Malas prontas Com políticas migratórias cada vez mais severas, o sonho de emigrar para a Europa pode ficar mais próximo ao escolher o país certo para trabalhar e estudar
FOTO: Vagner Aquino/DGABC

Insegurança, falta de perspectiva e tantos outros motivos levam os brasileiros a contarem com um "plano B". Emigrar, em muitos casos, se mostra como a solução mais plausível para driblar a eterna crise enfrentada pelo país.
Desse modo, a Europa se tornou o destino favorito do público que busca oportunidades fora do País. De acordo com a Pesquisa Observatório Febraban, quatro em cada dez brasileiros demonstram interesse em morar fora. Mas será que o Velho Continente está, de fato, com as portas abertas ao brasileiro?
O primeiro passo, nesse sentido, é enfrentar as políticas anti-migratórias cada vez mais severas. Por isso, na hora de escolher para qual país solicitar o visto, faz toda a diferença optar por aqueles mais receptivos.
Portugal é a melhor opção?
Muitas pessoas pensam que Portugal é a principal porta de entrada para brasileiros, por causa do idioma. No entanto, com o endurecimento das regras, Renata Barbalho, CEO da Espanha Fácil, assessoria especializada em imigração para o país, explica que a Espanha pode ser uma escolha mais viável.
"Em abril deste ano, a Espanha aprovou a regularização para mais de 500 mil imigrantes irregulares e em maio investiu 1,7 milhão de euros para agilizar a resposta dos pedidos de nacionalidade espanhola. O país sofre com o envelhecimento da população e precisa de mão de obra em diversos setores, como logística, saúde e tecnologia. Nesse contexto, os brasileiros saem na frente para conseguir morar e estudar na Espanha porque, além do idioma, culturalmente são próximos", explica a executiva.
20% do tempo para solicitar nacionalidade
A especialista destaca que após dois anos morando legalmente na Espanha, os brasileiros já podem solicitar a nacionalidade espanhola. Em outros países, esse tempo pode chegar a dez anos. Mais do que isso, como o país carece de profissionais, é possível combinar estudo e trabalho.
Com o curso de espanhol para internacionalização, a lei espanhola permite até 30 horas de trabalho semanal, sendo que a média dos trabalhadores de lá é de 40 horas. "O que está acontecendo hoje na Espanha é algo inédito e que vai na contramão de todos os outros destinos da Europa e até dos EUA. Hoje, é o país mais receptivo para brasileiros do continente", estima Renata Barbalho.
Estude o idioma
A especialista ainda complementa que, apesar de todas as facilidades, é importante que os brasileiros procurem aprender o idioma antes de arrumar as malas. "Por mais que o espanhol e o português sejam similares, a Espanha conta com diferentes sotaques e alguns dialetos, como o Catalão. Por isso, vale a pena estudar de acordo com a região para onde a pessoa vai. Hoje, já existem cursos online com essa abordagem regional. Com essa preparação, é possível chegar e ir em busca de uma posição no mercado de trabalho", detalha a CEO.
No entanto, a profissional alerta que, apesar do bom momento para buscar a entrada legalizada na Espanha, não é possível ter certeza até quando o governo se manterá receptivo aos imigrantes. "A última regularização em massa na Espanha foi há 20 anos, por exemplo. Por isso, para quem tem esse sonho, talvez a melhor hora seja agora.
Por fim, cabe pontuar que, mesmo com a possibilidade de fazer tudo sozinho, dá para contar com o apoio de uma assessoria. Afinal, "isso pode facilitar muito a burocracia, como aluguel de moradia, por exemplo", pontua Renata.
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