Saúde de Família & Comunidade
ARTE: Seri

Que a violência é um dos problemas mais graves vividos no Brasil todos nós sabemos e, muitas vezes, até sentimos em nosso dia a dia. Infelizmente, situações de violência são presenciadas em diversos espaços: nas ruas, a pé, de carro ou no transporte público, por meio de assaltos; dentro de casa, quando mulheres sofrem abusos e todo tipo de violência por parte de seus parceiros; e até mesmo nos serviços de saúde, quando profissionais são vítimas de agressões durante atendimentos.
Cada vez mais, o mês de março tem se tornado emblemático, ampliando o foco das campanhas relacionadas ao Dia Internacional das Mulheres. Antes, era comum vermos flores, chocolates, propostas de jantares e outros mimos, gestos que, de fato, as mulheres merecem receber, independentemente de uma data comemorativa. No entanto, em 2026, a data também foi marcada por manifestações e atos em todo o País, que pediram proteção, justiça pelos crimes cometidos e a garantia da liberdade de ir e vir sem medo de qualquer tipo de violência acometida por homens conhecidos ou desconhecidos.
Recentemente, o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou dados sobre feminicídio que apontam um recorde em 2025: foram registrados 1.470 casos. Esse número indica que, em média, quatro mulheres foram mortas por dia ano passado, muitas delas por seus companheiros ou ex-parceiros. E, além da tristeza que essa barbárie provoca, a morte não atinge apenas as mulheres assassinadas.
Filhos e filhas, pais, mães, irmãos, amigos e amigas e todos uma comunidade também são profundamente afetados. Perder uma pessoa de forma trágica deixa marcas emocionais profundas ao longo da vida, que muitas vezes, também repercutem na saúde física. A violência contra a mulher deixa marcas em toda a sociedade e nas comunidades, sendo considerada um grave problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde, devido aos impactos na saúde, no bem-estar e na economia.
Diante dessas situações, o SUS (Sistema Único de Saúde) torna-se mais do que essencial. É por meio dele que muitas mulheres recebem os primeiros atendimentos após sofrerem violência, em diferentes níveis e contextos. Além do cuidado necessário para tratar as consequências das agressões, o acolhimento realizado pelas equipes de saúde é fundamental para que a mulher se sinta segura e amparada, assim como seus familiares.
Quanto mais fortalecido estiver o SUS, maiores serão as possibilidades de implementação de políticas adequadas de proteção, acolhimento e cuidado às mulheres que sofreram violência ou vivem em contextos de vulnerabilidade social. Esse trabalho se concretiza também no acompanhamento contínuo realizado pelas equipes da Estratégia Saúde da Família, além de campanhas e projetos desenvolvidos nas Unidades Básicas de Saúde.
Nesse processo, a escuta qualificada, o cuidado contínuo e a articulação com a rede de proteção são passos fundamentais para romper ciclos de violência. Fortalecer os serviços de saúde, garantir equipes preparadas e ampliar políticas públicas de proteção às mulheres são medidas indispensáveis para promover o cuidado integral, prevenir novas violências e reafirmar o direito de todas as mulheres a uma vida digna e livre de violência.
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