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Redemocratização do País vai de José Sarney a Collor

Presidente eleito indiretamente assume cargo após a morte de Tancredo Neves; Constituição garante escolha do sucessor

Angelo Verotti
28/11/2025 | 09:52
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FOTO: Mauricio Pavan 15/3/90
FOTO: Mauricio Pavan 15/3/90 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Foram 21 anos de ditadura militar que deixaram muitas cicatrizes – além de mortos – entre a população brasileira. E o Diário acompanhou de perto os movimentos que marcaram o fim de período tão trágico da história nacional. Da posse em definitivo do presidente em exercício José Sarney, responsável por dar prosseguimento ao processo de redemocratização do País após a morte de Tancredo Neves (leia mais na página ao lado), em abril de 1985, à eleição de Fernando Collor de Mello para líder da Nação, em 1989, já com voto direto da sociedade.

A posse, em 1990, daquele que ficou conhecido como o ‘caçador de marajás’ foi resultado de intensa agitação, dentro e fora do Congresso Nacional, iniciada anos antes – mais precisamente em 1983 – com a campanha Diretas já. O movimento em São Paulo defendeu a aprovação da Emenda Dante de Oliveira, que clamava por eleições diretas já em 1985. As manifestações na praça da Sé, na Capital, reuniram multidões, como destacou o Diário na edição 5.427, de 26 de janeiro de 1984, sobre o evento de um dia antes, em São Paulo. ‘250 mil vozes na Sé: Diretas, já!’, dizia a manchete. 

Artistas, jornalistas e políticos também se manifestaram durante a “maior concentração política do Brasil”, como definiu o então governador de São Paulo, Franco Montoro. “Há pouco me perguntaram quantas pessoas têm aqui (Sé): 300 mil, 400 mil...? A resposta é 130 milhões de brasileiros”, disse em entrevista publicada pelo jornal.

Ulisses Guimarães, então presidente nacional do PMDB, afirmou que “o fascismo e a ditadura existente no País há 20 anos tornaram imprestáveis o voto popular”. Na visão dele, os governos que têm se sucedido “são imprestáveis porque não deram emprego, não acabaram com a inflação, não defenderam a soberania nacional...”

Mesmo com o forte clamor popular e das classes política e artística, a Emenda Dante de Oliveira acabou rejeitada por 22 votos em eleição realizada a 25 de abril de 1984. Foram três sessões consecutivas no Congresso Nacional. No fim, 298 deputados apoiaram a Diretas já, enquanto 65 foram contrários. Houve três abstenções e 113 ausências em plenário. ‘Rejeitada a Emenda das diretas já’, estampou a manchete da edição 5.504 do Diário, de 26 de abril. Já o editorial do periódico no mesmo dia destacou as lições deixadas pela Emenda. Entre elas, o fato de ter mudado a face do País e ter certamente entrado para a história por cristalizar a aspiração de milhões de pessoas.

Apesar da derrota no Congresso, a campanha das Diretas já ajudou a enfraquecer o regime militar. No pleito indireto pelo Colégio Eleitoral para definir o substituto do então presidente João Figueiredo, venceu a chapa composta por Tancredo Neves – com José Sarney como vice –, que venceu Paulo Maluf, candidato dos militares.

O mineiro Tancredo, no entanto, acabou internado um dia antes de tomar posse, sendo substituído provisoriamente – e depois definitivamente – pelo maranhense Sarney.

DIÁLOGO E CONCILIAÇÃO

Ao tomar posse oficialmente como presidente da República, ele destacou os feitos de Tancredo Neves, como informou o Diário na edição de 22 de abril. ‘A vida de Tancredo Neves foi um exercício de diálogo e conciliação. Seguiremos seu exemplo. Realizaremos um governo de concórdia, mudanças, trabalho, moralidade e austeridade.Implacável contra a corrupção’, disse Sarney, que prometeu dar prioridade aos pobres.

Ainda em 1985, o presidente convocou a Assembleia Nacional Constituinte, para redigir a Constituição Federal de 1988. O deputado Ulisses Guimarães foi eleito presidente da Constituinte, como informou o Diário em 3 de fevereiro de 1987.

Os trabalhos começaram com força total. Foi o que detalhou o jornalista do periódico, Joaquim Alessi, presente em Brasília, ainda na edição 6.357. Já o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) discursou por 35 minutos durante a instalação do Congresso Constituinte e destacou que “Fundamental é o ponto de equilíbrio” ao se referir à Constituinte.

NOVA CONSTITUIÇÃO

O momento tão sonhado pela população brasileira foi destacado na capa do jornal em 23 de setembro de 1988 sob o título: ‘Constituição é aprovada: PT vota contra’. A promulgação ocorreu na quarta-feira, 5 de outubro, e ganhou espaço na edição 6.876. O Diário estampou na manchete que Carta inaugurava nova fase democrática. O deputado Ulisses Guimarães afirmou na ocasião que estava encerrado o ciclo autoritário de 64. Disse ainda que a oitava Carta Magna, batizada de Constituição-Cidadã, veio para salvar o Brasil.

Entre os muitos direitos garantidos à população pela Carta, estava a possibilidade de voto já a partir da eleição de 1989, vencida por Fernando Collor de Mello (leia ao lado). Ele, no entanto, renunciou ao cargo em 1992, após denúncias de corrupção no governo, sendo substituído pelo vice-presidente Itamar Franco.




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