Edição 20.000 Gesto ocorreu durante audiência geral em 19 de outubro de 2016, na Praça de São Pedro, em encontro com o líder da Diocese de Santo André
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Os cristãos do Grande ABC tiveram um dia especial em 22 de outubro de 2016 quando viram pelas páginas da edição 16.676 do Diário que o Papa Francisco tinha abençoado a região, a pedido do bispo da Diocese de Santo André, que até hoje é o responsável pelas sete cidades, dom Pedro Carlos Cipollini.
A benção especial aconteceu durante audiência geral realizada em 19 de outubro de 2016 na Praça de São Pedro, no Vaticano, em Roma, na Itália. “Esse encontro ocorreu em uma visita que fiz a Roma em um compromisso com membros da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Para mim foi muito importante ter a oportunidade de falar da diocese com o Papa Francisco e sentir que ele nos abençoou”, conta o bispo.
Dom Pedro Carlos Cipollini descreve como foi a breve conversa. “Disse a ele abençoe nossa diocese, Santo Padre. Ele disse: sim, abençoo, e fez a benção com o sinal da cruz.”
Quando Cipollini se apresentou como representante da Diocese de Santo André, o papa lembrou que já conhecia a região por intermédio de dom Cláudio Hummes, pois eram próximos. “O Papa era muito amigo do cardeal e quando falei que ele foi bispo aqui, ajudou a identificar a diocese”, explica.
Esse não foi o único encontro do bispo com Francisco. Os dois estiveram juntos na Jornada da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013, época em que o líder da Igreja na região coordenava a Diocese de Amparo, no Interior. Eles também se encontraram durante o Sínodo dos Bispos em 2023 e 2024, em Roma.
CARDEAL HUMMES
Cláudio Hummes foi o segundo bispo da Diocese de Santo André, nomeado pelo Papa Paulo VI, por mais de duas décadas, de 29 de dezembro de 1975 a 29 de maio de 1996, quando foi transferido para Arquidiocese de Fortaleza, no Ceará. Em 2001, foi elevado a cardeal pelo Papa João Paulo II.
A história do religioso no Grande ABC foi marcada por sua luta contra os crimes da ditadura militar e por apoiar as greves do movimento sindical, que tinham como líder o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por várias vezes nos anos 1970 e 1980, o cardeal permitiu que os sindicatos se reunissem em igrejas de sua Diocese para articular ações, dificultando a repressão militar.
Entretanto, a trajetória do cardeal não teve destaque somente na região. Dom Cláudio também participou da escolha de Francisco como primeiro papa latino-americano, conforme destacou manchete do Diário no dia seguinte: ‘O papa é argentino’.
A relação entre os dois era realmente de amizade, tanto que o cardeal brasileiro frequentava os aposentos de Francisco e estava lá, ao lado do pontífice, no canto direito da varanda da Basílica de São Pedro, durante sua apresentação como papa eleito no dia 13 de março de 2013. E não era tradição ter um cardeal neste momento.
O cardeal morreu no dia 4 de julho de 2022, aos 87 anos, em decorrência de um câncer de pulmão. O presidente Lula lamentou o fato à época, com as seguintes palavras, conforme matéria da edição 18.758 de 5 de julho, que comunicou a partida de Hummes.
“Seu amor incondicional ao próximo levou-o a se colocar sempre ao lado dos pobres, mesmo nas situações mais adversas”, disse o atual chefe da República.
Da morte de Francisco à posse de Leão XIV
Papa do povo, como era conhecido, Francisco marcou o papado, história encerrada neste ano, em 21 de abril, conforme destacou a edição 19.780 ‘Morre Francisco, papa dos excluídos’.
A partir de então, o Diário acompanhou dia a dia o processo de despedida do pontífice e de escolha do novo líder da Igreja Católica, realizada por meio de um processo denominado conclave, explicado passo a passo nas páginas do jornal.
A escolha do atual papa, Leão XIV, foi feita por 133 cardeais de diversos países, entre eles oito do Brasil, que ficaram isolados do mundo exterior e votaram em processo extremamente sigiloso.
No conclave são realizadas várias votações e seus resultados comunicados ao público, que aguarda ansiosamente na praça do lado de fora da Basílica de São Pedro, por meio de fumaças que saem das chaminés, preta sinalizando que ainda não houve uma decisão, e branca quando o papa está definido.
O eleito se apresenta na sequência ao público em aparição na sacada. O resultado foi anunciado em matéria da edição 19.797, de 9 de maio. ‘Grande ABC espera bênção do Papa Leão XIV’.
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