Saúde de Família & Comunidade
ARTE: Fernandes

O medo de envelhecer é muito presente na nossa sociedade como um todo. Ele traz gatilhos em diversos âmbitos: desde a proximidade do fim, etarismo no mercado de trabalho e na vida social e até mesmo sobre problemas de saúde associados ao avançar da idade. Antigamente, era comum a cena de idosos com pouca mobilidade, dificuldade de locomoção, com rara superação e chegada aos 90 anos. Mas o cenário mudou e para melhor.
Os super longevos, como são chamadas pessoas com mais de 100 anos, são mais de 37 mil apenas no Brasil, de acordo com o Censo de 2022, em contraponto a expectativa de vida no país na década de 60, que era de 52 anos, segundo o IBGE.
Hoje, a faixa etária de 70 anos está cada vez mais ativa. Encontramos grupos de idosos viajando, praticando esportes, brincando com netos nos parques e até festejando em bailes próprios para a terceira idade, o que não descarta o medo de alguns por envelhecer. Mas como driblar algo que é inevitável?
Cabelos brancos, rugas, sinais de flacidez realmente começam a surgir. Para alguns mais cedo, para outros mais tarde, mas eles aparecem e vão indicando que estão chegando ao avançar da idade. Alguns teimam em não querer envelhecer e mesmo com a idade marcada na carteira de identidade se tornam adeptos de processos estéticos que, inclusive, estão cada vez mais populares. Não que isso seja um problema, mas é bom sempre ficar vigilante quanto ao excesso e entender que o envelhecimento faz parte do nosso ciclo e até uma confirmação de que estamos vivos.
E já que estamos envelhecendo de uma forma diferente de décadas atrás, o comportamento desse envelhecer também pode ser de outra maneira. Até porque a Medicina avançou nesse período, além da ampliação do acesso ao saneamento básico e educação pública, o fortalecimento do SUS, com a incorporação de vacinas, distribuição gratuita de medicamentos e controle de doenças crônicas são fatores que contribuíram e muito para esse aumento de expectativa de vida.
A vida pode e deve continuar ativa na velhice. Poder ter a liberdade para executar tarefas simples do dia a dia como tomar banho, trocar de roupa, preparar refeições, autonomia de ir ao mercado e padaria para escolher o que irá comprar e até mesmo os alimentos para consumo fazem muito bem para além da saúde física, mas também para o lado mental e emocional também.
Para chegarmos lá nessa condição física, precisamos começar os cuidados na juventude e ainda na vida adulta, a partir da construção e manutenção de hábitos saudáveis não apenas os alimentares, mas também em leitura, estudos, jogos manuais, como xadrez, dama ou até mesmo a velha e boa palavra cruzada, que mantém o cérebro ativo, além de evitar o excesso de tela, que infelizmente, também está afetando os idosos.
De acordo com dados da Nielsen, os idosos estão mais obcecados por telas quando comparado com os jovens, passando muitas horas diárias em frente a elas, o que pode invalidar a interação social que é realmente importante para a nossa vida, principalmente na velhice.
Por isso, começar desde já a ter alguns limites trará hábitos e comportamentos que farão a sua vida mais plena e saudável e até mesmo mais forte para enfrentar os desafios que surgem ao longo de toda a vida.
E por fim, não tenha medo. Só chega na terceira idade quem está vivo. Agradeça a essa oportunidade, independentemente da circunstância. Envelhecer é um privilégio, e viver com presença, equilíbrio e saúde é o que torna essa jornada mais significativa.
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