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Os números da guerra

Rodolfo de Souza
12/03/2026 | 09:30
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ARTE: Gilmar
ARTE: Gilmar Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Fala-se muito no custo da guerra que esbanja terror com mísseis caríssimos que destroem cidades, bases militares, navios, aviões...

Comenta-se os ataques, estratégias de uns e de outros, o poderio de fogo deste e daquele e sobre quem os apoia mesmo que à distância.

Especula-se a respeito de quem anda ganhando e de quem anda perdendo a contenda. Tudo com base no que se observa na infinidade de fotos e filmes que percorrem o mundo nas asas da internet, nas informações que chegam aos veículos de comunicação e também nas mentiras propagadas sem pudor, cujo alcance hoje cobre toda a superfície do planeta em segundos. Lembra até o tempo que um míssil hipersônico leva para atingir o seu alvo. É preciso lembrar, inclusive, do efeito devastador das mentiras, o mesmo efeito letal resultante do disparo de um míssil que hoje pode ser entregue, sem demora, no endereço certo.

E, no caso das mentiras, logicamente que cada lado visa tão somente trazer para si os louros das batalhas vencidas, mesmo que essas vitórias tenham lá um caráter meio duvidoso. Normalmente se reveste de muita bravura e poder quem faz a guerra, sempre com um mínimo de baixas e de danos materiais. É propaganda que exibe força para que a opinião pública conceda o seu precioso apoio aos chefes de governo que promovem o sinistro e não sabem bem o que fazer com ele e com o prejuízo resultante, uma vez que os recursos financeiros se esvaem a cada projétil disparado. Que ninguém duvide da enormidade de grana que leva cada foguete daquele que aparece nas telas somente como um risco luminoso no céu.

Mente-se muito, afinal. Omite-se bastante também. Não pode admitir, enfim, que deu com os burros n’água o todo poderoso que vê ruir o seu império, sobretudo, por seus desmandos políticos. Claro que o mesmo império vem apresentando rachaduras há décadas. Mas o atual imperador, pelo que tudo indica, vem jogando a pá de cal na economia que, admitamos, é a locomotiva do trem que ora descarrila como outros tantos mundo afora. 

Guerras, que fique claro, beneficiam o setor da economia que produz armas e munições. Também aqueles que produzem caixões e sepulturas ganham um bom dinheiro em época de conflito.

Como se sabe, e ninguém fala a respeito, vidas estão sendo ceifadas debaixo do tiroteio que pessoas dotadas de poder resolveram impingir aos seus iguais. O resultado não é outro senão lágrimas que vertem, independente do idioma falado e da cultura da região.

Fala-se, portanto, nos números como se gente fosse só isso, aquele que ora respira ora não respira mais, por causa das bombas despejadas em suas casas.

Corram para a escola, nossos filhos que lá estão para ocupar uma carteira na intenção de construir o seu conhecimento foram surpreendidos por um foguete que fez em pedaços o prédio e seus corações. Mas, qual é o problema? São apenas números, não são pessoas, segundo a visão dos senhores da guerra.

Logicamente que os filhos do imperador do norte e do homem da terra prometida, estes estão a salvo. O que importa a vida dos outros, afinal?

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.com




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