Em São Bernardo Nos primeiros treinos ou nos títulos mundiais, pequenos dividem o mesmo amor pelos tatames desde cedo
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O silêncio dura poucos segundos nas academias de luta de São Bernardo. Assim que o treino começa, os sons dos pés pisando no tatame, dos nós feitos nos quimonos e dos cumprimentos dos pequenos alunos são as marcas das aulas. Na cidade, essa é a rotina de crianças que também encontraram diversão nas competições.
Entre elas está Lorenzo Bianquetti Brocardo, 11 anos. Praticante de judô há cerca de dois anos, ele já participa de alguns torneios e soma títulos inter-regionais. Para Lorenzo, o momento de entrar no tatame é tranquilo. “Eu me sinto bem quando entro para lutar, fico confortável porque sei que eu treino para isso”, conta.
O principal desejo, segundo o menino, é seguir evoluindo dentro do judô. “O que mais me inspira para treinar é pensar em conquistar mais faixas. Isso me faz querer treinar mais e melhorar a cada dia, e chegar um dia na faixa preta.”
A irmã mais nova, Larissa Bianquetti Brocardo, 7, ainda está começando sua história com o judô. Há apenas seis meses nos treinos, ela fala que gosta da experiência. “Quando eu entro no tatame, fico feliz, com mais energia. Eu gosto de treinar e me sinto bem ali, com meus amigos”, diz.
Se para os irmãos a luta faz parte do dia a dia em São Bernardo, para Rebeca Coutinho, conhecida como Bem-Te-Vi, 10, o tatame já a levou para bem longe. A atleta pratica jiu-jitsu há cerca de três anos e também treina judô, dividindo as duas modalidades quase todos os dias da semana. “Treino de segunda a sábado, e às vezes até no domingo. Mas eu gosto, porque sei que cada treino me ajuda a ficar melhor”, explica. Em novembro de 2025, Rebeca se tornou campeã mundial de jiu-jitsu ao vencer o World Pro Youth, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Sobre a competição, ela lembra do sentimento antes das lutas. “Entrei muito confiante. Estava sentindo que aquele dia ia dar certo. Fiquei tranquila e consegui no fim”, afirma. Além do título mundial, Rebeca é pentacampeã do Circuito Paulista, bicampeã paulista e campeã brasileira de jiu-jitsu, com e sem quimono.
A relação da atleta com a luta começou bem cedo. “Desde pequenininha, sempre quis lutar. Meus pais dizem que quando eu era menor, assistia vídeos de luta, e não desenhos animados”, relembra. Mesmo com viagens longas e campeonatos fora do País, o nervosismo aparece mais antes do caminho do que na hora da luta. “Fico com medo de viajar de avião, tenho medo de altura, mas quando chego no tatame, fico tranquila, fico de boa”, brinca.
ENSINAMENTOS
Para crianças que ainda têm medo de começar, Rebeca deixa um recado. “Tem que entrar e não desistir. A luta pode te levar longe, faz você conhecer gente nova e ensina muitas coisas”, diz. Lorenzo concorda e reforça. “Não precisa ter medo, porque a gente aprende muito com a luta”.
Em 2026, Rebeca Bem-Te-Vi volta aos tatames com um calendário ainda mais cheio. No dia 11 de janeiro, foi ouro no Campeonato Rio Summer Kids e, segundo ela, a maior meta é defender a conquista mundial.
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