Saúde de Família & Comunidade
ARTE: Fernandes

Possivelmente, você já se questionou se aquele vídeo que apareceu no seu feed nas redes sociais era verdadeiro ou feito por Inteligência Artificial. Em 2026, observamos mais do que em qualquer outro ano o debate sobre o que é papel da tecnologia e o que permanecerá sob responsabilidade do pensamento humano. E, claro, a Medicina não estaria fora dessa discussão. Essas buscas podem ir desde como aliviar uma simples dor de cabeça até situações mais graves, como sinais de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).
Antigamente, com acesso mais restrito aos médicos e médicas, a sabedoria popular e tradicional, especialmente aquela que utiliza elementos naturais como ervas, era transmitida de geração em geração, sobretudo em zonas rurais mais afastadas dos centros urbanos, onde, décadas atrás, o acesso ao atendimento médico era mais difícil.
Hoje, com o acesso cada vez mais amplo à internet por meio de smartphones com dados móveis, somos impactados por uma infinidade de informações, muitas delas nem sempre verdadeiras. Inclusive, boa parte apresenta viés comercial, oferecendo soluções para problemas de saúde que, muitas vezes, nem existem.
Além das fakenews, os profissionais de saúde lidam diariamente com uma tecnologia mais recente, a Inteligência Artificial. Não se trata de uma luta direta contra ela, já que é um avanço tecnológico que, quando bem utilizado, pode trazer muitos benefícios, além de agilidade e otimização de resultados. O problema surge quando é usada para enganar pessoas ou gerar pânico desnecessário em situações de saúde.
Com a IA, tornou-se mais difícil distinguir o que é realmente verdadeiro. Imagens de profissionais conhecidos e renomados são utilizadas sem autorização para promover medicamentos, métodos e suplementos, muitos deles sem evidência científica, deixando qualquer pessoa em dúvida sobre seu estado de saúde, mesmo estando sem sintomas e plenamente saudável.
Nesses casos, a sensação de insegurança pode surgir, gerando angústia e conflitos internos, levando a pessoa a consumir algo desnecessário para tratar um problema inexistente. Além do impacto emocional, o aspecto financeiro também precisa ser considerado. Infelizmente, muitas pessoas acabam se endividando para realizar exames desnecessários ou adquirir produtos que o mercado insiste em afirmar que são essenciais.
Por mais que o poder de convencimento de quem está do outro lado da tela seja grande, sua saúde vale muito mais, assim como seu dinheiro. Caso você seja impactado por alguma mensagem, independentemente do meio pelo qual ela chegou, seja pelas redes sociais ou por indicação de conhecidos, antes de tomar qualquer decisão, consulte o médico ou médica que acompanha você. Esse profissional é o mais adequado para orientar sobre o que realmente é necessário, de acordo com suas condições de saúde, preservando sua qualidade de vida e também seu bolso.
Fabiano Gonçalves Guimarães é presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade
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