Conhecimento Ação desenvolvida por colégio de Santo André transforma madeira em aprendizado, autonomia, confiança e persistência
André Henriques/DGABC

Serrar, medir, colar. Em Santo André, simples pedaços de madeira ganham forma e significado nas mãos das crianças a partir do 3º ano do ensino fundamental do Colégio Stocco. Há cerca de seis anos, a escola implantou aulas de marcenaria como atividade extracurricular, realizadas uma vez por semana. A partir daí, o local se transformou em um espaço onde a criatividade, técnica e trabalho em equipe caminham sempre lado a lado.
Aos longo do ano, os estudantes desenvolveram vários projetos e, durante o processo, aprendem conceitos de corte, serragem, pregação e aparafusamento, utilizando as mais diversas ferramentas que o ambiente disponibiliza.
Mais do que ensinar técnicas manuais, a marcenaria amplia o aprendizado para outras áreas, como a matemática, além de estimular a coordenação motora, raciocínio lógico, responsabilidade e aspectos emocionais, como a persistência e a autoconfiança.
Claudionor Gomes de Macedo Raymundo, 10 anos, morador do bairro São Vicente, em Mauá, guarda na memória o acessório esportivo de madeira que ele mesmo produziu. “Eu fiz uma tabela de basquete na aula do ano passado. A gente pegou as tábuas, lixou, cortou e montou tudo. Foi bem legal participar de cada parte do processo. Com o tempo, fui aprendendo mais sobre como fazer as coisas na marcenaria e hoje já tenho mais ideia de como criar meus próprios projetos”, disse.
Já Ravi Sanches Berbem, 10, da Vila Gilda, em Santo André, participou da construção de um carrinho de rolimã. “A ideia veio do professor, e a gente trabalhou junto em tudo, desde montar até pintar. O maior desafio foi fazer o freio, porque ele precisava ficar firme, mas não duro demais. Testar o carrinho foi a parte mais divertida, a gente desceu com ele e foi muito legal”, comentou, afirmando que se inspirou na McLaren, escuderia da Fórmula 1.
Morador do bairro Campestre, também em Santo André, Miguel Frascareli Góis, 12, criou um boneco batizado de “Woody” (amadeirado, em inglês), em referencia ao material utilizado no processo. “Comecei pelo corpo, depois fiz braços e pernas, parafusei tudo e finalizei em casa desenhando o rosto e detalhes. Quando vi ele pronto me senti muito capaz, como se pudesse fazer muitas coisas, só precisando aprender”, falou.
Por sua vez, Rodrigo Tarsitano Azuaga, 11, morador da Vila Assunção, também no município andreense, optou por uma simples luminária, mas que levou cerca de três semanas para ser finalizada. “A parte mais difícil foi mexer com os fios, porque precisava ter muita atenção para não errar. Quando vi ela funcionando e brilhando, fiquei muito feliz, deu até um quentinho no coração”, expressou o estudante.
Ao fim de cada planejamento, o sentimento é compartilhado: orgulho. Entre serras, lixas e parafusos, os alunos descobrem que são capazes de construir não apenas objetos, mas confiança, paciência e novas perspectivas sobre o próprio aprendizado.
MÃOS E MENTES
Para o professor Rodrigo Parreira Valverde, 49, responsável pelas aulas, a escolha da marcenaria surgiu da necessidade de oferecer uma atividade manual diferenciada. “Eles colocam a mão na massa de verdade, desenvolvendo habilidades que hoje em dia são pouco trabalhadas”, explica.
Segundo ele, os projetos em grupo, fortalecem o lado cognitivo e também o emocional. “Eles aprendem a dividir material, a cooperar e a usar a habilidade individual de cada um para chegar a um bom resultado final”, destaca.
A segurança, claro, também é prioridade. As ferramentas são classificadas por etiquetas coloridas: verdes para uso livre e amarelas para uso com supervisão. Já as vermelhas são restritas aos professores. Além disso, os alunos sempre utilizam equipamentos de proteção, como óculos e máscaras, quando necessário.
<EM>Em meio ao cheiro de madeira e às inúmeras ferramentas, nasce nos estudantes a certeza de que aprender pode ser algo criativo e transformador.
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