Mais gestão, menos polarização
Gilmar

Os dados recentes divulgados pelo IBGE, com base nas informações do Caged, indicam que o Brasil atingiu uma taxa de desemprego de 5.1%, a menor da série histórica. Do ponto de vista técnico, esse patamar é compatível com o chamado pleno emprego. Trata-se, sem dúvida, de um marco relevante, especialmente após anos de instabilidade econômica e social. No entanto, interpretar esse resultado como ponto de chegada seria um erro de diagnóstico e, pior, de formulação de políticas públicas.
A primeira limitação desse dado está na qualidade do emprego gerado. A expansão recente do mercado de trabalho ocorre majoritariamente em setores de menor produtividade, baixos salários e elevada rotatividade. São vagas que cumprem papel importante na absorção de mão de obra, mas que têm impacto limitado sobre renda, inovação e crescimento econômico sustentado. Em termos estruturais, o País segue preso a uma armadilha de baixa qualificação e baixa produtividade.
Esse quadro ajuda a explicar uma contradição que precisa ser enfrentada com seriedade: mesmo em um contexto de pleno emprego estatístico, cresce o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família. O problema não está na política de proteção social em si, que é necessária, legítima e constitucional. O problema está na ausência de políticas complementares robustas que transformem proteção em emancipação.
Programas de transferência de renda precisam estar integrados a estratégias claras de qualificação profissional, inclusão produtiva e transição para o mercado formal. Sem portas de saída bem estruturadas, o Estado corre o risco de perpetuar a dependência, ao invés de reduzir desigualdades de forma sustentável. Política social eficaz não substitui política de desenvolvimento; ela a complementa.
Além disso, o ambiente macroeconômico segue sendo um freio à geração de empregos de maior qualidade. A complexidade do sistema tributário e o elevado custo do capital continuam desestimulando investimentos produtivos. A implementação definitiva da reforma tributária, com simplificação, neutralidade e previsibilidade, é condição necessária para aumentar a competitividade da economia brasileira. Da mesma forma, a redução estrutural da taxa de juros é essencial para viabilizar investimentos de longo prazo, especialmente na indústria, na inovação e na economia do conhecimento.
Esse debate não é abstrato nem ideológico. Ele se comprova na prática da boa gestão pública. Em Santo André, a combinação entre responsabilidade fiscal, ambiente favorável aos negócios, políticas ativas de atração de investimentos e forte aposta em qualificação profissional produziu resultados concretos. O município vem registrando recordes sucessivos de geração de empregos e, mais uma vez em 2025, liderou a criação de vagas formais na região.
A lição é clara: emprego não se cria por decreto, nem se sustenta apenas com ciclos favoráveis. Ele é fruto de planejamento, coordenação entre políticas públicas e foco na produtividade. O Brasil chegou perto do pleno emprego. Agora precisa decidir se ficará satisfeito com números ou se enfrentará, com maturidade, o desafio maior: gerar empregos melhores, mais produtivos e capazes de promover verdadeira mobilidade social.
Pleno emprego não pode ser o fim do debate. Precisa ser o começo das decisões certas.
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