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No mês da mulher, meninas da região dão exemplo de talento e persistência

Garotas do Grande ABC mostram que dedicação e sonhos não têm idade, representando uma geração empoderada

Fábio Júnior
Especial para o Diário
08/03/2026 | 14:15
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O dia 8 de março não é uma data qualquer. Ele representa luta, resistência e conquistas, no caso, simbolizado pelo Dia Internacional da Mulher. A origem do movimento começou lá no século 20, quando trabalhadoras passaram a organizar protestos por melhores condições de trabalho, salários justos e direitos políticos. Um dos marcos históricos foi a greve das operárias russas em 1917, que faziam suas reivindicações em um cenário marcado pela fome e pela guerra. Em 1975, a ONU (Organização das Nações Unidas) oficializou a data, transformando em um momento de reflexão global.

Mais do que relembrar um momento histórico, o mês de março é uma oportunidade de olhar para o presente e futuro. No Grande ABC, meninas ainda muito jovens já mostram saber o que querem. Com talento, dedicação e coragem, dizem acreditar que podem abrir caminhos em diferentes áreas. Afinal, lugar de mulher (e de menina) é onde ela quiser. 

Uma dessas histórias é a de Manuela Nascimento Rocha Miranda, 12 anos, moradora do Jardim Silvana, em São Bernardo. Apaixonada por desenhos, ela conta que a habilidade surgiu ainda na infância. “Quando era pequena, vi um vídeo ensinando a desenhar. Depois, meu pai mostrou alguns desenhos que ele fazia ainda criança e comecei a me inspirar muito nele. A partir daí, fui desenhando cada vez mais”, disse.

Além dos traços, a menina conta que também desenvolveu outros dons. Sem nunca ter feito cursos formais, a jovem aprendeu inglês e algumas expressões em coreano, graças ao estilo musical K-pop. “Via vídeos infantis e comecei a copiar as palavras na minha cabeça. Quando aprendi a ler, fui entendendo as traduções e as palavras foram ficando. Hoje consigo formar frases, pedir comida, falar bom dia e boa noite”, conta. Além disso, Manuela criou um canal no YouTube sobre o jogo Roblox, inspirado por criadoras de conteúdo que admira. Ela segue determinada e já pensa em caminhos futuros ligados à arte. “Imagino trabalhar com algo criativo, talvez artesanato, ser professora de inglês ou até estilista, porque adoro criar roupas e estilos diferentes”, comentou. 

DENTRO DE CAMPO

O futebol aparece como espaço de protagonismo feminino na história de Maria Eduarda Oliveira Lopes, 13 anos, residente do bairro Santa Maria, em São Caetano, atleta do sub-15 do Santo André. “Comecei a jogar aos quatro anos. No começo, brincava com meu pai, mas ele percebeu que eu tinha talento e fui realizar testes em alguns times. Fiz no Corinthians e também no Santo André, e foi lá que fui aprovada”, falou.

Atacante, ela carrega orgulho ao vestir as cores do Ramalhão. “Defender o Santo André é uma honra. É uma camisa muito pesada, cheia de história, e a gente entra em campo querendo representar isso da melhor forma”, disse. Mesmo sendo um ambiente onde muitas vezes os meninos são predominantes, ela afirma que encara tudo com naturalidade. “Se alguém fala que futebol é coisa de menino, fico tranquila e respondo que o futebol é para todo mundo, independente de ser mulher ou homem”. 

Admiradora da craque brasileira Marta, ela diz se inspirar na jogadora pela forma de jogar. “Acho que tenho características parecidas com as dela em campo, então me inspiro bastante. O futebol também me ensinou que a gente nunca pode desistir, sempre tem que continuar tentando”, finalizou.

MUNDO DA MÚSICA

Já Maria Eduarda Padilha Silva, 12, vive no bairro Nova Petrópolis, no município são-bernardense e, desde pequena, demonstra paixão pela música. “Minha mãe cantava alguns louvores e eu gostava muito de ouvir. Aos poucos fui pegando gosto por cantar e comecei a estudar música”, conta. 

O talento levou a jovem a uma conquista importante: passar pelas seletivas para integrar ao coral do grupo Palavra Cantada, exigindo um processo marcado por dedicação e controle do nervosismo. “Gravei um vídeo cantando à capela em casa e enviei para a audição. Depois passei por quatro eliminatórias. Foi difícil, mas quando soube que tinha sido aprovada fiquei muito feliz, contei para todo mundo na escola e para toda minha família”, lembra

Para ela, ocupar espaços na arte é um ponto essencial para meninas. “Acho muito importante continuar seguindo na arte, seja música, pintura ou desenho. É legal ver meninas explorando isso e indo em frente no que gostam”, afirmou. 

Em diferentes áreas, as meninas da região demonstram que podem ocupar qualquer espaço que desejarem, seja dentro das quatro linhas, nos palcos, ou no universo da arte e tecnologia. Histórias como as das três garotas mostram que o talento e a determinação jamais vão depender da idade e que o impossível não existe. 

No mês dedicado às mulheres, exemplos como esses reforçam a mensagem que incentivar sonhos desde cedo é essencial para construir uma sociedade mais igualitária. Afinal, quando meninas acreditam em si mesmas e encontram apoio, o futuro se torna um espaço cheio de oportunidades.

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