Editorial A implementação do BRT-ABC é um avanço para a mobilidade regional, porém o andamento das intervenções nas avenidas Lauro Gomes e Guido Aliberti passou a produzir preocupação adicional ao Ribeirão dos Meninos. O despejo de entulho, placas, sedimentos e resíduos de aterro no leito do curso d’água amplia um problema antigo e cria novo foco de risco ambiental em área tradicionalmente marcada por enchentes. O poder público, a concessionária responsável e os órgãos de fiscalização precisam interromper imediatamente qualquer descarte irregular, porque o acúmulo de materiais reduz a vazão do rio, altera margens e compromete medidas implantadas para drenagem urbana.
O assoreamento traz consequências que ultrapassam o aspecto visual observado por motoristas, moradores e trabalhadores. Uma chuva intensa pode carregar terra, concreto, plástico e restos de demolição para trechos mais profundos do ribeirão, afetando a circulação da água e favorecendo transbordamentos. Também há possibilidade de danos à fauna existente no entorno, aumento da poluição no Tamanduateí e agravamento da deterioração das margens. O Piscinão Jaboticabal foi entregue justamente para reduzir impactos provocados pelas cheias, mas a continuidade do cenário nas obras do BRT-ABC limita parte da eficiência esperada para o sistema de macrodrenagem construído na região.
São Caetano, historicamente atingida por alagamentos próximos ao Ribeirão dos Meninos, pode sofrer novamente com enchentes caso providências não sejam tomadas. A população não pode conviver com a contradição de assistir a uma obra destinada ao transporte coletivo contribuir para ampliar dificuldades ambientais e urbanas. Cabe ao governo estadual e à concessionária Next Mobilidade estabelecer fiscalização permanente, acelerar a limpeza das margens e divulgar relatórios sobre contenção de resíduos. Infraestrutura exige planejamento contínuo, responsabilidade técnica e acompanhamento público – sobretudo quando intervenções alcançam áreas tão sensíveis.
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