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Shows agitam cena musical e arrastam moradores locais

De Menudo a Roberto Carlos, de Ramones a Raul Seixas; de Deep Purple a Mamonas; região se rende a nomes do País e de fora

Angelo Verotti
28/11/2025 | 10:23
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FOTO: Reprodução/Banco de Dados
FOTO: Reprodução/Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A cena musical no Brasil, a partir da década de 1980, ficou marcada pelo grandes espetáculos, que reuniram multidões em estádios, ginásios, praças e até mesmo praias. Basta citar, por exemplo, o Monsters of Rock e o Hollywood Rock, na Capital paulista, e até mesmo as apresentações de Rod Stewart e Rolling Stones nas areias de Copacabana, além do Rock in Rio. Guardadas as devidas proporções, o Grande ABC também atraiu nomes de prestígio do repertório nacional e muitas estrelas internacionais. E uma dessas atrações ficou marcada na história da região – mais precisamente de Santo André: o Menudo invadiu o Estádio Bruno Daniel.

Em 1985, o conjunto porto-riquenho promoveu turnê pelo Brasil, com shows também em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, entre outras capitais e cidades.

O Diário detalhou na edição da terça-feira, 19 de março, como havia sido a apresentação do grupo no palco andreense dois dias antes. De acordo com o jornal, ao menos 37 mil pessoas foram castigados por temporal naquele domingo. A concentração dos fãs começou já na noite de sábado em frente ao estádio. Cerca de 200 deles, segundo a reportagem do periódico, pernoitaram sob a marquise principal do lado externo do campo para garantir os melhores lugares na geral e no gramado, que horas depois receberiam os demais espectadores.

Como se não bastasse, o início da apresentação do quinteto sofreu atraso de três horas e 45 minutos. Isso porque a exibição do conjunto na manhã do mesmo domingo, em Sorocaba, começou duas horas após o horário programado. Sobraram críticas à organização, que “enxotou” a imprensa do palco, enquanto convidados e descredenciados ficaram abrigados para assistir à apresentação em solo andreense. 

A reportagem descreveu o fim do show da seguinte forma: “Enfim, o Menudo atacou de Não se Reprima. E deixou o palco sem completar ao menos 45 minutos de espetáculo. Seguros nos ônibus, os cinco nem acenaram à saída, largando os milhares de espectadores ainda com água na boca”, informou o jornal, que detalhou as dificuldades enfrentadas pelos presentes também na hora de voltar para casa. “Fora do estádio, trânsito entupido, o perigo às margens do Guarará – eternamente em obras –, os orelhões disputados por centenas de pessoas ávidas por dar e saber notícias, ônibus lotados chamavam os românticos à razão”. 

Outros nomes de prestígio internacional também se apresentaram no Grande ABC, casos, de Ramones, Deep Purple, Faith no More (leia mais na próxima página).

NACIONAL

A presença de estrelas da Música Popular Brasileira também ganhou vez nas coberturas do jornal ao longo das 20.000 edições. Foi o caso do show de Elis Regina e João Bosco, em maio de 1979, no Estúdio Vera Cruz, em São Bernardo. Ou ainda do ‘rei’ Roberto Carlos no Clube Atlético Aramaçan (leia mais na próxima página). E também as exibições do grupo Mamonas Assassinas, que esteve na região em pelo menos três oportunidades, a exemplo do Sepultura, que levantou a galera em diversas ocasiões, a última delas em agosto de 2024.

Isso sem contar shows de Titãs, O Rappa, Legião Urbana, Ney Matogrosso, Samuel Rosa, Barão Vermelho, Cazuza, Lulu Santos, Nando Reis, RPM, Charlie Brown Jr., Capital Inicial, Roupa Nova, Guilherme Arantes, Raimundos, Camisa de Venus, Chitãozinho e Xororó, Péricles, Jorge Aragão, Luiz Melodia, Itamar Assumpção, Martinho da Vila, entre muitos outros.

Elis Regina e João Bosco surpreendem

Há pouco mais de 46 anos, em 1979, o público presente ao Estúdio Vera Cruz, em São Bernardo, testemunhou uma das cenas que ficaram gravadas no imaginário dos fãs da música popular brasileira. Estrelas de renome internacional, Elis Regina e João Bosco subiram ao palco no Show de Maio, realizado naquele dia 7, para apresentação em evento beneficente que teve como objetivo arrecadar dinheiro para o fundo de greve dos metalúrgicos do Grande ABC. Ao menos 6.000 trabalhadores acompanharam a programação do dia.

O evento foi comandado pelo então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e atualmente presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a tirar fotos ao lado da cantora no evento.

Além de interpretar o Rancho da Goiaba e Plataforma, a dupla apresentou O Bêbado e a Equilibrista, então lançamento que faz referência ao tenso passado político do País, por causa da ditadura militar, e à certeza de uma época de redenção e alegria.

A coluna Memória, do jornalista Ademir Medici, do Diário, destacou na edição de 21 de julho de 2024 que havia a informação de que se apresentariam Gonzaguinha, Sérgio Ricardo, Dominguinhos, Fagner e Belchior, outros grandes nomes da música nacional. Já a presença da dupla surpreendeu.

O repórter-fotográfico Fernando Ferreira registrou imagens do evento.

Bandas Sepultura e Mamonas Assassinas deixam legiões de órfãos

Os estilos musicais são diferentes. Enquanto o Sepultura construiu a carreira no heavy metal embalado por fãs pelo Brasil, além de 80 países, o Mamonas Assassinas, e seu rock cômico misturado a forró, sertanejo e música mexicana, teve a trajetória de quase um ano abreviada por acidente aéreo em 1996, que matou os cinco integrantes e deixou órfãos milhares de pessoas pelo País.

O quinteto de Guarulhos realizou três show na região. O último deles rolou no dia 27 de outubro de 1995, como destacou o Diário em ua edição 9.155. ‘Rock besteirol tem noite de glória na região’. O Mamonas Assassinas se apresentou no Clube Atlético Aramaçan, juntamente com a banda Raimundos. Pouco mais de um mês antes, o grupo agitou a galera na Twist’s, em São Caetano, como destacou o editor Renan Soares, do jornal, em matéria de 17 de setembro deste ano, em comemoração aos 30 anos da segunda apresentação na região.

Já o Sepultura teve várias apresentações registradas pelo periódico. A última em agosto de 2024 para divulgar a Celebrating Life Through Death, turnê de despedida da banda após 41 anos de estrada.

Em entrevista à repórter Jaque Corrêa pouco antes do show no Aramaçan, o guitarrista Andreas Kisser, nascido em São Bernardo, mas que cresceu em Santo André, destacou a importância do Sepultura na carreira de cada integrante. Disse que a música continuará a fazer parte da vida, com novas oportunidades, mas que o momento marca “o encerramento de um ciclo.”




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