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O desafio das ‘fake news’ em ano eleitoral

Paulo Serra
21/03/2026 | 22:30
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ARTE: Seri
ARTE: Seri Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Em um país democrático, a informação é um dos pilares mais importantes para a tomada de decisão coletiva. É por meio dela que o cidadão forma sua opinião, escolhe seus representantes e participa ativamente da vida pública. No entanto, em tempos de hiperconectividade, esse mesmo ambiente que amplia o acesso à informação também abre espaço para a desinformação; especialmente em anos eleitorais.

Curiosamente, o tema das fake news parece ter perdido espaço no debate público recente. Mas essa aparente diminuição não significa que o problema foi resolvido, muito pelo contrário. Historicamente, períodos eleitorais são marcados por um aumento significativo na circulação de conteúdos falsos ou distorcidos, muitas vezes produzidos com o objetivo deliberado de influenciar a opinião pública.

Vivemos hoje uma realidade em que a informação circula em alta velocidade e em múltiplas plataformas. Isso é, sem dúvida, um avanço importante. O acesso ampliado à informação fortalece a democracia, pluraliza o debate e dá voz a diferentes perspectivas. Mas essa mesma abundância exige, mais do que nunca, responsabilidade individual e coletiva.

O grande desafio não está apenas em produzir informação, mas em saber consumi-la. Em um cenário em que qualquer conteúdo pode ganhar aparência de verdade, cabe ao cidadão desenvolver o hábito de verificar fontes, buscar diferentes versões dos fatos e desconfiar de conteúdos sensacionalistas ou que apelam exclusivamente para emoções.

Essa é, inclusive, uma dimensão essencial da cidadania contemporânea: a capacidade crítica diante da informação. Não se trata apenas de um direito, mas de um dever democrático. Decidir com base em informações falsas ou manipuladas compromete não apenas escolhas individuais, mas o próprio funcionamento do sistema democrático.

Falo também por experiência própria. Eu e a Ana Carolina já fomos, e seguimos sendo, vez em quando, alvos de fake news. Muitas vezes, não se tratam de grandes acusações estruturadas, mas de boatos, comentários distorcidos ou narrativas completamente desconectadas da realidade do nosso trabalho. Em alguns casos, essas informações chegam até mesmo a circular em espaços que deveriam prezar pelo rigor informativo, o que torna o problema ainda mais grave.

Sempre buscamos a correção e a reposição da verdade. E, na maioria das vezes, ela prevalece. O trabalho sério, os resultados concretos e a transparência acabam se impondo. Mas é inegável que o dano causado pela desinformação, ainda que temporário, afeta reputações, distorce percepções e fragiliza o debate público.

Por isso, é fundamental também reconhecer o papel da boa imprensa. O Brasil possui veículos sérios, profissionais comprometidos e um histórico importante de contribuição para a consolidação do Estado Democrático de Direito. Essa imprensa responsável é um patrimônio que deve ser valorizado e fortalecido.

Ao mesmo tempo, é necessário que todos os atores, inclusive os próprios meios de comunicação, redobrem a atenção com a checagem de informações, a qualidade das fontes e o compromisso com a verdade. Em um ambiente saturado de conteúdos, a credibilidade passa a ser o principal ativo.

O combate às fake news não será resolvido apenas por leis ou plataformas tecnológicas. Ele passa, sobretudo, por uma mudança cultural. Uma sociedade mais consciente, mais crítica e mais comprometida com a verdade é a melhor defesa contra a desinformação.

Em um ano decisivo para o Brasil, essa reflexão se torna ainda mais urgente. Seremos, inevitavelmente, expostos a uma avalanche de informações – verdadeiras e falsas. Cabe a cada um de nós separar o joio do trigo, exercendo com responsabilidade o nosso papel de cidadãos.

Porque, no fim das contas, a qualidade da democracia depende, em grande medida, da qualidade da informação que escolhemos acreditar.

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