Conhecimento sem limites Criada pela ONU, data celebra a presença feminina na tecnologia, engenharia, matemática e mais áreas científicas
FOTO: André Henriques/DGABC

Junte dois ditados – “aprender não ocupa lugar” e “lugar de mulher é onde ela quiser” – e você tem o resumo perfeito do que representa o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data, celebrada em 11 de fevereiro, na próxima quarta-feira, simboliza conhecimento sem limites e escolhas sem barreiras.
Instituída em 2015 pela ONU (Organização das Nações Unidas), a iniciativa busca ampliar o acesso feminino às áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática – o chamado STEM, na sigla em inglês. Mais do que incentivar a participação, o movimento dá visibilidade às contribuições de meninas e mulheres que impulsionam o avanço do conhecimento no mundo inteiro.
Além de celebrar conquistas, o movimento chama atenção para desafios que persistem. Segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), apenas 33,3% dos pesquisadores no mundo são mulheres, que também representam 35% dos estudantes dessas áreas.
No Brasil, iniciativas públicas e institucionais têm ajudado a transformar esse cenário. Um exemplo é o Atlânticas: Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência, criado em 2023 para incentivar pesquisadoras negras, indígenas, quilombolas e ciganas.
O projeto oferece bolsas de estudo no exterior e amplia oportunidades para que mais mulheres liderem pesquisas.
MOMENTO ÚNICO
Para celebrar a data, o Diário levou duas estudantes ao Sabina Escola Parque do Conhecimento, em Santo André. O espaço, que comemora 19 anos este mês, funciona como centro interativo de ciência e cultura, onde crianças e adultos aprendem na prática. Com salas temáticas e experimentos, transforma conteúdos complexos em experiências acessíveis. A visita da dupla começou pelo Planetário, onde as pequenas ficaram encantadas com o universo.
Ana Julia Sena Pacheco, 10 anos, moradora de São Bernardo, não escondeu a empolgação. “Nunca tinha vindo aqui e foi uma experiência muito legal. Gosto muito de estudar os animais e quero ser bióloga. As meninas nunca serão menos do que os meninos na ciência”, disse.
Já Isadora Espíndola do Nascimento, 10, de Santo André, destacou o seu interesse pelas plantas e pela área da saúde. “Achei tudo muito divertido. Quero ser médica de crianças e aprender cada vez mais ciência para ajudar as pessoas e o meio ambiente”, contou.
A visita mostrou como o contato com a ciência é capaz de despertar vocações desde cedo, sobretudo quando as meninas percebem a variedade de possibilidades que integram esse universo.
INÍCIO DE TUDO
Para a bióloga e astrônoma Isabela Marin Fatori, 29, a curiosidade é o primeiro passo. “Desde criança, eu queria entender como o mundo funcionava. Hoje, trabalhar em um lugar onde posso explorar diferentes áreas da ciência é extremamente gratificante”, disse. Ela ressalta que a presença feminina tem crescido, mas precisa avançar. “Mulheres estão conquistando mais reconhecimento e liderando pesquisas importantes, mas em algumas áreas ainda enfrentam desafios, principalmente quanto à credibilidade. Precisamos mudar essa realidade como sociedade”, afirma.
Por fim, deixou um recado para quem sonha seguir esse caminho. “Não desistam. A ciência pode ser desafiadora, mas é um percurso bonito, capaz de gerar grandes contribuições à sociedade. Acreditem que vocês podem ser o que quiserem”, finaliza.
Iniciativas como essa mostram que incentivar meninas a explorarem a ciência desde cedo é fundamental para construir um futuro mais inovador e igualitário. Com oportunidades e apoio constante, elas ocupam espaço e criam soluções que transformam o mundo para melhor.
LEIA MAIS:
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.