Cotidiano
ARTE: Fernandes

Em meio à crescente escalada dos conflitos no Oriente Médio, as notícias que chegam por intermédio das mídias tradicionais dão conta de que Estados Unidos e Israel levam ligeira vantagem em relação ao Irã. Estimativas um tanto suspeitas se levarmos em consideração os comentários que recebemos de centenas de outros veículos de comunicação, via redes sociais. São, em sua maioria, jornalistas sérios, e, portanto, bem mais comprometidos com a verdade do que aqueles que representam tendenciosas máquinas de desinformação a serviço do capital ocidental, sobretudo, estadunidense.
São canais, os mais variados e independentes, que discutem geopolítica, as guerras e seus efeitos devastadores para a existência humana e para a economia dos países diretamente envolvidos, respingando, com alguma força, nas nações que somente assistem à distância.
E vêm desses canais análises detalhadas que deixam claro que Israel depende, como sempre dependeu, do capital norte-americano para dar continuidade à sua sanha de conquistas na região afetada. É certo também que esse mesmo país tem seus representantes espalhados pelo mundo, gente graúda que faz uso de todo o seu poder e influência para exigir a participação de outros atores mundiais na guerra que iniciou com o apoio incondicional dos Estados Unidos. Contou, inclusive, com a possibilidade de tomar facilmente o território inimigo, dizimar as suas cidades e a sua economia, dando por liquidada uma civilização milenar. Todavia, não imaginavam, as nações agressoras, que o Irã, que sempre viveu em meio às ameaças de invasão, viesse se preparando, para quando esse dia chegasse. Em silêncio, durante 30 anos, desenvolveu tecnologia na construção de drones e de mísseis ultrassônicos com grande poder de precisão e de destruição.
E os Estados Unidos, império de cujas garras partiram todos, ou a maior parte dos conflitos espalhados pelo mundo desde o fim da segunda guerra, têm agora um presidente megalomaníaco que, como tal, carrega no cerne a compulsão pela demonstração de poder junto aos que considera mais fracos, sem levar em consideração que a sua enorme economia já não dispõe da saúde de antes para bancar tal empreitada. Não é segredo para ninguém que há 37 milhões de pessoas na miséria naquele país, que seu povo não tem mais como pagar seguro saúde e aluguel, que grande parte vive na rua ou dentro de veículos, que a taxa de desemprego sobe assustadoramente, assim como a inflação. Tudo isso associado à sua dívida, que já é de 90% do seu PIB, e à queda de poder de barganha do dólar, que sempre deu sustentação aos desmandos financeiros daquele país. Poder este que agora vem perdendo força à medida que a moeda perde a sua hegemonia em todo o mundo, uma vez que as nações, antes suas reféns, agora fazem negócios usando suas próprias moedas.
Fica cada vez mais claro, portanto, que o país persa vem dando um baile no império americano e em seu comparsa sionista. E que as mídias, comprometidas com o capital financeiro ocidental, terão, mais dia menos dia, de admitir e noticiar a derrota de ambos.
Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André. É professor e autor do blog cafeecronicas.com
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.