Bloco na rua Festa popular reúne família e movimenta comunidade, ao valorizar pertencimento com música e dança
Denis Maciel/DGABC

Uma das maiores expressões da cultura brasileira, o Carnaval vai muito além da fantasia e diversão. Não é exagero afirmar que a festa estimula a criatividade, socialização e o contato com a música e a dança, além de ajudar no desenvolvimento motor e na expressão artística. Não é diferente no Grande ABC, onde os bloquinhos e as escolas de samba mantêm essa tradição viva, aproximando famílias e criando memórias que podem durar por toda vida.
Participar dos ensaios, blocos de rua e desfiles também fortalece o senso de pertencimento e ensina valores como respeito, união e trabalho em equipe. Entrar neste universo desde cedo é entender a Folia como uma parte importante da identidade cultural do Brasil.
É o caso de Lorena Rescalli Malta, 10 anos, moradora do Parque Erasmo Assunção, em Santo André. Apaixonada pelo samba desde pequena, ela conta que a influência surgiu dentro de casa. “Minha mãe sempre foi um orgulho para mim, foi meu espelho. Meu sonho é ser um dia rainha de bateria como ela”, comentou.
A garota conta que cada momento na quadra é especial para ela. “Eu sinto como se estivesse tirando toda energia ruim. Fico muito feliz, porque sou muito acolhida”, disse.
LEGADO FAMILIAR
A mãe de Lorena, a coordenadora financeira Janaína de Almeida Rescalli, 42 anos, vive intensamente o evento há muitos anos. “Desfilar grávida foi a realização de um sonho. Foi um momento único, de muita emoção”, relembra ela, afirmando que a filha já sambava muito “antes de vir ao mundo.”
Hoje, ela se emociona ao ver a jovem seguir o mesmo caminho. “A gente não pode deixar o samba morrer. É um trabalho de comunidade muito importante, que tira crianças da rua e envolve as famílias”, falou.
Quem concorda com Janaína é Ricardo Bastos Pereira, presidente da Escola de Samba Seci (Sociedade Esportiva Cidade Imaculada), agremiação fundada em 1988 por um grupo de futebol de mesmo nome em Santo André. Foi com as cores da escola, em 2015, que Janaína desfilou como rainha de Bateria, grávida de Lorena, mostrando que o Carnaval pode representar mais do que apenas alegria. No caso delas, também significou continuidade e vínculo entre mãe e filha.
Para Pereira, o papel da agremiação vai além da avenida, seja no Anhembi, Marquês de Sapucaí ou qualquer lugar. “A escola de samba exerce um papel muito importante dentro da comunidade, tanto cultural quanto socioeconômico”, afirma.
Ainda segundo ele, os projetos ajudam a aproximar as pessoas. “O importante é ser feliz e vir com a família. A escola tem esse papel de trazer a criança, o jovem e o adulto para perto da cultura”, finalizou.
Além dos desfiles, Pereira explica que o local desenvolve iniciativas variadas como uma escolinha de bateria, ações solidárias e projetos educacionais, mostrando que o período também pode ser um espaço de aprendizado e inclusão.
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