Editorial O lamentável episódio recente ocorrido na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Demarchi, em São Bernardo, expõe realidade que se repete com frequência assustadora no Grande ABC: a agressão a trabalhadores da saúde durante o exercício de suas funções. A invasão de consultório, motivada pela exigência de prioridade, rompe limites básicos de convivência e desorganiza o atendimento, já pressionado por alta demanda. Não se trata de fato isolado, mas de sequência de episódios que revelam deterioração do respeito em ambientes destinados ao cuidado. A naturalização desse tipo de conduta compromete o funcionamento do setor e coloca em risco tanto equipes quanto pacientes.
A resposta institucional, embora existente, ainda não demonstra capacidade de conter o avanço desses casos. Medidas como aplicação de multas e monitoramento por câmeras são tentativas de enfrentamento, porém esbarram na reincidência e na percepção de impunidade. Quando seguida de liberação, a condução do agressor à delegacia reforça a ideia de que a consequência não acompanha a gravidade do ato – situação absurda que o Sindmed (Sindicato dos Médicos) Grande ABC pretende mudar. Enquanto isso, profissionais seguem expostos, muitas vezes sem estrutura adequada de segurança, o que contribui para afastamentos, sobrecarga e deterioração do serviço público oferecido à população.
É necessário afirmar, de forma inequívoca, que nenhuma insatisfação justifica a utilização da violência – eis uma das pouquíssimas regras que não possui exceção. A proteção dos trabalhadores da saúde deve ser tratada como prioridade administrativa e legal, com protocolos mais rigorosos, presença efetiva de segurança e celeridade na responsabilização. Paralelamente, cabe ao poder público ampliar campanhas de conscientização sobre o funcionamento do sistema e os critérios de atendimento. Sem ação coordenada e firme, o cenário tende a se agravar, comprometendo não apenas a integridade física das equipes, mas também a qualidade do cuidado prestado à sociedade. Chegou a hora do basta!
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