Política Titulo Eleições 2026

Para especialistas, desinformação e IA desafiam as regras eleitorais

Repetição de conteúdos falsos em redes sociais pode influenciar a hora do voto, alerta advogada

João Vittor Espindula
Especial para o Diário
21/03/2026 | 22:16
Compartilhar notícia
FOTOS: Divulgação
FOTOS: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Especialistas em direito eleitoral e tecnologia alertam que, apesar das novas regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para o uso de IA (Inteligência Artificial) nas eleições de 2026, o avanço das ferramentas digitais e a rapidez com que conteúdos falsos se espalham nas redes sociais continuam a representar risco significativo de manipulação do eleitorado, especialmente quando estratégias simples e repetitivas são usadas para amplificar informações enganosas.

O TSE proíbe o uso de conteúdos gerados por IA sem identificação por parte do autor ou plataforma, conforme consta na o artigo 9-B da resolução 23.732/2024, quanto ao uso da manipulação para enganar o eleitor e a republi-cação de materiais já derrubadas pela Justiça. As normas também restringem a circulação de conteúdos sintéticos no período mais crítico da eleição, entre 72 horas antes e 24 horas depois do dia da votação, e veta a recomendação de candidatos por sistemas automatizados. 

Rodrigo Galuzzi Garcia Piva, professor e coordenador na Universidade Metodista de São Paulo, com atuação nas áreas de tecnologia, alerta que o avanço das ferramentas já permite a criação de conteúdos altamente realistas, o que exige maior cautela do eleitor. “Hoje é possível emular voz, imagem e vídeo com alto grau de realismo. Na dúvida, desconfie. Não acredite de primeira e procure sempre fontes confiáveis. É a primeira eleição em que vamos viver esse cenário com inteligência artificial de forma mais intensa”, orienta.

A advogada especialista em direito eleitoral e mestre em Direito Político e Econômico Natália Rubinelli afirma que o maior risco da desinformação nas eleições nem sempre está nos conteúdos mais sofisticados, como vídeos hiper-realistas gerados digitalmente. Segundo Natália, o impacto mais relevante pode vir de estratégias mais simples, mas organizadas, que exploram o alcance e a repetição nas redes sociais para influenciar o eleitorado.

“O deepfake (vídeos, áudios e imagens falsas feitas artificialmente e que parecem reais) chama mais atenção, mas o mais perigoso hoje é a repetição massiva de conteúdos simples e apelativos, que acabam normalizando informações falsas e gerando engajamento contínuo”, destaca. 

De acordo com a advogada, o TSE, ao tratar da desinfor-mação eleitoral, não se limitou a proibir deepfakes. “Também vedou conteúdo fabricado e manipulado com potencial de afetar o equilíbrio do pleito e reconheceu, em precedente de grande repercussão, que a repetição estratégica de informações falsas pode integrar uma arquitetura de desordem informacional com alta capacidade de mobilização política ”, diz.

Estudos mostram que notícias falsas se espalham mais rápido nas redes

Apesar das regras e das tentativas de controle, o uso da inteligência artificial nas eleições ainda levanta dúvidas sobre a capacidade de resposta diante da velocidade das redes sociais e da sofisticação dos conteúdos. Estudos acadêmicos apontam que a velocidade de circulação é um dos principais fatores que impulsionam a desinformação nas redes sociais. 

Pesquisa publicada na revista científica Science mostra que notícias falsas se espalham mais rápido, alcançam mais pessoas e têm maior engajamento do que conteúdos verdadeiros. Outros levantamentos na área, reunidos em publicações científicas como a Nature, indicam que conteúdos falsos tendem a explorar mais elementos emocionais, o que favorece a viralização e amplia o alcance nas redes sociais.

Para o professor doutor e coordenador na Universidade Metodista de São Paulo, Rodrigo Galuzzi Garcia Piva, o principal desafio não está apenas em identificar conteúdos falsos, mas em reagir a tempo diante da velocidade com que se espalham nas redes sociais. 

Natália Rubinelli, advogada especialista em direito eleitoral e mestre em Direito Político e Econômico, avalia que a velocidade de circulação das informações nas redes sociais impõe desafios à atuação da Justiça Eleitoral, que ainda corre atrás desse ritmo. 

“A Justiça avançou para responder mais rápido, mas ainda corre atrás da lógica das redes. A circulação da informação é mais veloz do que a capacidade de resposta institucional”, afirma. 

A especialista também destaca que a remoção de conteúdos não resolve completamente o problema. “A retirada é necessária, mas não apaga o impacto da desinformação já absorvida pelo eleitor”, completa.

LEIA TAMBÉM

Prefeitura de Santo André amplia rede educacional com mais de 600 novos servidores




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;