Cotidiano E a guerra não acabou. O que houve foi um cessar fogo com base em acordos muito frágeis. Somente isso. Aliás, o senhor da guerra não tirou o seu time de campo lá no sul do Líbano, o que tornou ainda mais difícil se sentar numa mesa para negociar. Fala-se, inclusive, no retorno da guerra por esses dias, e com escalada. Que fique bem claro que escalada é um termo bastante usado em momentos como esse, que significa, nada mais nada menos, do que o agravamento da coisa. Como se já não fosse grave o suficiente.
O mundo assiste, pois, incrédulo a um conflito que envolve milhares de mortes na região afetada. São vítimas nos países que admitem os números e nas nações que os escondem. E é bom nunca esquecer de que esses algarismos arábicos, deitados com muito capricho em folhas de estatísticas, são pessoas cujo sangue verte na sarjeta da guerra, como sempre acontece. É gente ludibriada por mensagens, largamente disseminadas, que tentam convencê-la de que será morta pela tirania do homem do saco, caso este não seja detido o quanto antes. Eliminado, se possível.
E o império, de ombros largos e voz grossa, tenta, como sempre fez, se impor por meio do seu poder de fogo. Todavia, já é de conhecimento geral, nos quatro cantos deste mundão de meu Deus, que sua bola vem murchando a cada dia, e que sua fala anda mais desafinada do que nunca.
Pois é, os olhos agora estão voltados para a economia do império, que rapidamente vai à lona, situação que o obriga a pensar em deixar o conflito, justamente por não conseguir se manter nele, haja vista o alto custo da empreitada.
Seu povo segue vendendo a alma ao diabo para que o presidente fanfarrão continue a afirmar que vence a peleja e que o inimigo está de quatro. Pertence, o sujeito, a um segmento da política que faz da mentira a sua principal arma.
E ele insiste. Insiste por causa do enorme estrondo que se fará ouvir quando o corpo gigantesco do império for ao chão. Insiste porque as forças ocultas do seu país, aquelas que enriqueceram e continuam a enriquecer com a morte por atacado, é quem, de fato, detêm o poder, não permitindo que recue.
Lembrando que não há ser humano que possa tirar de suas mãos esse comando. E essa gente finge não saber que seu semelhante teve seu corpo dilacerado e misturado com os escombros que suas bombas criaram. A ela também pouco importam os sobreviventes que ficaram sem hospitais, sem remédios, sem saneamento, sem água, sem comida... E que morrerão em função disso.
É tempo de dar um basta nessa situação, de promover uma reforma que derrube esse poder, como se derruba um monumento à morte. É tempo de tirar das mãos dos verdadeiros tiranos a força responsável por tantas tragédias, por tantas lágrimas. É preciso que o povo tome nas mãos o poder que nunca teve, que acabe com as guerras, que crie uma sociedade mais justa.
Soa utópico isso, há de lembrar o leitor. Convenhamos, no entanto, caríssimo, que o ser humano tem como resolver a questão: basta que livre esse mundo dos vermes que corroem a sua carne.
Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.com
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