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Perigo entre quatro paredes

18/05/2026 | 08:58
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Ouçam o que diz a delegada Lisandrea Salvariego. Os relatos apresentados pela chefe de investigações contra crimes cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo, em entrevista ao Diário, revelam transformação silenciosa na forma como famílias precisam enxergar a proteção de crianças e adolescentes. Durante décadas, pais foram orientados a desconfiar de desconhecidos nas ruas, evitar determinados locais e impor horários de retorno para casa. Entretanto, a expansão das plataformas digitais deslocou esse risco para dentro do ambiente doméstico. O quarto deixou de representar barreira de segurança quando celulares passaram a conectar menores de idade a pessoas espalhadas pelo mundo.

A falsa sensação de controle produzida pela presença física dos filhos na residência contribuiu para reduzir a vigilância sobre hábitos virtuais. Enquanto isso, criminosos aprenderam a explorar fragilidades emocionais, solidão e busca por pertencimento entre jovens conectados durante horas. Investigações da Polícia Civil mostram que o aliciamento raramente começa por ameaças explícitas. A aproximação costuma surgir em ambientes conhecidos do cotidiano infantojuvenil, como partidas em plataformas de jogos e conversas aparentemente inofensivas. A partir desse contato inicial, vítimas são conduzidas para aplicativos fechados, onde passam a sofrer chantagens, coerções e outros abusos.

O alerta feito por Lisandrea precisa ser tratado como interesse público. Supervisão digital não representa invasão arbitrária, mas medida de proteção compatível com a incapacidade de adolescentes identificarem ameaças complexas no ambiente on-line. Ferramentas de controle parental, acompanhamento das atividades virtuais e limitação do tempo diante das telas devem caminhar junto da construção de vínculos familiares sólidos. Trata-se de reconstruir, dentro de casa, relações de confiança capazes de impedir que crianças procurem acolhimento emocional em comunidades violentas da internet. Ignorar essa realidade significa permitir que crimes ocorram sem sair do alcance do wi-fi doméstico.

DGABC



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