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Imprensa tem presença ativa na Reforma Universitária de 1968

Participação na cobertura do movimento culminou na publicação de suplemento especial sobre o tema em 5 de setembro daquele ano

28/11/2025 | 01:44
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O Diário participou ativamente do movimento que antecedeu a Reforma Universitária de 1968. A atuação chegou ao seu ápice em 5 de setembro de 1968, quando o jornal publicou um suplemento especial inteiramente dedicado ao tema, além de matérias sobre as reivindicações dos estudantes e os rumos que se desenhavam para o ensino superior no País.

A Reforma Universitária de 1968, perto de completar 60 anos, tornou-se o marco legal mais importante de dois processos complementares de transformação do ensino superior no Brasil. A legislação criou condições fundamentais para reorganizar instituições de ensino e pesquisa, ampliando vagas, especialmente no setor privado, que passou a disputar recursos governamentais com instituições públicas e a operar sob lógica de mercado.

Com a Lei nº 5.540, a reforma estabeleceu a autonomia didático-científica, disciplinar, administrativa e financeira das universidades; implementou os departamentos como células organizacionais; extinguiu as cátedras; adotou o regime de dedicação exclusiva; introduziu cursos de extensão e especialização; e garantiu a participação docente nos órgãos decisórios centrais, inclusive nos estabelecimentos isolados.

Trecho do relatório do grupo de trabalhho criado à época para elaborar propostas e diretrizes para a reestruturação do sistema de ensino superior foi publicado pelo Diário em seu suplemento especial e mostra de maneira precisa o espírito que atravessava a Reforma Universitária naquele momento. 

A reflexão apresentada, de que “a universidade, ainda que fundada sobre um espírito próprio, não é um universo encerrado em si mesmo”, dialoga com o objetivo da Lei nº 5.540/1968. Assim como a reforma reconhecia que as instituições de ensino superior precisavam romper com estruturas rígidas e ultrapassadas, o texto defendia que a universidade não poderia se isolar nem acreditar que seria capaz de se reorganizar apenas por suas próprias forças.

“Se a universidade a de realizar-se a partir de um vontade e de um espírito originários do seu próprio ser, ela não constitui universo encerrado em si mesmo. capaz de se reformar por suas próprias forças. Como organização social do saber, depende da comunidade que a instituiu, do Estado que assegura sua existência legal e a provê de recursos necessários à execução de suas tarefas. A universidade não pode ser única instância decisória de sua inserção na sociedade. O acesso ao ensino superior, o uso de suas habilidades por ele conferidas, e o saber e a cultura que a universidade produz, concernem o conjunto de toda nação, a totalidade das instituições organizadas nos planos econômico, social e cultural e o próprio Estado. Ainda, em sua condição de verdadeiro ‘poder espiritual’, a universidade só poderá exercer, com eficácia, essa magistratura ‘do espírito, articulando-se num sistema de influências recíprocas com todos os outros poderes da cultura, incluindo também o Estado”, destaca o relatório. 

O Diário também acompanhou de perto a criação e a expansão das principais universidades do Grande ABC. As páginas do jornal documentaram marcos como a instalação das primeiras faculdades, os debates que antecederam a formação dos centros universitários regionais e a consolidação de campus que viriam a transformar o perfil educacional da região, como a Faculdade de Medicina do ABC e a USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul).

'Diário’ registra mais de seis décadas de expansão do ensino superior 

Desde os anos 1960, o Diário tem sido testemunha e protagonista na cobertura da construção do ensino superior no Grande ABC. Foi nas páginas do jornal que os leitores acompanharam, passo a passo, o surgimento das principais instituições acadêmicas que moldaram o desenvolvimento regional.

Em 1962, o jornal noticiou a criação da Fundação Santo André (FSA), instituída pela Lei Municipal nº 1.840, responsável por manter a Faeco (Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas) existente desde 1953. O Diário acompanhou de perto a expansão da fundação e registrou, sob o título ‘Faculdade Ganha Terreno’, a aprovação na Câmara do projeto que autorizou a prefeitura a doar a área onde seria construída a futura Faculdade de Medicina do ABC, marco fundamental para a consolidação do ensino superior regional.

Poucos anos depois, em 1967, o jornal registrou a criação da FUABC (Fundação do ABC) pelos municípios de Santo André, São Bernardo e São Caetano, com o propósito de instalar uma faculdade de medicina na região. O curso da FMABC começou em 1969 e rapidamente se destacou entre os melhores do País, avanço amplamente documentado pelo jornal.

A expansão acadêmica da região também passou pela área tecnológica. Sob o título ‘Faculdade de Engenharia de SBC já é promissora realidade’, o jornal acompanhou a consolidação da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial). Embora credenciada pelo MEC em 1946 e inicialmente sediada em São Paulo, a instituição inaugurou seu campus definitivo em São Bernardo em 1963, após a doação de terrenos pela prefeitura – movimento decisivo para torná-la uma das escolas de engenharia mais reconhecidas do País.

A trajetória da Faculdade de Direito de São Bernardo, criada em 1964 como autarquia municipal, também ganhou espaço no Diário. Sob o título ‘Faculdade de Direito para SBC; Câmara aprova’, o jornal registrou a aprovação pelos vereadores que viabilizou a implementação da instituição, hoje consolidada como referência no ensino jurídico.

O Diário também acompanhou de perto a consolidação do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), em São Caetano. Sob o título ‘Escola Mauá: Início da construção do prédio’, o jornal registrou os primeiros passos do IMT, voltado ao ensino técnico-científico, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e formação de profissionais qualificados para a indústria. Formalmente constituído em 11 de dezembro de 1961 e credenciado pelo MEC em 1962, o instituto nasceu para suprir a crescente demanda por engenheiros capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico do País, especialmente diante da expansão da indústria automobilística no ABC.

Em São Caetano, o jornal também registrou a criação, em 1º de agosto de 1968, da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), então Faculdade de Ciências Econômicas, Políticas e Sociais, que evoluiu ao longo das décadas até ser reconhecida como universidade em 2004. A parceria com o Diário se intensificou, especialmente com iniciativas como o tradicional Desafio da Redação.

Com a chegada da UFABC (Universidade Federal do ABC), em 2005, a região inaugurou um novo ciclo de desenvolvimento acadêmico. A implementação dos campi em Santo André e São Bernardo, além dos projetos articulados com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, transformou a instituição em protagonista no cenário educacional, sempre acompanhada de perto pelo jornal.

Hoje, o Diário segue registrando a expansão do ensino federal no Grande ABC, com a implementação de dois novos campi do IFSP (Instituto Federal): um em Diadema, no futuro Centro Okinawa já adquirido pelo governo federal, e outro em Mauá, na área da antiga Faculdade Mauá, atualmente em processo de aquisição.

Além da cobertura institucional, o jornal também acompanhou a mobilização dos profissionais da educação. Ao longo das décadas, registrou a articulação dos docentes para a formação de associações de classe, a organização por direitos trabalhistas e as diversas campanhas salariais que marcaram a vida acadêmica da região.

Nos anos finais da década de 1970, o Diário também esteve presente nos momentos de maior tensão política no ambiente universitário. Em 1979, o Grande ABC foi palco de intensos protestos estudantis que se alinharam ao crescente movimento operário da região. Com criatividade e irreverência – incluindo paródias musicais usadas como forma de resistência e comunicação durante a ditadura militar – os estudantes ocuparam as páginas do jornal. Na época, o jornal estampou a matéria ‘Estudantes protestam com paródias musicais’, registrando a atuação conjunta do movimento estudantil nas greves dos metalúrgicos lideradas por Luiz Inácio Lula da Silva. 




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