ABC da Indústria
FOTO: DGABC

Ao chegarmos a este último domingo de 2025, a reflexão se impõe de forma inevitável. Assim como tantos outros, foi um ano complexo e desafiador para quem produz no Brasil, mas também um ano interessante para a indústria, justamente por testar, mais uma vez, sua capacidade de resiliência. Enfrentamos juros no maior patamar da história recente, câmbio pressionado, instabilidade política interna e externa e relações comerciais cada vez mais imprevisíveis. Ainda assim, a indústria brasileira seguiu em frente.
Mesmo diante desse cenário adverso, o setor industrial continuou operando, investindo dentro do possível, mantendo empregos e sustentando cadeias produtivas inteiras. Alguns setores colheram bons resultados, outros enfrentaram perdas relevantes, mas a grande maioria permaneceu de pé. Isso revela uma verdade frequentemente ignorada: a indústria brasileira é estruturalmente forte, adaptável e comprometida com o desenvolvimento do país, mesmo quando o ambiente macroeconômico joga contra.
Hoje se fala em uma previsão de crescimento do PIB superior a 2%. O número, isoladamente, poderia parecer positivo, mas precisa ser analisado com senso crítico. A pergunta é inevitável: onde poderíamos estar se não convivêssemos com juros proibitivos, instabilidade fiscal, falta de previsibilidade e decisões econômicas que penalizam quem produz? Imaginem o potencial de crescimento se tivéssemos uma economia estável, com responsabilidade fiscal, inflação sob controle e taxas de juros acessíveis para que a indústria pudesse renovar suas plantas, investir em tecnologia, inovação e eficiência produtiva. Não há exagero em afirmar que esse país decolaria de uma forma nunca vista antes.
A indústria não pede favores nem privilégios. Pede o básico: um ambiente racional para trabalhar, investir e planejar o futuro. Quando há segurança jurídica, previsibilidade regulatória e crédito com custo adequado, o investimento acontece naturalmente. A indústria cresce, gera empregos de qualidade, aumenta a arrecadação e movimenta toda a economia, criando um ciclo virtuoso conhecido e comprovado.
Entramos em um novo ano eleitoral e, mais uma vez, o debate tende a se concentrar apenas no Executivo. No entanto, seguimos negligenciando o papel central do Poder Legislativo. Deputados estaduais, federais e senadores aprovam leis, definem regras, alteram tributos e moldam o ambiente onde a indústria opera. Ainda assim, muitos não sabem em quem votaram para esses cargos nem acompanham seus mandatos.
Se quisermos um Brasil pujante, forte, competitivo, rico e democrático, precisamos amadurecer como sociedade. Escolher bem nossos representantes, especialmente no Legislativo, é fundamental. A indústria continuará fazendo a sua parte, como sempre fez. A decisão que fica é se o país seguirá impondo obstáculos a quem produz ou se, finalmente, tratará a indústria como um ativo estratégico para o futuro do Brasil.
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