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Mounjaro: para crianças e adolescentes?

Antonio Carlos do Nascimento
04/05/2026 | 09:10
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ARTE: Fernandes
ARTE: Fernandes Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou, em 22 de abril deste ano, o uso da Tirzepatida, o Mounjaro, para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos.

A decisão seguiu aquela adotada pelo FDA, a agência reguladora americana, que havia aprovado este polipeptídeo para os mesmos fins em 2 de dezembro de 2025.

A resolução causou espanto por algumas razões, entre elas, o fato de indicar um fármaco com tal juventude de mercado e com esta envergadura terapêutica para crianças a partir dos 10 anos e, curiosamente, para tratar o diabetes tipo 2, até há bem pouco tempo definido como diabetes do adulto, dada a raridade com que essa patologia ocorria em indivíduos jovens.

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Ainda não é descabido argumentar por que Liraglutida (Saxenda) e Semaglutida (Wegovy), aprovadas para o tratamento da obesidade infantojuvenil em 2020 e 2023, respectivamente, não assumiram o protagonismo na condução medicamentosa do diabetes tipo 2 infantojuvenil.

Tudo se resume aos protocolos clínicos e a como devem ser executados, pois Saxenda e Wegovy foram estudados para a obesidade em jovens a partir dos 12 anos, enquanto o Mounjaro foi avaliado para o diabetes tipo 2 na faixa etária de 10 a 17 anos. 

Interrogar os riscos destes medicamentos no público infantojuvenil possui legitimidade limitada, pois a obesidade e sua principal decorrência, o diabetes tipo 2, podem macular o futuro de gerações se não forem combatidos em tempo e com rigor extremo.

Mais do que questionar o uso dessas terapias inovadoras no público infantojuvenil, a urgência do debate deve deslocar-se para as raízes da epidemia de obesidade que as torna necessárias, bem como para a busca de caminhos que permitam universalizar o acesso a esses fabulosos medicamentos. 

Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.




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