhos do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Medici admite que não acreditava na vitória.
“A gente inscreveu por inscrever, sem expectativa de concorrer com o Estadão, com o Jornal do Brasil, com o Jornal da Tarde, com os grandes jornais de Minas.” O reconhecimento, porém, veio com indicações de nomes de peso no jornalismo nacional. “Foi uma coisa chique”, resume. Com o sucesso, a equipe investigou outras regiões metropolitanas, como Belo Horizonte, Rio Grande do Sul e Aratu, na Bahia, e identificou os mesmos erros do Grande ABC sendo replicados, dando origem a uma nova leva de matérias.
Os jornalistas esperavam vencer novamente com a segunda série de reportagens, ‘O Desencanto da Industrialização’, que não ganhou. Essa continuação foi publicada em agosto de 1979 e, segundo Medici, foi ainda melhor que a primeira, mas não levou, pois o fato já não era inédito.
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Assim como suas edições, o histórico de premiações do Diário e de seus profissionais abrange um amplo período de seis décadas, demonstrando um reconhecimento constante em diversas áreas, desde o jornalismo investigativo até a excelência técnica em impressão e artes gráficas. Os primeiros prêmios registrados datam de 1959, quando o News Seller recebeu o Troféu João Ramalho durante a festa dos radialistas do Grande ABC.
A partir dos anos 60 e 70, o jornal começou a acumular troféus locais, vencendo o Troféu Centro Cívico em 1969 por uma reportagem sobre o novo Paço Municipal de Santo André, e conquistando prêmios regionais em 1970 no concurso de reportagens natalinas promovido pela Prefeitura de Santo André.
A projeção dos talentos do Diário logo atingiu o nível nacional, destacando-se em grandes concursos. Em 1976, além do Prêmio Esso de Jornalismo Regional, Édison Motta também se destacou individualmente ao ganhar o Iº Prêmio São Bernardo de Jornalismo. Outros reconhecimentos importantes na área de reportagem incluíram o Prêmio Rondon, conquistado por Valdenízio Petrolli em 1977, e o reconhecimento por temas sociais, como a menção honrosa que Roberto Baschera recebeu no Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo em 1986.
Entre 1982 e 1984, o jornal demonstrou sua alta qualidade de produção ao conquistar por três anos consecutivos o prêmio principal no concurso internacional de qualidade de impressão Run For The Money, patrocinado pela Eastman Kodak Corporation.
No campo das artes gráficas e caricaturas, o ilustrador Luiz Carlos Fernandes obteve vasta notoriedade, já conquistando cerca de 80 prêmios nos principais salões do Brasil e pelo mundo, como o primeiro lugar no 12° WPC (World Press Cartoon), de Portugal, pela sua caricatura do cubano Fidel Castro.
Um dos pilares de consistência premiada do Diário foi a editoria de Esportes, que recebeu o Troféu Ford-Aceesp de Jornalismo Esportivo em 1986, sendo eleita a melhor do Interior do Estado. Esse sucesso se repetiu, com a equipe conquistando o Troféu Ford-Aceesp como Melhor equipe de Esportes do Interior em 2001, 2004, 2005, 2006 e 2007. Além do esporte, o veículo provou ser líder em estratégia e gestão, sendo reconhecido com o Top de Marketing 95 da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil) e o Prêmio Top Of Brands na categoria jornais regionais em 2004 e novamente em 2008. Em anos recentes, a nova geração de jornalistas também foi reconhecida, como em 2018, quando Flavia Kurotori e Gabriel Russini ganharam o Prêmio ABF Destaque Franchising pela melhor reportagem de imprensa regional do País.
PRESENTE
A atuação jornalística comprometida com os interesses do Grande ABC e do Brasil e os projetos comunitários desenvolvidos também renderam recentemente ao Diário a Medalha Mérito Legislativo, maior honraria outorgada pela Câmara dos Deputados, em 2024. A indicação do jornal foi feita pelo deputado federal Alex Manente (Cidadania), cujo domicílio eleitoral é São Bernardo.
Neste ano, o IHGSP (Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo) deu início às comemorações dos 200 anos do nascimento do imperador Dom Pedro II. A cerimônia, marcada por momentos de solenidade e homenagens, marcou a entrega da Medalha Cívico-Cultural Dom Pedro II ao jornal, em homenagem à preservação da história da região.
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