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Noite de Carnaval

Rodolfo de Souza
26/02/2026 | 09:05
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ARTE: Gilmar
ARTE: Gilmar Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Tanto Carnaval se fez porque a escola homenageou o presidente, que ficou mesmo a impressão de que todos os dissabores desta vida foram para o recuo da avenida só para que o assunto desfilasse sem atropelo e no tempo certo.

A mídia conservadora, a de sempre, até considerou a possibilidade de também ir para a avenida com o seu samba enredo “pau no presidente imprudente”, embora tenha contido os ímpetos no último instante, quando os tamborins já estavam no aquecimento, talvez por perceber que pegava pesado no quesito.

É certo que o presidente fora orientado por gente versada no assunto, que lhe sugeriu cautela. E cautela foi o que se viu na passarela onde se cantou a força e a coragem de um homem e de um povo que samba no compasso da soberania. É impossível não sentir tudo isso atualmente, sobretudo quando retumba nos corações brasileiros de verdade a batucada desta rica pátria Tupinambá que tem levado sua batida vigorosa também aos quatro cantos do mundo.

É claro que muitos atiraram pedras no telhado da escola, uma vez que estão desesperados à procura de um pretexto para derrubar o presidente e sua pretensa ideia de reeleição. Onde já se viu?

Mas tudo transcorreu da forma esperada, afinal. Até mesmo a cobertura do desfile dessa escola foi caprichosamente tacanha, uma vez que a televisão que detém os direitos de transmissão não teria se esmerado a contento no trabalho como fez com as outras. Tanto melhor! Enganou-se redondamente quem disse que haveria propaganda eleitoral.

De qualquer forma, deu o que falar. Imagine que o presidente, ora homenageado, desceu até o asfalto para beijar o pavilhão da escola que o homenageou! Logicamente que o líder da nação continuou na arquibancada apreciando as demais escolas da noite, e fez questão de também descer e beijar os seus pavilhões. Presidente cobra criada é assim, conhece muito bem o terreno minado sobre o qual caminha.

Mas a escola perdeu o Carnaval e fora rebaixada! Que tristeza! Teria sido pela homenagem prestada? Não sabemos. Não teve como competir com as grandes, tudo indica. De qualquer forma, seu nome esteve em alta por muito tempo. É possível até que nunca tenha se falado tanto nela. Seu enredo, pelo que se vê, rendeu-lhe, afinal, alguns louros, por que não?

E, com relação ao presidente cantado em prosa e em verso no sambódromo, este deixou o Carnaval daqui e levou seu bloco para desfilar lá no oriente do mundo. Bloco este composto por foliões do agro brasileiro para lá de interessados em fazer negócios com a Índia e com a Coreia do Sul, mercados importantíssimos para esta nação que, depois do Carnaval, deve voltar para os trilhos e retomar o ritmo do crescimento, segundo determinam os surdos de marcação, aqueles instrumentos que marcam a cadência do desfile, e que, no caso do crescimento econômico do Brasil, são fundamentais para que não se perca o passo, não se abra buracos nas alas e não se estoure o tempo marcado pelo rigoroso relógio do crescimento.

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.com




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