Editorial A abertura da Delegacia de Defesa da Mulher 24 horas em São Bernardo, ocorrida na segunda-feira (18), é um avanço que deve ser celebrado. Embora reduzidos, os primeiros registros de ocorrências realizados durante o expediente noturno mostram a existência de demandas fora do horário comercial, realidade ignorada durante décadas. Como sempre se disse durante o processo de reivindicação, o equipamento é necessário porque os criminosos não respeitam o relógio. Manter as portas da DDM abertas permanentemente pode ser a diferença entre a vida e a morte, já que o estabelecimento oferece suporte imediato justamente no instante mais delicado para quem procura ajuda.
É preciso dizer ainda que o número de boletins lavrados não deve ser levado em consideração ao se analisar a importância da DDM 24h. A necessidade de estruturas desse tipo não pode ser medida pela quantidade diária de boletins lavrados. Delegacias especializadas são unidades de expectativa, à espera dos crimes que podem surgir em qualquer faixa horária. Questionar eventual baixa movimentação noturna significa ignorar lógica elementar presente nos serviços públicos ligados à preservação da vida. Hospitais, centrais policiais, guardas municipais ou bombeiros permanecem ativos independentemente do fluxo observado. O mesmo raciocínio se aplica à proteção feminina.
Os resultados verificados na primeira noite tendem a aumentar. Ao garantir atendimento ininterrupto, ampliam-se as possibilidades para denúncias, pedidos protetivos e coleta de depoimentos, além da interrupção rápida do ato de violência. Trata-se de política cuja finalidade principal reside na oferta permanente de suporte, não na busca por produtividade administrativa. Por esse motivo, o governo paulista deve utilizar São Bernardo como referência regional. Municípios vizinhos convivem com problemas semelhantes, exigindo respostas equivalentes. Outras cidades da região necessitam de modelo idêntico, assegurando cobertura às mulheres do Grande ABC – seja manhã, tarde, noite ou madrugada.
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