Editorial O avanço das mortes no trânsito do Grande ABC nos primeiros quatro meses de 2026 exige reação imediata das autoridades. Os 89 óbitos representam o maior patamar da série histórica, iniciada em 2015. O cenário regional destoa da redução verificada no Estado e evidencia falhas na condução das políticas de mobilidade urbana. Ainda que o número de acidentes tenha diminuído, a maior letalidade das ocorrências demonstra que condutas de risco seguem presentes nas vias, sobretudo o excesso de velocidade e a combinação entre direção e álcool. Os números mostram que não há espaço para tolerância com práticas que transformam ruas e avenidas em ameaça permanente à população.
Há experiências que ajudam a reverter o quadro, mas dependem de planejamento e decisões firmes. Motocicletas e motociclistas, por impulsionarem as estatísticas, devem merecer atenção especial. O Grande ABC precisa apostar mais na integração entre prefeituras, Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e forças policiais. A redução do limite de velocidade, especialmente em áreas com circulação intensa de pedestres, deve ser tratada como prioridade. Medidas de engenharia de tráfego, como travessias elevadas, alargamento de calçadas e estreitamento de pistas, também contribuem para induzir motoristas a dirigir com maior atenção. Não se trata de restringir a mobilidade, mas de preservar vidas.
A resistência de parte da sociedade a mudanças dessa natureza não pode servir de justificativa para a omissão. Cabe aos gestores explicar que intervenções voltadas à redução da velocidade produzem impacto pequeno no tempo de deslocamento, mas diferença significativa na preservação da integridade humana. O enfrentamento da violência viária requer campanhas de conscientização, fiscalização e investimentos em infraestrutura. Além disso, o monitoramento dos indicadores precisa orientar decisões técnicas. Mortes não podem ser encaradas como consequência inevitável do trânsito. Baixar índices ao menor nível possível deve deixar de ser discurso e passar a orientar políticas públicas efetivas. E já!
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