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Respeitável público, circo é um lugar de brincar e também de aprender bastante!

Em Diadema, iniciativa gratuita oferece aulas de arte circense para promover inclusão social e educação

Fábio Júnior
Especial para o Diário
22/03/2026 | 09:29
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Entre risadas e cambalhotas, é chegado o momento de celebrar uma das artes mais encantadoras do mundo. Comemorado em 27 de março, o Dia Nacional do Circo homenageia o icônico palhaço Abelardo Pinto (1897-1973), conhecido como Piolin, um dos maiores nomes da história circense brasileira.

A data, além de valorizar artistas como acrobatas, malabaristas e mágicos, reforça ainda a importância do circo como ferramenta cultural e social, capaz de aproximar pessoas, estimular a criatividade e levar alegria a públicos de todas as idades. Mais do que espetáculo, o picadeiro se transforma em espaço de expressão, aprendizado e encantamento, onde cada número revela talento, dedicação e imaginação sem limites.

Essa realidade é vivida diariamente no Circo Escola Diadema, fundado em 2008 a partir da parceria entre a prefeitura e a Associação Cultural e Educacional Circense Tapias Voadores, família tradicional do meio. O projeto se consolidou como referência no Grande ABC, oferecendo atividades gratuitas que unem arte, educação e inclusão. Ao longo de toda a trajetória, o local já atendeu cerca de 100 mil pessoas, promovendo oficinas que vão de acrobacias e malabares a modalidades aéreas, como trapézio e a lira, realizada numa estrutura circular suspensa.

Para os alunos, o espaço representa mais do que aprendizado técnico, sendo também um ambiente de acolhimento, descoberta e superação. A jovem Kyara dos Santos Simões, 10 anos, conta que decidiu entrar no circo após ver uma amiga praticando. “Achei muito legal e pedi para a minha mãe me colocar. Aqui eles ajudam bastante a gente.” Mesmo com o nervosismo antes das apresentações, ela não esconde o entusiasmo: “Gosto muito, principalmente quando dá tudo certo e todos acertam”.

Por sua vez, o colega Bernardo Martins Vieira, 10, destaca a variedade de atividades como um atrativo. “Tem muita coisa para fazer, como acrobacia e outras atividades. É legal porque a gente aprende bastante e também tem apresentações”, fala.

Já Andressa dos Santos Rodrigues, 12, encontrou no circo uma paixão de longa data. Praticante desde a infância, ela se identifica principalmente com atividades feitas nas alturas. “Gosto da lira, acho muito bonita e sempre a via em espetáculos. Eu me identifico bastante com a atividade”, comenta.

Para ela, os desafios fazem parte do processo. “Mortais na cama elástica são difíceis, exigem técnica e coragem. Mas é muito bom aprender”, afirma. A garota ainda destaca os impactos fora do picadeiro. “Ajuda na concentração, no físico e eu sinto que mudei bastante depois que comecei”, observa. 

SOB A LONA

Mais do que formar artistas, o projeto tem como foco o desenvolvimento integral dos aprendizes. De acordo com a professora circense Verônica Ester Tapia, 45 anos, o circo trabalha diversas competências ao mesmo tempo. “A gente desenvolve o cognitivo, o motor e o socioafetivo. É uma educação completa, de corpo inteiro”, explica. Segundo ela, as atividades são adaptadas conforme a idade e o nível de cada aluno, respeitando o processo individual de aprendizagem.

A segurança é prioridade no espaço. Equipamentos específicos, como colchões, cintos e tatames, além da manutenção constante, garantem que as práticas sejam realizadas de forma segura, sempre com acompanhamento dos educadores. 

Para a coordenadora Viviane Tapia da Costa, 52, o impacto da atividade vai além da técnica: “O circo deixou de ser apenas espetáculo. Hoje ele é uma linguagem múltipla, que contribui para o desenvolvimento motor, intelectual e, principalmente, para a formação cidadã”. 

Ela destaca o papel da iniciativa em regiões com maior vulnerabilidade social. “A gente fala de pertencimento, de afeto. O circo é um espaço onde as pessoas se reconhecem e se sentem parte de algo”, finaliza. 

Reconhecido como patrimônio imaterial do município diademense e do Estado de São Paulo, o projeto segue em plena expansão. Para este ano, estão previstos novos investimentos, como a criação de um espaço de memória do circo, oficinas de profissionalização e o lançamento do Sarau do Circo, com o objetivo de ampliar ainda mais o acesso à cultura.

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