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Pobre geração

Rodolfo de Souza
09/04/2026 | 08:52
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ARTE: Seri
ARTE: Seri Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


É preciso escrever, colocar no papel toda a apreensão e a angústia que habita o peito de quem vive num país de gente pouco ou nada acostumada com o salutar exercício do saber.

Pessoas que caminham distantes do bom-senso, enfim, dão o tom do comportamento geral, aquele que costuma ditar as regras nos dias de hoje, época de redes sociais em que o mau-gosto é sempre receita de sucesso.

O adolescente, em sua maioria, não se afina com os estudos. Essa é a verdade. Despreza, pois sim, qualquer assunto de cunho intelectual, razão pela qual frequenta os bancos escolares com a única finalidade de promover encontros sociais, onde se discute somente banalidades. 

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Da mesma forma, não se atém aos fatos que dizem respeito à vida, à sua vida. Não se dá ao trabalho sequer de buscar a informação que consequentemente leva ao conhecimento. É preciso entender, afinal, que tudo isso dá muito trabalho, e a preguiça, contida no seu cerne, é senhora no momento em que o pseudo-estudante ocupa uma carteira, lugar em que deveria estar sentado um estudante de verdade. Gente determinada a fazer do estudo a sua ferramenta para a construção de uma vida melhor, mais justa, num país melhor e mais justo. E uma nação remodelada por pessoas que fizeram da sabedoria a sua bandeira, por certo que seria mais evoluída, preparada para ser o berço e a morada de uma população que, de fato, experimentou o crescimento.

Talvez não possamos atribuir ao jovem moderno tamanha culpa, tendo em vista que este vem de um lar em que pessoas com bem mais idade vêm falhando na sua orientação, na direção que deve tomar. 

É possível que o digníssimo leitor, que dedica o seu precioso tempo na leitura destas palavras, considere desatino o que se passa na mente deste escritor que ora observa, inconformado, logo ali à sua frente, essa juventude de mente tão miúda. O que será dela e do futuro que a aguarda é perturbação que tira o sono, sobretudo, quando vemos que não há criticidade com base sólida em suas palavras com relação à sociedade, à política, à geopolítica, enfim... Sua crítica normalmente vem desprovida da necessária argumentação. Críticas vazias, pois, é o que se vê no meio.

Tudo isso gera inquietação justamente porque me refiro à maioria. À quase totalidade dos alunos, uma vez que até aqueles que carregam o selo de mais inteligentes, mais comprometidos com o avanço intelectual, não se mostram lá muito afinados com a coisa em si. Parece que a doença é mesmo contagiosa.

Insisto, porque é a minha função insistir, no despertar dessas mentes para um mundo cheio de possibilidades, embora elas insistam e persistam em habitar as profundezas do obscurantismo. É até provável que sintam certo aconchego ali, por que não? 

Pobre geração que se tornou precocemente pobre, por não ter descoberto o caminho que a levaria a um mergulho na mágica aventura do conhecimento. Claro que, por não ter experimentado ou mesmo sentido tal magia, não tem como entender este meu recado. Ele, afinal, lhe soará um tanto estranho e de difícil entendimento.

Tudo porque ela, a pobre geração, não sabe.

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.com




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