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Faixa azul sob contestação

05/05/2026 | 08:50
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FOTO: DGABC
FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A adoção das chamadas faixas azuis para motocicletas no Grande ABC foi apresentada como tentativa de ampliar a segurança deste tipo de veículo. Entretanto, os dados disponíveis suscitam dúvidas sobre a efetividade da medida. Em Santo André e São Bernardo, como mostrou reportagem publicada na segunda-feira (4) pelo Diário, verificou-se aumento de ocorrências após a implantação, inclusive com registros de mortes inexistentes no período anterior. Conjunto das informações fornecidas à reportagem do jornal pelo Estado aponta tendência que não pode ser ignorada. Contraproducente, a proposta passa a ser questionada quando os indicadores de segurança não acompanham a expectativa inicial.

Estudos acadêmicos reforçam essa percepção ao indicar que a faixa azul induz comportamentos de risco. Pesquisas conduzidas por universidades e instituições especializadas revelam aumento significativo da velocidade média e maior incidência de infrações em vias com esse tipo de sinalização. Além disso, há indícios de elevação nos índices de mortalidade em pontos de cruzamento, onde o fluxo se torna mais complexo. O fenômeno sugere que a estrutura cria um ambiente que favorece deslocamentos mais rápidos, reduzindo o tempo de reação diante de imprevistos. Dessa forma, a política pública, ao priorizar a fluidez, pode estar negligenciando aspectos essenciais da prevenção de acidentes.

A decisão da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) de interromper a expansão e encerrar o caráter experimental do projeto acrescenta novo elemento ao debate. É sinalização de que os resultados obtidos não sustentam a continuidade automática da iniciativa. Cabe aos municípios, portanto, reavaliar estratégias e considerar alternativas que integrem fiscalização, educação e incentivo a modais menos vulneráveis. A mobilidade urbana exige soluções baseadas em evidências consistentes, e não apenas em percepções imediatas de organização viária. Persistir em modelos cujos efeitos permanecem controversos pode ampliar riscos em vez de reduzi-los, comprometendo o objetivo central de preservar vidas.

DGABC



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