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Região tem 165 restaurantes que guardam tradição italiana

Gastronomia do país é condecorada pela Unesco como patrimônio imaterial da humanidade

22/12/2025 | 08:00
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Lunga vita al Grande ABC! (frase em italiano traduzida para o português: Vida longa ao Grande ABC!)”. No dia 10 de dezembro, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) reconheceu a gastronomia italiana como patrimônio imaterial da humanidade. Com forte tradição na região, o Grande ABC conta com 165 restaurantes que servem a culinária desse país, segundo levantamento de seis prefeituras, exceto Mauá, que não forneceu os dados.

Pizza, lasanha, rondelli e, claro, o famoso macarrão são os principais pratos em que os italianos se destacam. O reconhecimento da Unesco foi inédito, visto que em nenhuma ocasião a entidade tinha destinado à honraria para toda a culinária de uma nação. Agora, a comida italiana se junta com alguns outros patrimônios, como, por exemplo o Dia dos Mortos, do México, e a Roda de Capoeira, do Brasil.

Um dos estabelecimentos que cultivam a culinária e a cultura da Itália é a Cantina Italiana Famiglia Rossi, em São Caetano. Fundado em 1997, o restaurante lembra as clássicas cantinas, com ambiente acolhedor, camisas de futebol de times italianos e mesas com decoração bordada. 

Os proprietários, Ana Cristina Rossi, 62 anos, e Natalino Viana, 64, decidiram preservar a tradição familiar. “Meus antepassados foram fundadores de São Caetano. Por isso, meu marido, Natalino, teve a ideia de criar algo ligado à tradição italiana”, contou Ana. Além de sócio, Viana também é o chef, responsável pelo preparo das diversas massas servidas no restaurante.

Ainda segundo Ana, sua juventude foi marcada por diversos costumes italianos. “Meu marido sugeriu que fizéssemos as massas que minha mãe preparava. Cresci ajudando a fazer macarrão em casa, abrindo a massa no cilindro, preparando crostoli, modelando capeletti um a um. Queríamos criar uma comida que daqui a dez anos as pessoas ainda lembrassem”, contou a proprietária. Em um final de semana, a cantina recebe 240 clientes. 

“Fiquei muito emocionada pela gastronomia italiana ser considerada patrimônio. A culinária desse país é reunir a família em volta da mesa. Estou muito feliz de estar no local em que as pessoas vêm comemorar alegria”, disse a proprietária do restaurante.

MIGRAÇÃO

A historiadora e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Priscilla Perazzo, comenta que a migração dos europeus se deu principalmente no final do século XIX e início do século XX. “A primeira notícia que temos da região é a chegada de um núcleo colonial que se instalou em São Caetano, para trabalho na lavoura. No início do século XX, quando cafeicultores investiram no processo de industrialização, os imigrantes começaram a ocupar o lugar dos trabalhadores operários”, comentou.

A especialista disse ainda que a chegada deles impactou diretamente a construção do pensamento e costumes do Grande ABC, e isso também reflete na alimentação. 

“A questão de virar patrimônio é uma honraria igual a qualquer outra. Mas temos uma movimentação importante de origem italiana, ao ponto de termos tantas festas, como em São Caetano. No Grande ABC e região metropolitana de São Paulo, temos uma herança cultural muito forte, que impacta o sotaque e a forma de alimentação”, afirmou.

A prefeitura são-caetanense promove todo ano a Festa Italiana. Em 2025, a festividade chegou a 32ª edição. Em nota, a administração informou que 31 entidades beneficentes do município participam do evento, nas quais comercializam pratos típicos como fogazza, pizza, polenta, antepasto, bruschetta, piadina, cannoli, palha italiana, entre outros.

Outra cidade que cultiva uma tradição grande para esse povo é Ribeirão Pires. Neste ano, a Festa Italiana Solidária chegou a terceira edição. Ao todo, a Prefeitura disponibilizou 17 barracas gastrônomicas que trouxeram mais de 50 opções de comida.

"Ribeirão Pires valoriza a sua ligação com a Itália e seus descendentes por meio da festa que acontece tradicionalmente em outubro, e a partir deste ano passou a ser no Paço Municipal, antes acontecia no Complexo Ayrton Senna. Na festa, acontecem apresentações típicas da cultura e muita gastronomia, além da solidariedade que é o ponto principal do evento”, disse o Paço.




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