Sabores & Saberes
Gilmar

Crianças e adolescentes, entre 5 e 19 anos, compõem um grupo populacional que apresenta mudanças dramáticas nos percentuais de sobrepeso e obesidade ao longo dos últimos 25 anos.
Embora o fenômeno não seja uma exclusividade brasileira, nossos números são bem mais assustadores: enquanto a média global de excesso de peso nesta faixa etária é de 20,7%, no Brasil alcançamos lamentáveis 38,4%.
Estes dados estão disponíveis no World Obesity Atlas 2026, elaborado pela Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation) e divulgado nesta quarta-feira, 4 de março, Dia Mundial da Obesidade.
Alguns apontamentos tornam-se importantes, pois denunciam causas desse cenário, a começar pelo fato de que o ganho ponderal nesse grupo etário é maior nas classes sociais menos favorecidas. Restrições financeiras implicam em buscas por alimentos mais baratos, quesito que os ultraprocessados não são facilmente combatidos.
De outro lado, possuímos poucas políticas públicas que estimulem comportamentos alimentares mais saudáveis; contudo, o consenso dominante sobre a comida saudável nos cardápios escolares da rede pública é uma honrosa exceção.
Provavelmente, os preâmbulos do acúmulo desproporcional de massa gordurosa ocorram desde os primeiros dias de vida, incluindo o período intrauterino, e, embora a contribuição genética ofereça potenciais distintos, a deflagração do processo e sua sustentação decorrem de provocações externas.
Substâncias químicas dispersas em vários nichos do meio ambiente, notadamente em alimentos ultraprocessados, são sabidamente capazes de interferir de forma irreversível nos mecanismos de fome e saciedade, estabelecendo as bases para o futuro excesso de peso.
À medida que estes compostos permanecem corrompendo o sistema de controle da ingestão alimentar, amplamente coadjuvado pelo sedentarismo, o ganho ponderal se consolida e essa parece ser a sequência de fatos a ser enfrentada para prevenirmos o avanço do ganho ponderal desde a primeira infância.
Apesar do enorme empenho em comunicação educativa desde o início deste século, patrocinado por entidades médicas e afins, o que conseguimos, nos últimos 25 anos, foi triplicar o percentual de crianças e adolescentes com excesso de peso, desempenho semelhante ao da população adulta.
Parece claro que não se trata exclusivamente de escolhas pessoais; é necessário que modulemos o meio ambiente, uma tarefa de execução aparentemente improvável em sua plenitude.
Diante da nossa incapacidade de intervir nas causas, não demora e logo estaremos sem alternativas para o controle da obesidade mundial, além da busca por soluções farmacológicas!
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