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Bom seria

Rodolfo de Souza
26/03/2026 | 08:54
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ARTE: Fernandes
ARTE: Fernandes Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Bom seria se fosse dada às civilizações do mundo, o direito de viverem em paz! Somente isso.

Bom seria se povos não fossem castigados pela miséria, pela fome e pela falta de saneamento que os levam à morte. 

Bom seria se criaturas abastadas e cheias de poder usassem suas mãos para auxiliar o próximo, não para aniquilá-lo! Acaso não tivessem mãos de longas unhas sujas e daninhas, talvez o outro pudesse viver sem o peso de uma bota sobre a cabeça.

Mas as pessoas ricas de origem ou aquelas que tiveram acesso fácil à riqueza por meios lícitos ou não, fazem uso do poder a elas conferido pelo volume de dinheiro e de posses acumulados que as tornam respeitadas e temidas. Gente de cuja boca saem palavras que se fazem ouvir somente nos meios habitados por outras criaturas ligadas, de alguma forma, a, pelo menos, um tipo de poder. 

São poderes que, enfim, se confraternizam por se completarem, tornando-se um todo com muita força e fúria. São eles capazes de mover as opiniões públicas segundo seus interesses que seguem planos bem arquitetados que elegem e depõem chefes de estado, por exemplo. É o poder que engole o oponente. Quando o tem, claro. 

Por meio de ameaças ou mesmo de ações, essa gente que age sempre nos bastidores, exerce controle sobre o mundo em que vivemos, de forma a não permitir que qualquer pessoa que não carregue um baú de ouro se interponha no seu caminho. Flagelo este que, aliás, tem assolado as civilizações desde sempre, razão pela qual ganhou um tom de normalidade, a ponto de jamais se levantar contra esse poder qualquer voz que, no seu íntimo, se revolte e não o aceite, embora o engula. Condição desumana passada de pai para filho, geração após geração, através dos séculos, tanto de um lado quanto de outro.

Só que agora o mundo assiste a outra guerra, mais uma dentre tantas. Não obstante ser esta talvez a maior em intensidade de conflitos desde a segunda guerra mundial. Diga-se de passagem, lá nos anos quarenta, grandes aviões, chamados bombardeiros precisavam viajar até a casa do inimigo para despejar algumas bombas na sua cabeça. Hoje não é mais necessário, uma vez que as bombas viajam sozinhas, desacompanhadas de seus donos que pensam, com muito zelo, na entrega da mercadoria no endereço certo, jamais na casa vizinha. Desnecessário mencionar aqui a rapidez com que o destinatário recebe o objeto que deixa um rastro de destruição e morte de gente que está a anos-luz de distância da condição social de quem promove a tristeza por atacado, só para satisfazer seus anseios de mais poder. 

A tecnologia envolvida nas guerras atuais tende, pois, a colocar no chinelo os horrores de guerras passadas. E isso é deveras perturbador no momento em que paramos para pensar que o ser humano vem desenvolvendo formas cada vez mais sofisticadas de tirar a vida do ser humano. Inquieta mesmo imaginar como décadas de desenvolvimento tecnológico de nada serviram para a evolução do espírito do homem, este que trabalha com afinco para dar cabo da própria existência.

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.com




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