Carinho com o mundo animal A pequena e adorável Margarida envolve as crianças na rotina de tarefas, gerando respeito e mais responsabilidade
Nario Barbosa/DGABC

Nas últimas semanas, o debate sobre o cuidado e respeito aos animais ganhou destaque nacional e reacendeu o debate sobre a importância da educação socioemocional na infância. Em São Bernardo, porém, o Colégio Arbos desenvolve o tema inteligência emocional todos os dias e de forma simples, com a presença da dócil Margarida, uma tartaruga-tigre-d’água que se tornou mascote da unidade.
A proposta faz parte de um programa didático com as turmas. Bem mais do que um projeto, a presença do animal integra a rotina dos alunos, que acompanham sua alimentação, ajudam na limpeza do espaço e observam o simpático réptil ao longo de toda semana.
O pequeno Otto Casemiro, 4 anos, ainda mistura timidez e espontaneidade ao falar sobre a experiência. Entre respostas curtas, ele destaca suas preferências. “Gosto de fazer carinho nela”, explica. A hora de entregar a ração é outro momento que encanta o menino, que demonstra apego nos gestos e nos cuidados.
Maria Fernanda Lima Coimbra, 4, também não esconde a animação ao listar as tarefas favoritas com Margarida. “Dar ração e pegar ela no colo. Eu me sinto muito feliz”, relatou a garota, demonstrando um dócil sentimento de carinho.
Já Gabriel de Freitas Paula, 4, fala com entusiasmo sobre os momentos ao lado do bichinho. ‘É muito bom pegar ela no colo e passar a mão. É uma sensação estranha, mas muito legal”, destaca. Ele recorda do dia em que a turma levou Margarida para um campo, onde ela caminhou, passeando livre pela grama enquanto as crianças faziam um túnel com as pernas para que ela passasse. “Ela gosta muito de carinho”, finalizou, ao comentar sobre os icônicos cafunés no casco e na cabeça.
Por sua vez, Alice Garcia Henrique, 4, associa o cuidado aos afazeres práticos do dia a dia. “Dar comida, pegar ela no colo e limpar todo o espaço dela”, enumera. Para a menina, a tartaruga é uma amiga pois está dentro da escola, além de se sentir feliz por falar sobre todo o vínculo afetivo que criou com a pequena “colega cascuda”.
A organização da rotina inclui um ajudante do dia, responsável por auxiliar na alimentação e cuidados. A limpeza do espaço onde ela mora é feita semanalmente, sempre com orientação das professoras e participação das turmas.
NO DIA A DIA
Para incentivar a participação, o ambiente onde Margarida vive foi elaborado pelos próprios alunos, passando por inúmeras adaptações com apoio constante da comunidade escolar. As crianças acompanham as mudanças e entendem que o espaço precisa estar limpo e adequado para garantir o bem-estar habitual da tartaruga.
Além dos cuidados físicos, a experiência se conecta às aulas de linguagem e ensino bilíngue. Cumprimentar a mascote com tradicional “good morning” (bom dia, em inglês) já se tornou hábito entre as mais diversas turmas, ampliando o aprendizado de forma natural. integrada e dinâmica.
Ao transformar a presença da tartaruga em uma prática pedagógica contínua, a escola reforça numerosos valores que ultrapassam o conteúdo formal e se consolidam no cotidiano: respeito, responsabilidade e amor ao próximo, não apenas no escolar, mas também no dia a dia de suas famílias.
A professora Cristina Martins Bernardes, 33 anos, explica que a chegada de Margarida transformou a dinâmica da turma. “Sinto que as crianças estão mais atentas e carinhosas. Elas se preocupam mais, não só com a Margarida, mas com todos. O cuidado entre os colegas e com as outras salas melhorou”, afirma. Segundo ela, o exercício diário de cuidar faz com que os pequenos entendam, na prática, que um ser vivo depende delas para estar bem.
Ela também destaca que a proposta vai além de uma atividade pontual. “Elas são crianças que sempre foram cuidadas por um adulto. Aqui, começam a exercitar o contrário: cuidar de um outro serzinho. Para a Margarida viver, ela precisa de ambiente limpo, de comida, de carinho. E elas percebem isso”, comentou.
Também professora, Julia Alves dos Santos, 26, ressalta como a rotina fortaleceu o senso de empatia. “Acho que é principalmente esse cuidado com o outro. Eles acabam tendo atenção não só com eles próprios, mas com os amigos, com o ambiente, com o espaço dela”, diz.
A profissional também lembra que o envolvimento acontece de forma gradual, inclusive para quem tinha receio. “Eu mesma tinha um pouquinho de medo no começo. Mas, aos pouquinhos, a gente vai passando a mão no casco, dando a comidinha, e entendendo que ela só quer ser cuidada e amada”, relata.
Para as educadoras, o mais significativo é perceber que o vínculo permanece mesmo quando as crianças avançam de turma. O elo afetivo construído com a mascote continua presente nas visitas, nos gestos de carinho e na responsabilidade que ultrapassa a sala de aula.
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